Conjuntura do Agronegócio

1. Uma política agrícola na encruzilhada

Ainda que o cenário de longo prazo continue favorável para o avanço das principais cadeias produtivas do agronegócio do país, multiplicam-se os obstáculos e desafios domésticos e externos para que o Brasil confirme as expectativas e de fato se consolide como o grande fornecedor confiável de alimentos de qualidade que o setor aposta e o mundo espera.

De uma maneira geral, o recém-concluído "Outlook Fiesp - Projeções para o Agronegócio Brasileiro 2028" corrobora essa visão e chama a atenção para variáveis que, nas edições anteriores, ou não existiam ou eram secundárias. Em 2017, por exemplo, não havia disputas comerciais entre grandes potências a interferir tanto nas exportações setoriais como hoje, da mesma forma que as contas públicas em Estados "agrícolas" como Mato Grosso e Goiás, por exemplo, ainda não haviam chegado ao ponto crítico em que estão atualmente.

Por esses e outros motivos relacionados a uma mudança de postura do novo governo em relação a temas como relações externas, tributação e concessão de crédito, destacam os autores do estudo, paira sobre o agronegócio brasileiro uma nuvem antes inexistente, capaz de provocar estragos estruturais difíceis de serem contornados: o risco de que a política agrícola que vigora desde a década de 1990 e que impulsionou o avanço do setor nas últimas duas décadas vire pó antes que as cadeias produtivas consigam se adaptar às alternativas ainda em discussão.

A política atual, explica Alexandre Mendonça de Barros, diretor da consultoria MB Agro, parceira da Fiesp no trabalho, parte de vantagens comparativas naturais e passa pela competência dos empresários rurais do país, mas é baseada em apoios igualmente fundamentais: baixo custo de capital, tributação favorável, desenvolvimento tecnológico e a busca de boas relações com países importadores que precisam de alimentos produzidos no Brasil.

"Não dá para virar a chave de uma vez", alerta Mendonça de Barros, lembrando das discussões em torno da redução dos subsídios ao crédito rural, de mudanças da Lei Kandir e do alinhamento do país a interesses de concorrentes no agronegócio como os Estados Unidos ou das ameaças de endurecimento em negociações com clientes como a China, que no período de 12 meses até janeiro foi o destino de 35% das exportações do agronegócio brasileiro, com compras de US$ 36 bilhões.

Enquanto as decisões que podem levar ao desmanche da política agrícola brasileira não saem, no front doméstico as atenções ficam mesmo concentradas na reforma da Previdência e os efeitos positivos que se espera com sua aprovação.

"O cenário no Brasil é benigno. Inflação e taxas de juros estão em baixos patamares, e as reservas internacionais estão elevadas. Mas temos problemas com as contas públicas e o desafio de aprovar a reforma da Previdência. Com a reforma, poderemos ter um ciclo de recuperação do crescimento do PIB", afirma Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para Mendonça de Barros, a reforma não deverá ser aprovada antes de junho, o que tende a manter o câmbio no atual patamar pelo menos até lá. Depois, diz Roberto Ignacio Betancourt, diretor do Deagro, poderá haver um fortalecimento do real capaz de afetar negativamente os preços em cadeias mais exportadoras (soja, milho, algodão, café) mas favorável a segmentos como carnes, por exemplo, justamente pela queda de custos.

Betancourt também atenta para a necessidade de se encaminhar com celeridade as discussões acerca de mudanças na cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e decidir o futuro da tabela de fretes rodoviários, que em diversos períodos do ano eleva os custos de transporte em relação ao que prega a lei da oferta e da demanda.

Deixar essas incertezas para trás abrirá espaço para que a política agrícola seja aprimorada com menos solavancos, diz Mendonça de Barros. E o ambiente "benigno", se duradouro, permitirá uma gradual redução da concessão de crédito subsidiado paralelamente ao fortalecimento do programa federal de subvenções aos prêmios do seguro rural, fundamental para diluir riscos e atrair seguradoras e resseguradoras privadas a esse mercado.

Pavimentados os caminhos domésticos para acelerar o desenvolvimento das cadeias produtivas, restarão as dúvidas externas. E não só em relação às disputas comerciais, mas também à política econômica americana e ao próprio ritmo de crescimento econômico global, que deverá passar por desaceleração. Mas, ao fim e ao cabo, as pessoas precisam se alimentar, e essa realidade inexorável tende a manter o agronegócio brasileiro nos cascos nos próximos anos, com crescimentos significativos.

Notícia na íntegra

Fonte: Valor Econômico

2. China: negociação com EUA está ‘muito difícil’, mas houve ‘avanços’

O ministro do Comércio da China, Zhong Shan, pediu que Washington trabalhe junto com Pequim na conclusão dos esforços para chegar a um acordo comercial.

Falando à margem da reunião de abertura do ano legislativo chinês nesta terça-feira, Zhong disse que rodadas de negociações comerciais com os Estados Unidos resultaram em "avanços" em alguns setores, mas que muitas questões permanecem.

O progresso alcançado por meio de negociações de alto nível tem sido "muito difícil" de ser alcançado devido a diferenças significativas nas economias e outros aspectos dos dois países, disse o funcionário.

A China e os Estados Unidos estão na fase final de concluir um acordo comercial, com Pequim oferecendo tarifas mais baixas e menos restrições à agricultura, produtos químicos, automóveis e outros produtos americanos, enquanto Washington considera removeria a maioria dos impostos punitivos contra os produtos chineses impostos no ano passado, segundo informações do “The Wall Street Journal” publicadas no último domingo.

Também nesta terça-feira, Guo Shuqing, líder do principal regulador financeiro da China, disse acreditar que a China e os Estados Unidos podem chegar a um consenso nas negociações comerciais e prometeu continuar abrindo o setor financeiro do país para investidores estrangeiros.

As afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre Pequim manipular a taxa de câmbio para dar uma vantagem aos exportadores chineses não são verdadeiras, disse Guo, chefe da Comissão Reguladora de Bancos e Seguros da China, repetindo uma posição oficial de longa data.

