Conjuntura do Agronegócio

1. Expansão da produção agropecuária elevou emissões de gases-estufa no país, diz estudo

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu que, em um período de 22 anos, o padrão de expansão da produção agropecuária do Brasil resultou em uma quantidade elevada de emissão total de gases-estufa em relação à maioria dos países, embora a emissão líquida relacionada a mudanças de uso do solo (como desmatamento e conversão de pastagem para lavouras) tenha sido negativa.

Conforme cálculos dos pesquisadores José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho e Felipe Pinto da Silva, entre 1992 e 2014 o Brasil foi o quarto país mais eficiente no crescimento de sua produção agropecuária em um universo de 118 países analisados. Para o cálculo de eficiência foram levados em consideração a variação da produção, alocação de capital, trabalho e terra. No ranking elaborado pelos pesquisadores, a produção agropecuária da China foi a que cresceu de forma mais eficiente, seguida de Índia e Estados Unidos.

Porém, considerando o ranking de emissões totais derivadas da agricultura no mesmo período, a partir dos dados compilados pela Agência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil foi o 36º maior emissor de gases-estufa, com uma variação de 40% nesses 22 anos. A metodologia da FAO leva em conta as emissões derivadas de fermentação entérica, manejo de dejetos animais, cultivo de arroz, uso de fertilizantes sintéticos, tratamento de resíduos, cultivo de solos orgânicos, queima de resíduos agrícolas, queimada de áreas nativas e uso de energia.

Em comparação, o avanço da produção agropecuária da China, que foi maior e mais eficiente, puxado principalmente pelo aumento da alocação de capital na atividade, veio acompanhado de um aumento de 20% nas emissões, o que coloca o país na posição 53 do ranking dos maiores emissores de gases a partir da atividade rural. A Índia, que teve o segundo melhor desempenho em eficiência produtiva no campo, viu suas emissões brutas de gases da agropecuária subirem 22%, o que a colocou no 52º posto no ranking de crescimento de emissões rurais.

Por sua vez, a produção agropecuária dos Estados Unidos, a terceira mais eficiente, aumentou suas emissões em apenas 2%, colocando o país como o 77º maior emissor. No período, a produção agropecuária do país foi puxada principalmente por aumento do volume por área e trabalho, enquanto o uso da terra para atividades rurais decaiu.

Dentre os 20 países que aumentaram sua produção agropecuária de forma mais eficiente nesse período, apenas Nigéria e Egito registraram um aumento de emissões brutas da atividade maior do que o Brasil - de 69% e 45%, respectivamente.

Em contrapartida, as emissões de gases-estufa decorrentes de mudanças do uso do solo medidas pela FAO - que contabiliza as variações no estoque de carbono relacionadas à transição, por exemplo, de florestas para pastagens, ou de pastagens para lavouras - foram negativas no Brasil no mesmo período. Nesse sentido, as mudanças de uso do solo no país resultaram em uma redução de 65% das emissões entre 1992 e 2014, de acordo com a pesquisa.

A metodologia da FAO é específica sobre as transições de uso do solo e difere de outras contabilizações de emissões de uso da terra, como a elaborada pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima.

Segundo Vieira Filho, a redução das emissões relacionadas à mudança de uso da terra identificada pela FAO está ligada a uma política adotada em 2004, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) abriu os dados de satélite que permitiram o monitoramento e a fiscalização do território, o que intensificou as ações de fiscalização contra o desmatamento.

Em estudo de 2018, o pesquisador afirmou que as emissões relacionadas a mudanças de uso da terra no Brasil tiveram um pico em 2005, quando atingiram 1,9 milhões de gigatoneladas de gás carbônico equivalente, e depois passaram a cair, alcançando 233 milhões de gigatoneladas de gás carbônico equivalente em 2014.

Em termos de emissões de mudança de uso do solo medidas pela FAO, o desempenho brasileiro supera o da China, Índia e EUA, que tiveram emissão positiva, com destaque para o avanço de 363% da Índia.

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Fonte: Valor Econômico

2. Bolsonaro diz que mudar embaixada para Jerusalém "não é fundamental"

O presidente Jair Bolsonaro disse hoje, em Brasília, que a intenção de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém está “em banho-maria”. Ao receber um grupo de jornalistas e comentaristas de diferentes veículos no Palácio do Planalto, afirmou que esta “não é uma questão tão fundamental” na relação entre os dois países.

