CARLOS GERALDO LANGONI

TENSÃO EXTERNA

A crise entre Estados Unidos e Irã aumentou o nível de incerteza da economia mundial, em contraste com a melhora nos índices de confiança doméstica.

Volatilidade:

O maior impacto foi sobre o preço do petróleo, cujo viés é agora de queda após oscilar próximo do patamar de US$ 70.

É cedo ainda para saber qual o novo nível de equilíbrio no curto prazo.

A oferta do Irã já estava fora dos principais mercados pelas sanções impostas pelos norte-americanos.

Nos últimos anos, tem aumentado a produção de países não-membros da OPEP, como o próprio Brasil.

De qualquer forma, é sempre importante lembrar que a Arábia Saudita - o Banco Central do petróleo - é aliada dos Estados Unidos e, se necessário, poderia atuar para minimizar tendência de overshooting.

Câmbio:

Por tudo isso, parece acertada a estratégia da Petrobras de - sem abrir mão de sua política de preços realistas - aguardar os desdobramentos da crise que parece caminhar para certa distensão.

Contribui para essa pausa a relativa estabilidade da taxa de câmbio, que tem flutuado na faixa de 4 reais, apesar da onda global de aversão ao risco.

É reflexo da melhora nos fundamentos macro, refletido na alta dos índices de confiança empresarial e dos setores serviço e comércio em dezembro.

Contribui também a solidez das contas externas, apesar da forte queda no saldo comercial (cerca de 20%) acompanhando a desaceleração do comércio global.

As exportações recuaram em todas as categorias, contaminadas pelo ritmo mais lento na China e pela recessão argentina.

Apesar desse ajuste, o déficit em conta-corrente continua sendo financiado, confortavelmente, por capitais de longo prazo: o investimento direto estrangeiro deve atingir US$ 80 bilhões este ano.

Indústria / Inflação:

Essa tendência positiva não deve ser alterada, apesar da queda na produção industrial em novembro.

Houve contração das principais categorias, inclusive duráveis e bens de capital. Ainda assim, o mercado aposta em forte expansão (2,19%) neste ano.

Por outro lado, a forte aceleração do IPCA em dezembro, explicada pela alta dos alimentos, deixou a inflação anual (4,31%) um pouco acima da meta oficial.

Não contaminou, entretanto, as expectativas. As projeções do mercado apontam para IPCA em 2020 na faixa de 3,60%, abaixo do novo centro da meta (4%).

Em resumo, o estresse externo foi importante teste de resistência para a economia brasileira.

A julgar pelo comportamento do câmbio, o resultado foi positivo: a agenda de reformas já contribui para amortecer choques da economia mundial.

O Brasil avançará nos próximos anos no ranking dos principais exportadores mundiais de petróleo: é fundamental manter a política de paridade entre preços domésticos e internacionais.

Nesse sentido, a substituição do diesel pelo GNL é solução mais eficiente do ponto de vista econômico e ambiental do que qualquer mecanismo artificial para minimizar a volatilidade das cotações internacionais.

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