Guo se juntou a outros altos funcionários para pedir aos bancos e às seguradoras que forneçam mais apoio de crédito para empresas menores, chamando as dificuldades de financiamento das pequenas empresas de "um problema enfrentado por todo o mundo".

Para estimular o crescimento econômico e estabilizar o emprego, o governo pediu aos maiores bancos estatais que emprestem mais para as pequenas empresas. As autoridades querem que esses empréstimos subam 30% em 2019 em relação ao ano anterior.

Notícia na íntegra

Fonte: Valor Econômico

3. Reunião em Tóquio visa antecipar Encontro de Ministros da Agricultura do G20

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Orlando Leite Ribeiro, participa até o dia 11, em Tóquio, no Japão, do Encontro dos vice-ministros da Agricultura do G20. Na programação, ele terá reuniões bilaterais com autoridade locais. No encontro, será discutida minuta da declaração a ser assinada pela ministra Tereza Cristina, durante a reunião ministerial, que acontecerá nos dias 11 e 12 de maio na cidade japonesa de Niigata. O Encontro dos Ministros da Agricultura terá como tema principal “Rumo a um setor agroalimentar sustentável - questões emergentes e boas práticas" (Towards Sustainable AgroFood Sector - Emerging Issues and Global Practices).

O secretário leva na bagagem a promoção do modelo da agricultura brasileira pautado no tripé da segurança alimentar, sustentabilidade e responsabilidade social. A questão da preservação ambiental também será apresentada, incluindo a reserva legal de biomas dentro de propriedades rurais que é de, no mínimo, 20% chegando até 80%, e preservação de margens de rios.

Orlando Leite vai defender a posição de protagonismo e liderança da agricultura brasileira para os membros do fórum internacional, muitos deles, grandes potências agrícolas.

O G20 é um foro para cooperação internacional em temas econômicos e financeiros, congregando países desenvolvidos e em desenvolvimento com projeção na economia mundial. Além do Brasil, o G20 tem os seguintes integrantes: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Canadá, China, República da Coreia, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e União Europeia. Os países que integram o G20 representam 90% do PIB mundial, 80% do comércio internacional, dois terços da população mundial, sendo responsáveis por 84% da emissão de gases de efeito estufa.

Notícia na íntegra

Fonte: MAPA/Agrolink

Insumos

4. Setor privado se articula por manutenção de crédito rural subsidiado

Preocupados com possíveis cortes nas linhas de crédito rural do próximo Plano Safra, que entrará em vigor em julho, representantes do produtores rurais e cooperativas deflagraram um movimento para convencer a equipe econômica a pelo menos manter o nível de subsídios oferecido na atual safra (2018/19).

Nesta temporada, que se encerra em junho, os gastos com equalização das taxas de juros do crédito rural previstos pelo Tesouro Nacional são de R$ 4,4 bilhões para a agricultura familiar (Pronaf) e de R$ 5,6 bilhões para a agricultura empresarial, que abrange grandes e médios produtores rurais.

Até agora, a sinalização dada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, é que o próximo Plano Safra deverá contar com R$ 200 bilhões em crédito, volume 5% maior que o disponível na atual safra. A expectativa é que os recursos para os pequenos e médios produtores sejam preservados.

Por outro lado, é provável que a proporção de recursos a juros livres seja maior do que na safra 2018/19, dizem fontes que acompanham as negociações, ponderando que as discussões entre os ministérios da Agricultura e da Economia ainda estão no início. No atual Plano Safra, R$ 37,4 bilhões em crédito a juros livres foram destinados à agricultura empresarial, o que representa 19,5% da oferta total de R$ 191 bilhões.

Nesse cenário, a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) se antecipou à discussão e entregou ao Ministério da Agricultura um conjunto de propostas para recuperar recursos de crédito rural a juros controlados retirados pelo Banco Central já nesta safra. O documento, entregue por dirigentes de cerca de 20 cooperativas agrícolas, sustenta que medidas regulatórias adotadas pelo governo durante o andamento desta safra retiraram R$ 54,2 bilhões do sistema de crédito agrícola do país.

“Temos que fazer um esforço hercúleo para manter os recursos do crédito rural até que haja a migração para outro modelo”, disse ao Valor o presidente da OCB, Márcio Freitas. “Hoje a maior preocupação do produtor é o custo de produção e o principal componente são os juros”, acrescentou.

Assim como a OCB, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também está se movimentando. Neste mês, ocorre a tradicional caravana da entidade pelas cinco regiões do país, onde são colhidas as propostas de produtores para o Plano Safra. O superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, afirmou que a entidade defende melhorias no sistema de crédito rural. Ele advertiu, no entanto, que as mudanças deveriam ser feitas gradualmente.

“Lógico que sabemos que o cobertor é curto, mas nesse momento de mudança de governo não é possível ter inovações tão grandes. Então, vamos continuar defendendo pelo menos o mesmo volume de recursos e taxas de juros mais baixas”, disse Lucchi.

Ao Valor, Bartolomeu Braz, presidente da Aprosoja Brasil, entidade que representa os sojicultores do país, criticou o spread (diferença entre o custo de captação do banco e a taxa cobrada dos clientes) nos empréstimos aos agricultores. “Precisamos de juros mais baixos. Na prática, não existe subsídio para o crédito porque vai totalmente para os bancos e não chega aos produtores. O spread bancário no crédito rural é muito alto no Brasil”, afirmou o dirigente.

A reação das entidades não se restringe ao grande agronegócio, que já enfrenta dificuldades de acessar financiamentos a juros controlados no atual ciclo. A Confederação Nacional dos Agricultores e Agriculturas Familiares (Contag) também pediu ao Ministério da Agricultura para que o volume de recursos do Pronaf — linhas de crédito voltadas a agricultura familiar — seja ampliado para R$ 35 bilhões em 2019/20. Na atual temporada (2018/19) foram disponibilizados R$ 31 bilhões para o Pronaf.