A intenção de promover a mudança da embaixada foi anunciada com ênfase por Bolsonaro e seus aliados nos primeiros dias de mandato. É uma ideia que desagrada países árabes, que também têm Jerusalém como importante centro religioso. Fala-se até no esfriamento de relações comerciais entre o Brasil e vários desses países, caso a mudança seja levada adiante.

Bolsonaro disse que ouviu apelo da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para “pensar direito” sobre o tema.

Ele também tentou minimizar o possível impacto da medida. Afirmou que o Brasil é diferente dos Estados Unidos (um das poucas nações que mantém embaixada em Jerusalém) e que, portanto, uma mudança por iniciativa de seu governo teria menor repercussão.

Durante a conversa, que não pode ser gravada, Bolsonaro confirmou que visitará Israel em março. Disse também que está prestes a marcar uma reunião com representantes da comunidade árabe no Brasil.

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Fonte: Valor Econômico

3. PIB Agro de 2018 não foi pior porque produção de soja foi boa, diz MB

Depois do leve crescimento de 0,1% no PIB da agropecuária no acumulado de 2018, o setor deve continuar sem ter muito o que comemorar, segundo a consultoria MB Agro. "O indicador veio dentro do esperado. No período, tivemos quebras expressivas nas safras de milho e cana-de-açúcar. O resultado não foi ainda pior porque a produção de soja no ano foi boa", disse José Carlos Vannini Hausknecht, sócio diretor da consultoria.

Para o executivo, a Operação Carne Fraca e a greve dos caminhoneiros também contribuíram para limitar a produção agropecuária. A primeira porque levou o setor pecuário a reduzir a produção, em virtude de embargos nas exportações. Já a segunda porque restringiu a produção de setores que dependem de cargas vivas ou perecíveis.

"Tivemos uma série de problemas no setor com a paralisação dos caminhoneiros, entre eles, recuo no abate de animais por falta de ração e milhares de litros de leite jogados fora", ressaltou Hausknecht.

A estimativa da consultoria para o PIB da agropecuária neste ano é de queda ou, no máximo, crescimento próximo de zero.

"O desempenho do setor tende a ser pior do que no ano passado, principalmente pelo aperto na safra de soja. Será próximo de zero somente se a produção de milho se recuperar e compensar, parcialmente, as perdas da colheita de soja. Caso contrário, será ainda pior", explicou Hausknecht.

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Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

Insumos

4. Solinftec volta a ser indicada a prêmio internacional de startups

A Solinftec, empresa da área de agricultura digital com sede em Araçatuba (SP), voltou a ser indicada neste ano ao prêmio AgFunder Innovation Awards, desta vez como startup internacional mais inovadora na categoria Farm Tech (plataforma de análise de dados end-to-end para grandes lavouras).

Segundo informações divulgadas pela empresas, os vencedores desta e das outras categorias do prêmio serão anunciados no ReThink Agri-Food Innovation Week, em São Francisco (EUA), em 20 de março. No ano passado a Solinftec foi indicada na categoria “Startups Internacionais Série A - Mais Inovadoras”. Não venceu, mas neste ano tenta novamente se tornar a primeira empresa brasileira a ser laureada.

A tecnologia desenvolvida pela companhia é usada em equipamentos usados por clientes dos segmentos sucroalcooleiro, citrícola e de grãos.

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Fonte: Valor Econômico

5. Ministra quer leiloar armazéns obsoletos da Conab

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou que parte dos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deverá ser leiloada nos próximos meses, por estar subutilizada. A promessa foi feita hoje durante a posse do novo presidente da autarquia, Newton Araújo Silva Júnior.

O diagnóstico é que a rede de armazenamento da Conab é grande, antiga e, em boa medida, “sucateada”. Assim, deixou de fazer sentido mantê-la num momento em que as tradings do agropecuário são mais ágeis e possuem unidades mais modernas de armazenagem e escoamento da produção.

Desde a gestão da ex-ministra Kátia Abreu existem planos para vender ativos da Conab, mas até agora eles não prosperaram. O sucessor de Kátia, Blairo Maggi, enterrou um programa lançado pela ex-presidente Dilma Rousseff que pretendia construir dez armazéns e reformar outras 80 unidades da conab, mas novamente nada aconteceu.

