CARLOS GERALDO LANGONI

HERANÇA BENIGNA

Inflação baixa com expectativas ancoradas é importante trunfo para tornar viável novo estágio de crescimento sustentado.

O COPOM manteve a SELIC estável no patamar de 6,5%, reforçando o viés expansionista da política monetária.

Juros:

O IPCA de janeiro confirma trajetória benigna, com a taxa em 12 meses estabilizando-se na faixa de 3,78%.

As estimativas de mercado apontam para níveis inferiores à meta oficial, neste e no próximo ano.

Não há ainda definição clara acerca do projeto de Reforma da Previdência que será apresentado pela equipe econômica. As primeiras versões sugerem mudanças profundas.

Merecem destaque: idade mínima de 65 anos para homens e 60 para mulheres, tempo de serviço a partir de 20 anos e até 40 anos para a pensão plena, além da contribuição extraordinária dos servidores públicos civis e militares.

Tudo isso precisa ser ratificado pelo Presidente. De qualquer forma, a possibilidade de prazo mais curto de transição, poderá gerar ganhos fiscais da ordem de R$ 1 trilhão em 10 anos, revertendo a tendência explosiva da relação dívida bruta / PIB.

O impacto positivo sobre as expectativas reflete também a estratégia de, num segundo momento, criar a opção de acesso livre ao mercado de trabalho sem as amarras da legislação atual, ainda que reformada.

Além de alavancar o emprego formal, para jovens haveria também a possibilidade de aposentadoria pelo novo regime de capitalização.

Essa alternativa contribuiria diretamente para elevar a poupança doméstica, hoje estagnada em 14% do PIB, reduzindo a taxa de juro real de equilíbrio da economia brasileira.

Finalmente, mesmo com a aprovação da Previdência, o Ministro Paulo Guedes mantém a intenção de implementar amplo programa de desindexação e desvinculações que daria sustentabilidade ao ajuste fiscal.

Cenário:

A probabilidade do Congresso aprovar essas mudanças estruturais, pelo menos neste ano, é elevada.

É possível que o texto final seja flexibilizado, mas sua essência deverá ser preservada.

Nesse cenário, a política fiscal volta a ser gradualmente restritiva, ampliando os graus de liberdade do Banco Central.

Um efeito indireto importante é reforçar o viés de apreciação cambial, apesar da alta volatilidade. O dólar projetado pelo mercado em R$ 3,70 para dezembro poderá caminhar para a faixa de 3 reais, acompanhando a melhora na percepção de risco-país.

Estariam criadas as condições para a retomada do ciclo de cortes nos juros básicos, possivelmente para a faixa de 5,5%, alavancando a retomada do crescimento de curto prazo.

O crescimento do PIB vem sendo revisado para apenas 2,5%. Essas condições favoráveis deverão acelerar o ritmo para novo patamar acima de 3%.

Em resumo, inflação corrente e futura em nível baixo permite que o BC sustente a SELIC na faixa de 6,5%.

As possibilidades de aprovação neste semestre de uma reforma abrangente da Previdência é importante gatilho para consolidar onda de expectativas favoráveis.

Confirmada essa mudança estrutural, é possível antecipar novos cortes na taxa básica com queda adicional dos juros reais e salto expressivo no PIB potencial.

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