Para o consultor em crédito rural João Guadagnin, que participou por anos da formulação do Pronaf no governo, as possibilidades de acesso a recursos controlados para operações de custeio pelos grandes produtores serão cada vez menores. Nesse contexto, a maior incidência de juros livres no financiamento agrícola é inevitável, disse.

Notícia na íntegra

Fonte: Valor Econômico

5. Bloqueio da BR-163 impede escoamento de grãos pelo porto de Barcarena

Em seis dias de bloqueio da rodovia BR-163, que liga o norte de Mato Grosso aos portos do Pará, o equivalente a R$ 242 milhões de soja e milho deixou de ser exportado pelo porto de Barcarena (PA). Essa é a estimativa do economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral. O cálculo leva em consideração que no pico da safra, como agora, 35 mil toneladas de grãos são embarcados por lá todos os dias. Em seis dias, seriam 210 mil toneladas.

O fato é que a rodovia — que sofre anualmente com intensos buracos após as chuvas de verão — está intrafegável no trecho entre Novo Progresso e Moraes Almeida, no sudoeste do Pará. Com isso, os caminhões carregados não conseguem chegar a Miritituba (PA) e pegar barcaças rumo ao porto de Barcarena. Nesses seis dias, calcula-se que 3 mil caminhões ficaram parados e agora estão tentando voltar a Mato Grosso para fazerem outra rota de escoamento.

Mas nem todo o embarque que deixa de ser feito por Barcarena se transforma em prejuízo para as tradings. “Elas mudam as rotas para exportação e postergam os negócios, o que é muito oneroso também”, diz Amaral. Segundo ele, o prejuízo total é difícil de calcular porque depende da empresa e da decisão logística tomada. A média de custo para desviar uma carga de Miritituba a algum porto do Sudeste (Paranaguá-PR ou Santos-SP) varia entre R$ 35 e R$ 40 a tonelada. “Mas as empresas podem decidir por mandar para Porto Velho (RO) ou São Luís (MA) a um custo menor”, afirmou.

Nesse processo, as tradings também podem arcar com as multas de demurrage — a diária paga aos armadores pelo período em que o navio fica parado no porto. A média internacional indica um custo entre US$ 20 mil a US$ 25 mil por dia. Até agora, as tradings ainda não tiveram de bancar essas multas. Se a rodovia continuar paralisada, porém, isso pode ocorrer.

Com um percurso de 707,4 mil quilômetros, a BR-163 tem um trecho de “apenas” 49 quilômetros sem asfalto. É justamente a área que ficou intrafegável. A promessa do governo é que o percurso será pavimentado até o fim deste ano.

Para impedir que mais caminhões avancem rumo ao Pará, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) bloqueou, no último domingo, a estrada em Guarantã do Norte (MT). Inicialmente, esse trecho seria liberado na segunda-feira, mas o bloqueio foi estendido até sexta.

Relatos dos caminhoneiros indicam que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) não está liberando nenhum tipo de veículo, inclusive os com produtos perecíveis. “Saí com a carga [de verdura] de São Paulo quinta-feira, antes de bloquearem a estrada. Mandaram voltar. O guarda nem me deixou falar e vai tudo para o lixo”, disse um caminhoneiro, em áudio divulgado pelo presidente da associação que representa os produtores de soja do Pará, Vanderlei Ataídes.

Procurada pela reportagem, a PRF informou que “não há qualquer registro de impedimento de passagem de caminhões por conta de policiais rodoviários federais. As questões que dificultam são estruturais e climáticas”.

Notícia na íntegra

Fonte: Valor Econômico

6. 'O seguro é vital para a agricultura'

Um dos maiores especialistas em agronegócios do país, com trânsito livre nos principais fóruns do setor no mundo, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues acompanha com atenção os movimentos que redefinirão as relações entre os setores público e privado no campo. E, como não poderia deixar de ser, continua a ter voz ativa nas discussões.

Coordenador do Centro do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV), Rodrigues está convencido de que é hora de reduzir os subsídios ao crédito rural concedido a grandes produtores para preservar recursos para pequenos e médios, como defende o governo Bolsonaro. Mas entende que, para que o crédito seja acessível sem taxas de juros equalizadas pelo Tesouro, é preciso turbinar o programa federal de subvenção aos prêmios do seguro rural, que atualmente conta com pouco mais de R$ 400 milhões e cobre parcela inferior a 5% da produção agrícola.

"O seguro é a ferramenta contemporânea mais importante para a agricultura. Temos que ter um seguro forte, com um fundo de catástrofe robusto", diz. Para Rodrigues, esse fundo, já previsto em lei, tem de ser alimentado por recursos do governo e do setor privado para ganhar envergadura e tornar o ambiente mais palatável para as seguradoras, uma vez que é a ele que essas empresas recorrerão em casos de grandes quebras climáticas.

"É preciso haver uma transição para que os subsídios sejam reduzidos e o seguro, fortalecido. Mas essa transição tem que ser rápida, de três ou quatro anos, e deve vir acompanhada pelo estabelecimento de uma política de preços de garantia mais eficiente que a atual de preços mínimos", afirma Rodrigues. Segundo ele, para que o seguro de fato ganhe relevância seria necessário um orçamento de até R$ 6 bilhões para as subvenções por safra.

O ex-ministro concorda que as negociações sobre tributação em curso em Brasília e em Estados com as contas quebradas precisam levar em conta a importância do setor rural para o desenvolvimento das economias regionais - "veja o que as tarifas sobre exportações agropecuárias provocaram na Argentina" - e, além disso, pede cuidado nas revisões em torno da Previdência no campo. E, como vem fazendo nos últimos anos, atenta para a necessidade de o Brasil retomar seu espaço nas pesquisas agrícolas, com a Embrapa, que atualmente encara falta de recursos, à frente.