Agora é a vez de Tereza Cristina. “Não podemos ter empresas públicas com um patrimônio enorme, porque custa mais caro mantê-lo do que a sua utilidade", disse a ministra.

A Conab conta atualmente com 178 armazéns, dos quais 67 estão subutilizados e, segundo Silva Júnior, podem ser leiloados ou mesmo cedidos à iniciativa privada por meio de permutas.

“Estamos analisando os armazéns que efetivamente contribuem para o agronegócio. Temos armazéns que não estão nem atendendo mais e muita estrutura nossa que chega a estar sucateada até por falta de uso”, disse o novo presidente ao Valor.

Segundo Silva Junior, que é administrador de formação e servidor de carreira da Conab desde 1979, o órgão está finalizando um pente-fino em sua rede de armazenagem para decidir quais unidades serão “desmobilizadas” ou, se for o caso, quais receberão investimentos em manutenção e reforma. A decisão final, porém, precisa passar pelo Conselho de Administração da Conab.

Em Mato Grosso, Estado que lidera a produção brasileira de grãos, hoje abriga cinco armazéns da Conab, dos quais apenas um está funcionando, e parcialmente.

Por outro lado, o novo presidente destacou que a autarquia tem um “papel social” que precisa ser preservado, como dar suporte a regiões como Norte e Nordeste com programas de leilões ou de vendas de balcão.

“Diminuir nosso parque de armazéns não significa que vamos abrir mão de estoques. Também já usamos armazéns da iniciativa privada. Estamos com pouco estoque, mas vamos continuar comprando e renovando estoques”, declarou Silva Junior.

Entre as intenções do novo comandante da Conab também está aumentar a frequência de divulgação dos levantamentos de safras de grãos e outras culturas e agregar os boletins de mercado da Conab com análises sobre modais de infraestrutura mais adequados para escoamento de produção por região.

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Fonte: Valor Econômico

6. No Senado, Tereza Cristina diz que tentará destinar R$ 1 bi ao seguro rural

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta quarta-feira, 27, na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado que tentará aumentar para R$ 1 bilhão a verba destinada pelo governo ao seguro rural no Plano Safra 2019/20. No atual, os recursos para este fim são de R$ 440 milhões.

A ministra informou que a meta é obter junto à área econômica mais R$ 600 milhões. "Se conseguirmos taxas de juros razoáveis e um seguro rural maior e mais robusto, teremos mais crédito disponível para os produtores", disse a ministra.

Ela também anunciou estar negociando com o Ministério da Economia uma verba maior para o crédito rural na safra 2019/2020. Para a atual safra foram destinados R$ 191 bilhões, além de R$ 30 bilhões para a agricultura familiar. A ministra explicou que esses recursos já se esgotaram, embora o ano-safra se estenda até junho.

Segundo ela, para a próxima safra já está assegurado pela lei o mesmo valor da atual e mais 5% de correção, mas o Ministério da Agricultura está reivindicando verba maior. "Estamos ousando mais", disse a ministra.

Na exposição aos senadores, ela também afirmou que o ministério está trabalhando para abrir novos mercados aos produtos brasileiros, porque o País tem potencial para produzir e exportar cada vez mais, com sustentabilidade e respeito ambiental, utilizando mais tecnologia para ganhos de escala na produção.

Para isso, a ministra pediu apoio dos senadores no sentido de aprovar leis que podem facilitar a vida dos empreendedores. E também lembrou que há gargalos de infraestrutura que precisam ser superados (em portos, rodovias e ferrovias), pois eles aumentam os custos de produção e deixam a margem de lucro dos produtores cada vez mais apertada.

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Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

Proteína Animal

7. Marfrig busca equilíbrio entre aquisições e controle da dívida

Para ter uma operação sustentável, a Marfrig Global Foods, segunda maior empresa de carne bovina do mundo, precisa ser "grande", afirmou ao Valor o CEO da companhia, Eduardo Miron. "Não é crescer por crescer, mas tamanho é importante em um negócio de commodities", disse o executivo. No ano passado, a Marfrig deu um salto com a aquisição, por quase US$ 1 bilhão, do controle da National Beef, quarta maior indústria de carne bovina dos EUA.

