CARLOS GERALDO LANGONI

HERANÇA

Quando se analisam os desafios para o reencontro com um novo estágio de crescimento sustentado, o foco é necessariamente a correção dos desequilíbrios internos.

Há, porém, uma herança benigna deixada, principalmente, pelo Banco Central.

Inflação:

O IPCA de 2019 ficou abaixo de 4% e as expectativas para 2020 / 2021 permanecem ancoradas abaixo da meta oficial.

Essa estabilidade da inflação aumenta a margem de manobra para o BC manter os juros básicos em níveis historicamente baixos (6,5%).

As externalidades desse ambiente monetário estimulante já se refletem no consumo das famílias.

Em novembro, as vendas no varejo apresentaram forte expansão, na margem, com a taxa anual acelerando para 4,4%.

Como a queda do emprego tem sido lenta, o principal impacto da inflação bem-comportada é a recuperação dos rendimentos em termos reais.

A implementação do ajuste fiscal estrutural ainda este ano, daria ao Banco Central grau de liberdade adicional para estender o viés expansionista por período mais longo de tempo.

Contas Externas:

Outra herança positiva é a solidez das contas externas com previsão de crescimento apenas moderado no déficit em conta-corrente.

Esse desequilíbrio poderá ser financiado confortavelmente por capitais de longo prazo.

A percepção favorável de risco-país – 63% dos entrevistados na pesquisa XP Ipespe têm expectativa ótima / bom sobre o novo Governo - deve elevar o investimento direto estrangeiro para a faixa de US$ 85 bilhões.

O nível de reservas internacionais mantém-se elevado, próximo de US$ 400 bilhões, funcionando como amortecedor das tensões na economia mundial.

As principais são o ritmo de normalização monetária do Fed e a desaceleração das principais economias - Estados Unidos e China.

Ou seja, o nível de incerteza mundial aumentou, mas estamos relativamente protegidos pelo bem-sucedido ajuste externo.

A consequência prática é a menor volatilidade da taxa de câmbio que deve manter tendência de gradual apreciação.

Atividade:

De qualquer forma, a retomada da atividade continua lenta. Os serviços permaneceram estáveis em novembro com a taxa em 12 meses apresentando crescimento zero. Ou seja, saímos da recessão setorial, mas ainda não voltamos para o terreno positivo.

O indicador antecedente do PIB calculado pelo BC (IBC-Br) também apresentou expansão modesta no mesmo período. Em 12 meses a variação foi de 1,44%, bem próxima das estimativas de crescimento para o ano passado. O mercado aposta em alguma aceleração em 2019 com o PIB avançando para o patamar de 2,50% - ainda sub-potencial.

Em resumo, o principal desafio da agenda liberal é corrigir os desequilíbrios internos. Conta com dois fatores favoráveis: inflação estabilizada e juros reais historicamente baixos.

Há, também, a blindagem representada pela solidez das contas externas. Isso significa que a decolagem da economia fica na dependência exclusiva da consistência e sustentabilidade do ajuste fiscal.

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