"Depois de tantas vitórias - o nelore, a braquiária, a soja no Cerrado, entre outras -, estamos perdendo a capacidade estatal nas pesquisas. E temos que ficar atentos a esse movimento, porque a tecnologia pode ser um fator de concentração da riqueza". Nesse processo, afirma Rodrigues, o Censo Agropecuário pode servir para direcionar pesquisas e projetos, e a Embrapa deveria se aliar a produtores e cooperativas para preservar e desenvolver a "ciência tropical brasileira" e garantir sua sustentabilidade.

As questões internacionais também continuam no foco de Rodrigues, que na semana que vem discorrerá sobre um cenário global marcado por intrincadas disputas comerciais em evento promovido pela FGV em São Paulo. Nesse contexto, Rodrigues reforça que o Brasil é essencial para o mundo e que as políticas que estão sendo determinadas hoje poderão acelerar ou frear a tendência de crescimento da influência do país como fornecedor de alimentos e promotor, nesse contexto, de democracia e, em última instância, paz.

Notícia na íntegra

Fonte: Valor Econômico

Proteína Animal

7. BRF perde mais de R$ 200 milhões em derivativo de ações

A aposta financeira da BRF na alta das próprias ações se voltou contra a companhia. No mês passado, a empresa finalizou a liquidação de instrumentos derivativos firmados em 2017 junto ao Bradesco para imitar uma recompra de ações. O saldo foi negativo e consumiu mais de R$ 200 milhões do caixa da BRF em um momento delicado, no qual a companhia trabalhava para vender ativos para diminuir as dívidas. A BRF começou a encerrar esses contratos derivativos a partir de junho de 2018.

Essa é a segunda vez que a companhia teve perda com o investimento em suas próprias ações. Antes dos derivativos, a BRF perdeu dinheiro com um programa de recompra. Somados, esses dois movimentos levaram a companhia a ter prejuízo superior a R$ 340 milhões em menos de dois anos.

O contrato com o Bradesco, assinado durante a gestão do ex-CEO Pedro Faria, foi a alternativa encontrada pela BRF para lidar com os impactos negativos da Operação Carne Fraca. A companhia precisou vender ações mantidas em tesouraria de um programa de recompra aberto anos antes para reforçar o caixa. Apesar de ter de se desfazer dos papéis, a empresa queria manter a aposta na valorização do negócio e firmou um instrumento conhecido pelo termo em inglês “total return swap” — bastante usado por empresas abertas.

Pressionado pelo conselho de administração para reduzir a alavancagem, Faria teve de vender em 2017 os papéis no mercado com prejuízo. Ações compradas anos antes por um preço médio de R$ 53,60 foram alienadas em bolsa por uma cotação média de R$ 42,02. Na prática, a BRF amargou um prejuízo de R$ 140,5 milhões, mas com isso conseguiu liberar R$ 509,8 milhões para o caixa. Foi esse o valor usado de referência para o derivativo com o Bradesco.

À época, os executivos da BRF julgavam que, em razão de problemas não recorrentes — a Carne Fraca era o principal —, as ações estavam abaixo do valor justo. Imaginava-se que, com a gradual recuperação operacional, os papéis negociados na B3 reagiriam. A operação foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração.

Foi nesse cenário que a BRF contratou o derivativo de ações — um jeito de apostar na alta dos papéis sem usar dinheiro e, com isso, não paralisar parte do caixa. Pelos termos do derivativo, a BRF pagaria 110% do CDI para o Bradesco, calculados a partir do valor do contrato de R$ 510 milhões. Em troca, receberia a diferença positiva da variação do preço de sua ação. Se os papéis tivessem se recuperado e voltado à casa dos R$ 50, a companhia teria alcançado o objetivo.

Mas o inverso ocorreu. As ações da BRF caíram ainda mais, pressionadas por novas etapas da Operação Carne Fraca e embargos comerciais como o europeu. Atualmente, as ações da dona de Sadia e Perdigão são negociadas perto dos R$ 20,00.

Com isso, a BRF teve de pagar ao Bradesco 110% do CDI e também a variação negativa de suas ações. Em 16 de agosto de 2017, quando o instrumento derivativo foi assinado, as ações da BRF valiam R$ 41,49. Em 5 de fevereiro, data da liquidação final dos contratos — não havia possibilidade de renovação —, valiam R$ 25,24. A diferença supera R$ 200 milhões. É o dobro do que a BRF conseguiu com a venda da fábrica de hambúrguer de Várzea Grande (MT) à Marfrig, em janeiro.

Dois terços dos desembolsos referentes ao prejuízo com os derivativos foram feitos no segundo semestre de 2018, quando a BRF começou a desmontar a posição. De 30 de junho a 31 de setembro, a posição foi reduzida de R$ 510 milhões para R$ 170 milhões. Portanto, a maior parte saiu do caixa no segundo semestre. De qualquer forma, ainda haverá algum efeito no caixa neste trimestre.

Recompras de ações e derivativos são comumente usados por companhias quando enfrentam alguma crise de imagem e querem transmitir ao mercado a ideia de que estão exagerando, para menos, na reação — ou seja, que as ações deveriam valer mais.

Entretanto, executivos que perdem recursos em excesso com essas estratégias começam a sofrer mais críticas e questionamento a respeito de seu dever de lealdade perante à companhia. O debate envolve a análise se os administradores — executivos e conselheiros — são acionistas diretamente e podem se beneficiar ou não com a recompra e se possuem remuneração com opções. O debate é novo e a atenção dos investidores com o tema está apenas começando.

Procurados pelo Valor, BRF e Pedro Faria não quiseram comentar.

Notícia na ítnegra

Fonte: Valor Econômico

8. Exportação de carne bovina em fevereiro foi recorde para o mês

As exportações de carne bovina e suína in natura aumentaram em fevereiro, tanto em relação a janeiro 2019 quanto ante fevereiro do ano passado. No caso da carne de frango, os embarques tiveram desempenho positivo apenas em relação a fevereiro de 2018. Em receita, no entanto, as três proteínas registraram alta. Em carne bovina in natura foram exportadas 115,5 mil toneladas, 17,37% mais ante as 98,4 mil toneladas de fevereiro do ano passado e avanço de 12,79% ante as 102,4 mil toneladas embarcadas em janeiro último.