Com a incorporação dos resultados da National Beef, a receita líquida da Marfrig superou a marca de R$ 40 bilhões em 2018, conforme balanço divulgado quarta-feira. No ano anterior, as vendas da companhia brasileira haviam alcançado R$ 18,5 bilhões. Questionado se a estratégia de crescimento da Marfrig contemplava uma expansão regional, com eventuais aquisições na Austrália, Miron negou. "Não há nenhuma estratégia de mover [a empresa] para alguma região". Conforme ele, o foco da empresa são as operações nas Américas, a região mais competitiva na produção de carne bovina.

Mas aquisições pequenas nas regiões onde a Marfrig atua estão no radar, indicou o executivo ontem, durante teleconferência com analistas. Miron assegurou, no entanto, que as aquisições só serão feitas caso não tenham impacto relevante no endividamento. "Não existe nada grande, nenhuma operação bilionária no radar", afirmou ele.

Atualmente, a Marfrig tem abatedouros nos Estados Unidos, no Brasil, no Uruguai e na Argentina. O negócio nos EUA representa cerca de 70% do faturamento. Para o futuro, a estratégia de crescimento terá como foco produtos de "valor agregado", disse Miron, ao Valor.

Nesse sentido, a compra das ativos da hambúrguer da BRF, anunciada pela Marfrig em dezembro, é um exemplo tanto de estratégia quanto de preço. A companhia pagou cerca de R$ 315 milhões, com um impacto de "0,01 vez" na alavancagem, disse Miron. Estrategicamente, o negócio permitiu o avanço para alimentos de valor agregado - e melhores margens.

Com a compra da fábrica da dona de Sadia e Perdigão em Mato Grosso e da Quickfood (empresa líder em hambúrguer na Argentina), a Marfrig se tornou a maior produtora de hambúrguer do mundo.

Nos EUA, a Marfrig já contava com uma grande fábrica de hambúrguer, no Estado de Ohio, capaz de produzir cerca de 90 mil toneladas por ano. Considerando as aquisições dos ativos da BRF, a capacidade supera 200 mil toneladas anuais.

Ao Valor, Miron destacou, ainda, que os frigoríficos de carne bovina da Marfrig nos EUA estão mais rentáveis do que as unidades no Brasil. Mas o executivo reconheceu que esse não é o padrão histórico. Normalmente, as margens da indústria de carne no Brasil são mais altas que nos EUA. No entanto, os americanos vivem um dos melhores momentos da história, com grande oferta de animais, redução dos preços do gado e demanda aquecida por carne.

No Brasil, por outro lado, a Marfrig sofreu no quarto trimestre com a redução dos abates, principalmente em razão do incêndio que paralisou o abatedouro em Mineiros (GO). Para 2019, o CEO acredita em uma melhora do cenário, com retomada da economia - o que pode ampliar o consumo de carne bovina - e aumento das exportações.

De acordo com ele, é grande a esperança de que a China habilite mais frigoríficos do Brasil para exportar. Outra notícia positiva pode vir dos próprios Estados Unidos. "A abertura dos EUA pode acontecer a qualquer momento", disse ele, em alusão à reabertura do mercado americano de carne bovina in natura. Washington embargou o produto em 2017.

Mesmo com a melhora no Brasil, a tendência é que as operações americanas continuem rendendo melhores margens para a Marfrig, indicou Miron. "Acho que esse [novo] normal vai seguir", afirmou ele. Atualmente, a Marfrig não divulga separadamente as margens dos negócios no Brasil e nos EUA, prática que é alvo de frequente questionamento. Em relatório divulgado ontem, o BTG Pactual criticou a falta de detalhes, qualificando o balanço da empresa como "bagunçado".

Notícia na ítnegra

Fonte: Valor Econômico

8. Prejuízo da BRF quadruplicou em 2018

A BRF chegou ao fundo do poço em 2018, mas os primeiros sinais de recuperação começam a aparecer. Essa foi a indicação dos principais executivos da companhia, que divulgou seu balanço anual ontem. A interpretação de analistas e investidores, porém, não foi a mesma. No mercado, ainda há muitas dúvidas sobre a capacidade de recuperação da rentabilidade da dona de Sadia e Perdigão, o que continua pressionando as ações.

