CARLOS GERALDO LANGONI

FLEXIBILIZAÇÃO MONETÁRIA

O Banco Central manteve seu viés expansionista com novo corte na SELIC para 4,5%.

É a 4ª redução consecutiva, que começou em agosto, quando a inflação corrente estava no confortável patamar de 3,43%.

Cenários:

Esse comportamento benigno continua sendo observado: o IPCA de novembro foi de apenas 3,27%.

Mais importante, as expectativas mantêm-se firmemente ancoradas.

Nas diversas projeções do BC, mesmo considerando as pressões do câmbio e o impacto do preço de alimentos e combustíveis, a inflação permanece abaixo de 4% em 2020 / 2021.

Esse cenário benigno dos preços é reforçado pela retomada gradual do crescimento que irá se beneficiar, no estágio inicial, da existência de capacidade ociosa.

De fato, serviços avançou 0,8% na margem em outubro, confirmando a iminência do take off. Com esse resultado, o setor - que representa 65% do PIB - consolida sua posição no terreno positivo pelo 2º mês consecutivo.

Fica implícito no comunicado do BC que o balanço de riscos ainda aponta para a possibilidade de mais um corte na taxa básica para novo patamar de 4,0%, possivelmente já em fevereiro.

A partir desse nível, seria razoável interromper a flexibilização monetária, a fim de assegurar que o novo estágio de expansão ocorra em um contexto de inflação controlada.

Risco-país:

Juros historicamente baixos foi um dos fatores que levaram a S&P a melhorar a perspectiva de ranking brasileiro de estável para positivo.

Pesou também o processo de consolidação fiscal, viabilizado com a aprovação da reforma da Previdência.

A continuidade da agenda estrutural - com destaque para a tributária - é elemento-chave para a confirmação de um upgrade.

Em termos de timing, a estimativa é conservadora - cerca de 2 anos. Este cronograma poderá, entretanto, ser antecipado com maior dinamismo da economia, que facilita a construção de superávits primários ao alimentar ganhos reais de receita.

Este é fator crucial para reverter mais rapidamente a tendência de crescimento na relação-chave de solvência interna - dívida bruta / PIB.

Com esses avanços, não será surpresa se o Brasil recuperar o grau de investimento já no 2º semestre do próximo ano.

Juros reais baixos na faixa de 2% e percepção favoravel do risco-país terão forte impacto positivo sobre a taxa de investimento, viabilizando mudança de patamar no PIB potencial para cerca de 3%.

Em resumo, a queda na SELIC consolida o novo mix macro - aperto fiscal e flexibilização monetária.

O ciclo expansionista está próximo do fim, com elevada possibilidade de que a taxa básica de equilíbrio caminhe para 4%.

Esse nível historicamente baixo, combinado com avanços na agenda de reforma, aumenta a probabilidade de um upgrade no rating brasileiro, alavancando o investimento privado.

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