Trata-se de um recorde para meses de fevereiro, superando o volume atingido em 2007, quando foram enviadas 115,4 mil toneladas da proteína ao exterior. Os dados foram divulgados nesta sexta pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia e consideram 20 dias úteis.

A receita dos embarques de carne bovina in natura somou US$ 433,3 milhões, 10% mais ante os US$ 393,6 milhões obtidos em fevereiro de 2018 e aumento de 12,86% em relação aos US$ 383,9 milhões de janeiro. O preço médio pago pela tonelada, por sua vez, caiu 6,18% ante fevereiro de 2018, para US$ 3.753,20, mas ficou praticamente estável na variação mensal, com leve alta de 0,12%.

Carne Suína

As vendas externas de carne suína in natura totalizaram 45,9 mil toneladas, 21,42% acima das 37,8 mil toneladas embarcadas em fevereiro de 2018 e 9,54% maiores ante as 41,9 mil toneladas de janeiro. A receita somou US$ 90,6 milhões, alta de 11,43% ante igual mês do ano passado, de US$ 81,3 milhões, e de 7,85% em relação aos US$ 84 milhões de janeiro.

Carne de Frango

Nos dois primeiros meses de 2018, as vendas de carne bovina totalizaram 217,90 mil toneladas, ante 197,8 mil toneladas em igual período do ano passado (+10,16%). Já o faturamento ficou em US$ 817,20 milhões este ano, valor 0,23% menor que os US$ 819,1 milhões obtidos entre janeiro e fevereiro de 2018.

Sobre as vendas externas de carne suína in natura, houve alta de 5,52% no volume acumulado até fevereiro, no comparativo anual, para de 83,2 mil toneladas para 87,80 mil toneladas. Em faturamento, houve recuo de 2,45%, de US$ 179 milhões para US$ 174,60 milhões.

Também no acumulado do ano, as exportações de frango in natura caíram 5,13% em receita, atingindo US$ 869,60 milhões ante US$ 916,7 milhões no primeiro bimestre de 2018. Em volume, a queda foi de 7,75%, ao passar de 596,8 mil toneladas para 550,50 mil toneladas.

Notícia na íntegra

Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

9. Leite: custo de produção subiu mais de 9% na comparação anual

Os custos de produção da pecuária leiteira tiveram novo aumento em fevereiro, na comparação mensal. Segundo o indicador calculado pela Scot Consultoria a alta foi de 0,8%. O volume divulgado pela consultoria é 9,4% maior quando comparado com o mesmo período do ano passado.

As altas dos preços dos alimentos energéticos, com destaque para o milho, dos suplementos minerais, dos produtos para sanidade e dos combustíveis/lubrificantes elevaram os custos de produção em fevereiro.

A revisão para baixo da estimativa de produção de milho de primeira safra e as incertezas com relação ao clima foram os fatores que pesaram sobre as cotações do cereal.

Importações no primeiro bimestre

O ano começou com as importações em alta, acompanhando o movimento observado no segundo semestre de 2018. Na comparação mensal as importações brasileiras de lácteos tiveram incremento 32,7% no volume em janeiro de 2019 em relação a dezembro de 2018, também segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Os gastos também cresceram, 36,9%, somando US$42,55 milhões. O principal produto comprado no período foi o leite em pó. O Brasil adquiriu, 9,1 mil toneladas, num total de US$24,57 milhões.

Os maiores fornecedores, em valor, foram a Argentina e o Uruguai, com 62,4% e 22,7%, respectivamente. Na comparação ano a ano, o volume de leite em pó cresceu 63,2% e os gastos foram 52,6% maiores.

A queda do dólar frente ao real e a valorização dos produtos lácteos e da matéria-prima, leite cru, no mercado brasileiro, colaboraram para o cenário. No parcial de fevereiro de 2019, até a quarta semana, a média diária foi de US$2,73 milhões em gastos com as importações de lácteos, aumento de 38,5% em relação a janeiro e 46,7% mais em relação a igual período do ano passado.

Com relação as exportações, em janeiro, os embarques brasileiros diminuíram na comparação mês a mês. O volume exportado reduziu 36,5% e o faturamento caiu 20,2% frente a dezembro último.

Na comparação com igual período de 2018, houve uma queda de 17,4% no volume embarcado. O faturamento caiu 15,9%. O principal produto exportado foi o leite em pó. A balança comercial brasileira de lácteos registrou déficit de US$38,08 milhões em janeiro de 2019.

Notícia na íntegra

Fonte: Canal Rural

Agroenergia

10. Produção de açúcar da Índia em 2018/19 atinge 24,77 milhões de t até fevereiro

A produção de açúcar na Índia na safra 2018/2019 atingiu 24,768 milhões de toneladas até 28 de fevereiro, segundo a Indian Sugar Mills Association (Isma), associação de usinas daquele país. O volume supera em 6,86% o total de 23,177 milhões de toneladas produzido em igual período de 2017/2018. A safra atual no começou em 1º de outubro e vai até 30 de setembro de 2019.

Segundo a Isma, 466 usinas processavam cana-de-açúcar no último dia do mês passado, nove a mais que as 457 unidades em produção em igual data de 2018 e 41 a menos que as 507 usinas em produção no final da primeira quinzena de fevereiro deste ano. Segundo a entidade, plantas industriais já começaram a encerrar a safra nos Estados de Maharashtra e Karnataka, respectivamente primeiro e terceiro maiores produtores do país.

Principal região, Maharashtra tinha 170 usinas em operação ao fim última quinzena de fevereiro – 23 já encerraram a safra – com um total 9,210 milhões de toneladas de açúcar de oferta em 2018/2019, ante 8,454 milhões de toneladas produzidas por 169 unidades que moíam em igual período do ano passado. Karnataka produziu 4,169 milhões de toneladas do adoçante até o último dia 28, ante 3,392 milhões de toneladas em igual data do ano passado.