Ontem, em um pregão negativo na bolsa por causa de preocupações com a reforma da Previdência e aversão a risco dos investidores estrangeiros, os papéis da BRF caíram 4,8%.

Em teleconferência, o presidente do conselho de administração e CEO global da BRF, Pedro Parente, reconheceu que os prejuízos líquidos do quarto trimestre e do acumulado de 2018 foram "expressivos", embora ele enxergue sinais de retomada.

Conforme balanço divulgado na manhã de ontem, a BRF teve o maior prejuízo de sua história. Com uma baixa contábil de aproximadamente R$ 2,5 bilhões em razão da venda de ativos na Argentina, Europa e Tailândia, a BRF amargou um prejuízo líquido de R$ 2,1 bilhões no quarto trimestre, quase o triplo da perda de R$ 784 milhões registrada no mesmo período de 2017.

No acumulado de 2018, o prejuízo alcançou o recorde de R$ 4,4 bilhões, 306,4% mais do que o total de R$ 1,1 bilhão reportado no ano anterior. Além da baixa contábil feita no quarto trimestre para reconhecer o impacto negativo (sem efeito caixa) da venda dos ativos por valores mais baixos do que aqueles pagos pela BRF quando comprou os ativos, o resultado anual foi afetado por um impacto de cerca de R$ 1 bilhão em despesas com a greve dos caminhoneiros e com a Operação Trapaça, investigação da Polícia Federal que apura fraudes que teriam sido cometidas por ex-funcionários da empresa.

"O ano de 2018 foi o mais desafiador da história de dez anos da BRF e testou nossa capacidade de reação e de respostas", afirmaram, na mensagem que acompanha o balanço, Parente e o vice-presidente-executivo, Lorival Luz.

Na mensagem, os executivos lembraram das restrições internacionais à empresa - a União Europeia proibiu a BRF de exportar ao bloco após a Operação Trapaça - e problemas de governança. No ano passado, os fundos de pensão Petros e Previ, os dois maiores acionistas da BRF, lideraram um movimento para destituir o empresário Abilio Diniz da presidência do conselho de administração. Abilio foi substituído por Parente em abril.

"Os problemas em nossa governança, a extensa desestruturação de equipes, sistemas e processos e uma segunda fase de operações de investigações policiais foram outros elementos a compor este cenário de desafios", acrescentaram os executivos.

Na teleconferência, Luz enfatizou que o quadro de oferta e demanda para o mercado brasileiro de carne de frango e suína aponta para melhora de margens da companhia.

Diferentemente do ano passado, em que a companhia sofreu com a sobreoferta de frango e suínos no Brasil, em 2019 a produção está ajustada, o que permite a recuperação dos preços, indicou o executivo. Além disso, as cotações dos grãos que compõem a ração de aves e suínos (basicamente, farelo de soja e milho) apresentam tendência de "estabilidade". Em 2018, esses custos prejudicaram os resultados.

Apesar disso, o resultado operacional do quarto trimestre, um período sazonalmente mais forte devido às festas de fim de ano, desapontou. Em relatório, o BTG considerou "fraco" o resultado da companhia e recomendou cautela aos investidores. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de somente R$ 708 milhões no quarto trimestre, ficou 11% abaixo da estimativa do banco. No balanço, a BRF reportou Ebitda ajustado maior, de R$ 841 milhões. O número, no entanto, inclui um ganho de R$ 133 milhões referente a um crédito tributário.

Desconsiderando o crédito, a margem Ebitda ajustada da BRF foi de 7,4% no quarto trimestre - ante 7,2% um ano antes. Nesse ritmo de recuperação, os investidores estão céticos com a possibilidade de um resultado em 2019 capaz de reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) de 5,12 vezes para 3,65 vezes até o fim do ano.

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Fonte: Valor Econômico

9. China simplifica processo de importação de carnes brasileiras

A autoridade sanitária chinesa aprovou um novo formato de credenciamento de veterinários oficiais aptos a assinar Certificados Sanitários Internacionais (CSI) para aquele país, informou o Ministério da Agricultura. As regras valem para carnes bovina, suína e de aves.

De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais da Pasta, a medida reduz a chance de retenções de carregamentos brasileiros em portos chineses em função de divergências entre as assinaturas constantes na lista e nos CSIs emitidos pelo ministério.

O novo formato prevê a criação de uma lista única de veterinários habilitados para emissão de certificados sanitários internacionais em qualquer estabelecimento habilitado pela China.

Até então, cada auditor fiscal federal agropecuário poderia assinar certificados apenas por um estabelecimento específico.

Em 2018, o Brasil exportou US$ 2,5 bilhões em carnes para a China. O país asiático respondeu por 17,6% do total das exportações do produto.

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Fonte: Valor Econômico

Agroenergia

10. ANP aprova realização de consulta sobre metas individuais do RenovaBio

A diretoria colegiada da Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizou nesta quinta-feira a realização de consulta pública, pelo prazo de 30 dias, e posterior audiência pública sobre uma proposta de metas individuais anuais de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa para todas as distribuidoras de combustíveis, no âmbito do RenovaBio.

De acordo com a regulamentação da política, as metas serão atribuídas às distribuidoras de forma proporcional à participação de cada uma no mercado de distribuição de combustíveis fósseis do ano anterior, através da multiplicação da participação de mercado pela meta anual nacional estabelecida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

As metas individuais serão estabelecidas em Créditos de Descarbonização (Cbio). Cada CBio equivalerá a uma tonelada de gás carbônico de emissão evitada. As distribuidoras terão que comprovar o atendimento das metas todo ano através da compra de CBios.

Na reunião, Aurélio Amaral, diretor da ANP, explicou que, em caso de descumprimento, as distribuidoras estarão sujeitas a multa (de R$ 100 mil a R$ 50 milhões) de forma proporcional ao descumprimento da quantidade de CBio que deixou de ser comprovada, além de estarem sujeitas a outras sanções administrativas previstas na lei de penalidades (9.9847/99), como suspensão total ou parcial da empresa ou até a revogação da permissão para o exercício da atividade.

O objetivo ao vincular as duas formas de penalidade, é, segundo Amaral, “inibir que o distribuidor, notadamente de grande porte, opte por pagar a multa pecuniária ao invés de cumprir sua meta compulsória na aquisição de CBios”.

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Fonte: Valor Econômico

11. JBS Biodiesel contrata certificadora para participar do RenovaBio

A JBS Biodiesel fechou um contrato com a empresa Green Domus, que certificará sua produção e atribuirá uma nota de eficiência energética que permitirá à companhia participar do RenovaBio e obter receita extra com a venda de créditos de descarbonização (CBio).

Ao Valor, a JBS disse em nota que “tem total interesse na obtenção dessa certificação, que comprovará a produção eficiente e limpa de combustível renovável da unidade de negócio”. O biodiesel produzido pela JBS é feito majoritariamente de resíduos da cadeia de proteína animal e, em menor parte, de óleo de fritura usado.

No ano passado, a JBS Biodiesel vendeu 260 milhões de litros do biocombustível, um crescimento de 25% ante o ano anterior. Do total, cerca de 12,5% da matéria-prima foi óleo de fritura. Foram utilizados cerca de 3,5 milhões de litros de óleo de cozinha usado, o dobro do volume do ano anterior.

A nota de eficiência, atribuída pelas certificadoras, corresponderá à quantidade de CBios que a empresa produtora de biocombustível poderá vender às distribuidoras para que elas possam cumprir com suas metas de descarbonização. Na prática, a venda de CBios representará aos produtores uma renda complementar.

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Fonte: Valor Econômico

12. Ex-funcionários exigem venda da Usina Guaxuma

Advogados dos credores trabalhistas da massa falida da Laginha devem encaminhar hoje, 1º de março, ao Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), uma liminar pedindo para que o leilão da Usina Guaxuma seja realizado.

A venda do patrimônio do usineiro falido João Lyra foi suspensa na semana passada. Em vez de leilão, a administração judicial está analisando proposta de arrendamento, um pedido feito por Lyra e acatado pela Justiça alagoana.

Os bens seriam vendidos pelo site Canal Judicial com lance a partir dos R$ 401,3 milhões. Até a suspensão do leilão, na quinta-feira, 21, nenhum lance foi registrado. No entanto, a Usina Coruripe Açúcar e Álcool, Usina Caeté e Cooperativa de Colonização Agropecuária e Industrial Pindorama se mostraram interessadas nas terras do ex-deputado federal.