Segundo a Isma, 32 usinas encerram a moagem em Karnataka e 35 estavam em processamento, em comparação com 38 em operação na mesma base de comparação anual.

Segundo maior produtor, o Estado de Uttar Pradesh produziu 7,320 milhões de toneladas de açúcar em cinco meses da safra, contra 7,361 milhões de toneladas em igual período da safra passada. Na atual safra, 117 usinas estão em operação, mesmo número que em igual período da safra passada.

Notícia na íntegra

Fonte: Agência Estado/NovaCana

11. Venda da Usina São Fernando poderá ser retomada neste ano

Após duas tentativas infrutíferas, o processo de venda da Usina São Fernando, em falência desde junho de 2017, poderá ser retomado a partir deste ano. De acordo com informações da Vinícius Coutinho Consultoria e Perícia (VCP), que administra a massa falida da unidade sucroalcooleira desde junho de 2017, a Justiça concluiu o julgamento de embargos que barravam a operação, a ser realizada por meio de contratação de uma empresa especializada. Com a autorização judicial, a consultoria poderá dar continuidade ao procedimento de venda.

Uma vez fechado o contrato, a empresa responsável pela venda da São Fernando fará levantamento da situação do patrimônio e também a atualização do valor de avaliação. Pelo último trabalho, realizado pela própria consultoria à época em que a Justiça decretou falência da Usina São Fernando, o montante estava em R$ 716.192.500,00. Ainda não há prazo estimado para a conclusão do processo de venda, já que a decisão judicial é muito recente, segundo a VCP.

“Atualmente, a Usina São Fernando está funcionando para manter as despesas, para o pagamento dos funcionários, que está em dia, e para evitar que o maquinário, equipamentos e demais bens sejam degradados”, informou a administradora judicial.

Ainda conforme a VCP, a venda dos bens e o pagamento dos credores da Usina São Fernando ainda não foi realizado porque a empresa não tem valor arrecadado e está com processo de venda suspenso. Dois editais chegaram a ser realizados entre 2017 e 2018 para proposta de compra do empreendimento, mas não houve resultados positivos.

No ano passado, a administradora judicial sugeriu a contratação de uma empresa especializada para cuidar do processo de venda da unidade e o pedido chegou a ser deferido pelo juiz, mas embargos apresentados à Justiça suspenderam o trâmite do processo, até o julgamento dos recursos, que ocorreu no início deste ano.

O maior credor da usina é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financiou o projeto. No primeiro leilão, em setembro de 2017, o valor mínimo fixado para a venda da usina era de R$ 716 milhões, mas não apareceram interessados.

Já no segundo certame, não foi estabelecido valor. Na ocasião, foi apresentada apenas uma proposta feita pela empresa Pedra Angular Açúcar e Álcool Participações e Administração no valor de R$ 825 milhões. Na época, o juiz Jonas Hass julgou a Pedra Angular “incapaz de assumir tamanho compromisso” e afirmou que o capital social da empresa “é ínfimo ante o tamanho das dívidas, do capital da massa falida e do fluxo de caixa diário da massa falida”.

Declínio

Considerada a maior geradora de empregos de Dourados até entrar em recuperação judicial em abril de 2013, a Usina São Fernando chegou a empregar, em seu auge, cerca de 3.800 funcionários, situação muito distante da realidade atual. Até o primeiro semestre do ano passado, a indústria operava com apenas 30% de sua capacidade, empregando 900 trabalhadores, de acordo com informações repassadas à época pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Açúcar, Etanol e Bioenergia de Dourados e Ponta Porã.

O empreendimento pertencia à família do empresário José Carlos Bumlai, envolvido em escândalos de corrupção apontados pela Operação Lava Jato, e teve a falência decretada pelo juiz da 5ª Vara Cível de Dourados, Jonas Hass, em junho de 2017. A São Fernando passou a ser controlada por um administrador judicial até ser definido um destino para a indústria.

Notícia na íntegra

Fonte: Correio do Estado (MS)/NovaCana

12. Indústria de etanol em Nova Mutum (MT) terá capacidade para processar 529 mil t de milho por ano

O Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) dispensou a apresentação dos estudos de impacto ambiental para instalação de uma indústria de etanol de milho em Nova Mutum (MT). A decisão plenária, do último dia 27, referenda parecer técnico da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

O grupo responsável pela instalação será a Ethanol Indústria de Combustíveis S.A., registrada com endereço na BR-163, em Nova Mutum. A indústria terá capacidade para processar 529 mil toneladas de matéria prima por ano. Além do etanol anidro e hidratado, também serão produzidos farelos “com altos teores de fibra e proteína”, óleo bruto e energia elétrica.

Não foram divulgados valores dos investimentos previstos. Conforme divulgado pela companhia, a planta terá capacidade de produção de 200 milhões de litros de etanol por ano.

Com a instalação da indústria, Nova Mutum se juntará a outras cidades do norte mato-grossense na produção de etanol de milho. Em Lucas do Rio Verde, a FS Bioenergia inaugurou uma planta em 2017. A mesma empresa anunciou, no ano passado, a implantação de mais uma planta, em Sorriso. Em Sinop, o biocombustível será produzido pela Inpasa, grupo paraguaio que está se instalando na região do Alto da Glória.

No final de 2018, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, em um estudo, que a produção de biocombustível proveniente do milho no Brasil tende a ocupar um lugar de destaque nos próximos anos, se depender da produção do etanol industrializado em Mato Grosso. Segundo o documento, do total saído das usinas no estado na safra 2017/18, cerca de 25% da oferta de álcool é originário do etanol de milho, que tem um custo de produção inferior ao da cana-de-açúcar.

Benancil Martins, analista da Conab e responsável técnico pelo compêndio, afirmou ainda que, sem a participação do cereal, a produção estadual de etanol estaria praticamente estagnada nos últimos anos. “A produção total de etanol, contemplando os tipos anidro e hidratado, cresceu 37% entre as safras 2014/15 e 2017/18 em Mato Grosso, o que rendeu um incremento de 461,6 mil m3 no período, com grande contribuição do milho”.