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Fonte: Jornal Extra (AL)/Novacana

Grãos e Grandes Culturas

13. Subsídios chineses são condenados pela OMC

A Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu que a China forneceu subsídios para produtores de trigo e arroz que superaram os limites autorizados de 8,5% do valor da produção agrícola total, numa vitória importante para o governo de Donald Trump.

O Brasil foi terceira parte no contencioso entre americanos e chineses. O caso envolve práticas que levaram o Brasil a denunciar a Índia nesta semana na OMC em decorrência do apoio de Nova Déli ao segmento de açúcar. Quando os Estados Unidos denunciaram a China na OMC, alegaram que os subsídios agrícolas ilegais concedidos por Pequim superavam US$ 100 bilhões.

A estimativa é que a China deu subsídios entre 13% e 30% além do limite autorizado, distorcendo o comércio de trigo e arroz. Os juízes não decidiram sobre os subsídios chineses aos produtores de milho, porque Pequim já removeu a ajuda.

Os subsídios condenados foram fornecidos entre 2012 e 2015. Os chineses dizem que retiraram as subvenções desde então. A conclusão dos juízes da OMC diz apenas que Pequim deve colocar seus programas em conformidade com as regras internacionais, sem dar prazo para que isso ocorra.

A vitória americana acontece em meio à continuidade das negociações entre EUA e China em busca de uma nova trégua na guerra comercial deflagrada por Donald Trump. Uma das concessões dos chineses será comprar algumas dezenas de bilhões de dólares a mais de produtos agrícolas americanos.

Os EUA têm reclamado que o caso dos subsídios agrícolas ilegais é apenas um exemplo da ajuda governamental chinesa a seus produtores que viola as regras da OMC.

Nesta semana, no Comitê de Agricultura da OMC, a China enfrentou um número considerável de questionamentos por parte de parceiros, incluindo o Brasil, justamente por causa de subsídios agrícolas.

Vários países pediram mais detalhes sobre os programas de ajuda e manifestaram particular preocupação em relação ao grande aumento do montante de subsídios do país. Também houve questionamentos sobre os planos da futura reforma agrícola chinesa.

O Brasil acionou no ano passado o mecanismo de disputa da OMC contra a China por causa da imposição de salvaguarda à entrada do açucar brasileiro no mercado chinês. Para impor a barreira e proteger a produção local, a imposição da salvaguarda foi baseada em informações equivocadas e visivelmente teve como objetivo tirar o Brasil do mercado, de acordo com fontes que acompanham o tema.

O Brasil ainda não pediu formalmente a instalação de um painel (comitê de investigação) contra os chineses. Continua à espera de uma proposta chinesa que poderia evitar a continuação de um demorado conflito na OMC.

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Fonte: Valor Econômico

14. Mercado de soja espera trégua que pode ter ficado mais distante

Sustentadas pela expectativa de um armistício entre Washington e Pequim que pode ter ficado mais distante depois da decisão de ontem da OMC (ver Subsídios chineses são condenados pela OMC), as cotações da soja fecharam fevereiro em patamar levemente superior ao de janeiro na bolsa de Chicago.

Segundo cálculos do Valor Data baseados nos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez), a média de fevereiro foi 0,3% maior que a de janeiro, mas ainda 9,5% inferior que a de fevereiro de 2018.

Em razão da taxa de 25% imposta pela China, as importações do país de soja americana caíram em 2018 e continuam bem abaixo do normal, apesar de novas compras continuarem a ser anunciadas

Segundo o serviço aduaneiro chinês, em janeiro as importações provenientes da terra de Donald Trump totalizaram 7,4 milhões de toneladas, 13% menos que no mesmo mês do ano passado. Dos EUA, foram pífias 138,8 mil toneladas, ante 5,8 milhões em janeiro de 2018, conforme dados compilados pela Reuters.

É esperado um aquecimento nesse comércio, já que na semana passada os chineses se comprometeram a importar 10 milhões de toneladas do grão dos EUA "em breve". Mas, enquanto isso, os produtores do Brasil querem mais é ver o circo sino-americano pegar fogo.

De acordo com as contas da agência Reuters, as importações chinesas de soja brasileira chegaram a quase 5 milhões de toneladas em janeiro, ante pouco mais de 2 milhões no mesmo mês de 2018.