O estudo alerta, no entanto, à preocupação de que essa tendência possa impactar no quadro de oferta e demanda do combustível mato-grossense, tendo em vista o mercado consumidor restrito do estado. “Para a safra 2018/19, há uma demanda de quase 2 milhões de toneladas de milho pelas usinas no estado, dentro de um cenário superior a 4 milhões de toneladas do cereal”, conclui.

Notícia na íntegra

Fonte: Só Notícias (MT)/NovaCana

Grãos e Grandes Culturas

13. Antecipação da colheita reduziu preço do frete em fevereiro

O transporte de soja das regiões produtoras aos portos do país chegou ao pico em fevereiro e, claro, os preços do frete para levar esse grão pelas rodovias também. O curioso, porém, é que os preços praticados no mês passado ficaram abaixo daqueles de igual período de 2018, enquanto em janeiro houve correção.

O motivo é a antecipação da safra 2018/19, que criou demanda em janeiro, um mês normalmente de menor necessidade. Por outro lado, a demanda arrefeceu em fevereiro. A exceção é o Paraná, onde os valores dos fretes rodoviários subiram porque a colheita ainda está ocorrendo no período tradicional.

Independentemente da alteração do fluxo entre janeiro e fevereiro, os preços praticados pelos transportadores estão abaixo da tabela mínima criada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) após a greve dos caminhoneiros em maio de 2018, principalmente nas rotas de longa distância.

"Nas rotas mais longas, há uma diminuição do coeficiente reais por quilômetro porque o transportador dá desconto para levar o produto em locais mais distantes, uma prática muito conhecida que a tabela não levou em consideração", disse Fernando Bastiani, pesquisador da EsalqLog, Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

De Sorriso (MT), importante polo produtor de grãos, ao porto de Paranaguá (PR), por exemplo, o preço do frete praticado nas duas primeiras semanas de fevereiro era em média de R$ 304,50 a tonelada por quilômetro, queda de 3,48% ante os R$ 315,47 ofertados um ano antes.

Em janeiro, o preço médio era de R$ 267,88. Apesar de ser mais barato comparativamente à fevereiro, trata-se de um aumento de 6,45% ante janeiro do ano passado. Na tabela da ANTT, o preço mínimo que deveria ser praticado é R$ 404,73.

"Um sonho que nunca pensamos em receber", afirmou um caminhoneiro ao Valor sobre a tabela. "Na prática, trabalhamos com o que resolvem nos pagar", acrescentou. Os valores dos fretes são estipulados pelas tradings, afirmam transportadoras, motoristas e os pesquisadores da EsalqLog.

No Paraná, onde a colheita ainda não chegou à metade, os preços ficaram mais altos em fevereiro ante janeiro e também na comparação anual. Segundo Bastiani, o calendário de exportação direciona os valores e, com a oferta de grãos maior agora, obviamente, há mais demanda por transporte.

De Cascavel a Paranaguá, por exemplo, o frete nas duas primeiras semanas de fevereiro estava em R$ 98,68 frente a R$ 93,41 em janeiro, aumento de 5,64%. Na tabela da ANTT, o valor mínimo indicado é de R$ 130,48. As distorções na tabela devem ser corrigidas pela própria Esalq-Log, que fechou um contrato de dois anos com a ANTT.

Notícia na íntegra

Fonte: Valor Econômico

14. Exportações do complexo soja sobem 54,1% em volume e 63% em receita

As exportações brasileiras do complexo soja somaram 7,104 milhões de toneladas em fevereiro, com receita de US$ 2,573 bilhões. Em relação a igual período de 2018, os aumentos foram, respectivamente, de 63,5% e 54,1%. Já ante janeiro, houve aumento de 105,6% em volume e de 94,7% em receita. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

Com a colheita adiantada da soja da safra 2018/2019 e a demanda chinesa ainda firme por causa da guerra comercial, os embarques do País já estão mais acelerados do que há um ano. No acumulado de 2019, o Brasil já exportou 10,559 milhões de toneladas de soja, farelo e óleo, 49,6% acima de igual intervalo do ano anterior. A receita obtida com as vendas do complexo nos dois primeiros meses de 2019 somou US$ 3,894 bilhões, 44,4% acima do primeiro bimestre de 2018.

As exportações de soja em grão somaram 6,091 milhões de toneladas em fevereiro. Na comparação com igual período de 2018, quando foram embarcados 2,864 milhões de toneladas, o aumento chegou a 112,7%. A receita com as vendas externas do grão atingiu US$ 2,206 bilhões, incremento de 101,8% em relação a fevereiro do ano passado (US$ 1,093 bilhão).

Na comparação com janeiro, quando foram embarcados 2,154 milhões de toneladas, as exportações aumentaram 182,8% em volume. Em receita, o incremento foi de 170,7% ante o total de US$ 815,0 milhões de janeiro. O preço médio do produto exportado foi de US$ 362,20/tonelada, ante US$ 378,40/t em janeiro e US$ 381,70/t em fevereiro de 2018. No acumulado de 2019, foram exportadas 8,245 milhões de toneladas, 87,4% acima de igual período de 2018. A receita totalizou US$ 3,021 bilhões (+79%).

Farelo de Soja

De farelo de soja, o volume exportado somou 976,4 mil toneladas, queda de 27,9% em relação a fevereiro de 2018, quando o Brasil enviou ao exterior 1,354 milhão de toneladas. Ante janeiro, quando os embarques somaram 1,261 milhão de toneladas, houve queda de 22,6%. A receita com a exportação em fevereiro totalizou US$ 341,6 milhões, recuo de 29,1% em relação aos US$ 481,5 milhões de igual período de 2018.

Em relação ao mês anterior, quando o faturamento somou US$ 481,6 milhões, a queda foi de 29,1%. No acumulado deste ano, os embarques somaram 2,237 milhões de toneladas, queda de 9,9% ante igual período de 2018. A receita somou US$ 823,20 milhões (-6,1%).

Óleo de Soja

Já de óleo de soja, as exportações em fevereiro somaram 36,6 mil toneladas, queda de 70,9% em relação a igual mês de 2018, quando os embarques haviam somado 125,6 mil toneladas. Em relação a janeiro, quando foram embarcadas 39,6 mil toneladas, a redução foi de 7,6%. A receita referente às vendas externas somou US$ 24,6 milhões em fevereiro. A queda foi de 73,9% ante igual período do ano passado, quando os recursos com a exportação haviam totalizado US$ 94,3 milhões.

Na comparação com janeiro, quando a receita somou US$ 25 milhões, a diminuição foi de 1,6%. No acumulado de 2019, as exportações totalizaram 76,2 mil toneladas, recuo de 56,8% na comparação com primeiro bimestre de 2018. A receita somou US$ 49,6 milhões (-62,7%).

Notícia na íntegra

Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

15. Soja começa a apodrecer nos EUA com armazéns cheios e falta de demanda

As vendas de grãos seguem travadas nos Estados Unidos neste momento. Nos atuais níveis de preços não se vende milho, tampouco soja e os produtores seguem aflitos no planejamento de sua nova safra, bem como de olhos bem atentos à toda e qualquer notícia que possa mudar a direção das relações entre a China e os Estados Unidos.

Enquanto os dois países não encontram uma solução, os silos norte-americanos já não dão conta de tanto produto a ser estocado e em algumas partes dos EUA a produção já começa a apodrecer e perder qualidade por não estar estocada de maneira adequada.

O volume de soja estocada pelos produtores americanos é recordes e eles esperam deseperadamente por uma melhora das cotações. Até o último dia 22, de acordo com números de uma pesquisa feita pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), eram 3,7 bilhões de bushels nos silos americanos, 18% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Somente no estado de Minnesota, eram 339 milhões de bushels, volume 10% superior ao de 2018. "E isso me parece uma estimativa mais baixa do que o real", disse Bob Zelenka, diretor executivo da Minnesota Grain and Feed Association ao portal internacional StarTribune.

Estes são os maiores estoques de soja norte-americanos em 12 anos. Durante o Agricultural Outlook Forum, realizado no fim de fevereiro, o economista chefe do USDA Robert Johansson, disse que "o país levaria ainda muitos anos para desfazer estes estoques".

final, em dezembro do ano passado, os EUA exportaram apenas 4,1 milhões de toneladas de soja, segundo números reportados nesta quarta-feira, o menor volume desde 2007.

E apesar de os EUA contarem com uma considerável capacidade de armazenagem e apenas parte destes volumes não estarem silos ou estruturas semelhantes, as condições de clima e a dificuldade de "movimentação" destes grãos tem tirado, dia a dia, sua qualidade. A pequena vantagem com que contam agora é o inverno, o qual deverá se alongar um pouco mais este ano.

"Os produtores têm de estar mais vigilantes à manutenção da qualidade dos grãos que possuem em suas fazendas. Nossa vantagem agora é o inverno, ao menos nos quesitos insetos e mofo, estas não têm sido preocupações agora até que o tempo fique um pouco mais quente", disse Zelenka.

Com isso, há alguns meses algumas estações recebedoras de grãos - os chamados elevators - pararam de receber novos volumes de soja nos estados da Dakota do Sul e Dakota do Norte por não terem como transportá-los, em parte, por falta de demanda, como relatou ao Notícias Agrícolas o analista sênior da Price Futures Group, Jack Scoville.

E o executivo acredita que ainda haja alguns estados com grãos fora dos silos entre os principais produtores norte-americanos, principalmente, naqueles mais frios, como Iowa e Minnesota, e alguns locais das Dakotas. "Nesses locais eles conseguem manter melhor e com mais eficiência a qualidade, porém, precisam ser movidos ou estocados antes que comece a esquentar", diz.

Sem alternativas, os produtores americanos seguem aguardando uma resolução da guerra comercial, que já se estende por um ano, e uma melhora considerável dos preços para que possam voltar ao mercado de forma efetiva. Até lá, só conseguem enxergar seus estoques sem qualquer mudança.

Entretanto, ainda como explica Scoville, os agricultores americanos poderiam começar a vender um pouco mais na medida em que mesmo apenas pequenos rallies comecem a ser observados na Bolsa de Chicago na necessidade de abrir espaço em seus armazéns para a nova safra que será colhida em alguns meses.

"Agora, isso é mais provável que aconteça para o milho do que para a soja. E os produtores podem sim vender a preços que não lhe sejam interessantes caso a situação fique ainda pior. Muitos seguem esperando para ver o que acontecerá com o acordo com a China", acredita o analista. E esse é mais um fator que entra na conta dos produtores para a definição da área da próxima safra.

Em entrevista à Reuters Internacional, a produtora de soja Lorenda Overman, da Carolina do Norte, relata que tem tido prejuízos em suas vendas e atrasado o pagamento de seus funcionários desde o início da guerra comercial. E afirma que seus débitos, até este momento, já chegam a US$ 2 milhões.

Números China x EUA

A China, como maior compradora mundial de soja e fora do mercado dos EUA, tem gerado comparações preocupantes para o comércio norte-americano da oleaginosa.

Segundo números do USDA compilados pela colunista da Reuters Internacional, Karen Braun, mostram que de setembro a dezembro de 2018, foram enviadas à nação asiática somente 475 mil toneladas de soja, o menor volume para o período desde 1995.

"Até o último 21 de fevereiro, a China respondeu por um total de 9,22 milhões de toneladas de soja dos EUA da safra 2018/19. Em teoria, essa trajetória pode não ser tão 'triste' nos próximos meses, contanto que essas compras não sejam canceladas. Mas a temporada 2018/19 já está marcada como um triste ano comercial para os EUA", diz Karen.

Notícia na íntegra

Fonte: Notícias Agrícolas

Siga nossas Redes Sociais

Receba nossas Notícias