No caso de um acordo concreto entre as potências em pé de guerra, a tendência é que as cotações subam um pouco em Chicago e que os prêmios atualmente pagos pelos chineses pelo grão brasileiro sofram alguma desidratação. Brasil e EUA, nessa ordem, lideram as exportações globais de soja em grão, enquanto a China encabeça com folga as importações.

Também suscetível à disputa comercial entre os pitbulls, ainda que menos que a soja, o milho, como a co-irmã, registrou variação igualmente pequena em fevereiro.

De acordo com o Valor Data, em Chicago os contratos de segunda posição de entrega do cereal fecharam o mês com uma média 1,2% mais baixa que a de janeiro, mas 2,3% superior que a de janeiro do ano passado.

No tabuleiro do cereal, atua como fator de sustentação o fato de a China ter vendido 100 milhões de toneladas de seus estoques entre janeiro e outubro - um recorde, segundo cálculos do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Mas há nuvens no horizonte, uma vez que a safrinha brasileira tende a ser robusta nesta temporada 2018/19 e a área plantada nos EUA deverá aumentar em 2019/20, pelo menos 3% - em detrimento da soja, a não ser que China e EUA façam as pazes.

Americanos e brasileiros são as locomotivas das exportações mundiais de milho. A China ainda não é grande importadora, mas já que esvaziou estoques, poderá ampliar as compras.

Entre as commodities agrícolas negociadas na bolsa de Nova York que têm o Brasil como grande exportador, fevereiro foi de variações menos modestas, que vitimaram sobretudo o café.

O valor médio dos contratos da commodity recuou 3,5% na comparação com o resultado de janeiro e ficou 16,2% abaixo do resultado de fevereiro do ano passado. Trata-se da menor média mensal desde julho de 2006, basicamente em virtude de uma confortável relação global entre oferta e demanda.

Em relação a janeiro, também caíram em Nova York em fevereiro algodão (2,1%) e suco de laranja (1,6%). O açúcar subiu 0,5%.

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Fonte: Valor Econômico

15. Área plantada de soja cresce 3% no Brasil

O clima irregular observado entre o fim do ano passado e o início de 2019 trouxe impactos para as safras de milho e soja no Brasil na temporada 2018/19. Diante disso, a expectativa de uma safra maior pode não ser alcançada. As tendências e projeções para o mercado de grãos em 2019 foram apresentadas durante o 8º Crop Call Grãos realizado nesta terça-feira, 26, pela DATAGRO Consultoria.

De acordo com o especialista de grãos da DATAGRO, Flávio Roberto de França Junior, um dos principais destaques para o mercado é a redução de 8% da produção de soja no veranico entre janeiro e dezembro, devido à seca observada no país. As principais áreas afetadas foram em Goiás, representando uma perda de 18% do grão, Piauí e Paraná com 15% de queda na produção.

Os números da oleaginosa para esta temporada foram revisados abaixo de 125 milhões de toneladas do potencial inicial, para 112 milhões de toneladas agora em fevereiro de 2019. Já a área de plantio ficou em 36,157 milhões de hectares, um crescimento de 3% maior ante os 35,241 milhões de hectares registrados em 2017/18.

Para o milho, a perspectiva se mostra positiva no comparativo com a safra passada, mas também com reduções sobre a estimativa anterior. Em 2018/19, a produção total deverá chegar a 93,514 milhões de toneladas, uma alta de 15% sobre o ciclo anterior (81,537 mi de tons). A área de plantio será 2% maior, com 17,216 milhões de hectares, ante 16,824 milhões registrados em 2017/18.

Ainda segundo o especialista, as tendências para o mercado interno de grãos em 2019 mostram preços mais baixos no comparativo com 2018, apesar da redução na produção de soja. Já no milho a área e a produção estão crescendo no Brasil.

Em relação à taxa de câmbio, o momento é de instabilidade devido às tensões comerciais e geopolíticas, mas ainda com um viés de baixa, com a expectativa de que o governo avance com a questão das reformas, especialmente a da previdência.

França Jr destaca informações favoráveis para a renda dos produtores, como produtores capitalizados, preços na CBOT acima de 2018, vendas antecipadas remuneradoras e prêmios positivos dependendo da solução para a guerra comercial EUA x China, mas provavelmente menores que 2018, tanto para a soja, quanto para o milho.

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Fonte: Datagro/Udop

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