Conjuntura do Agronegócio

1. Índice de Confiança do Agronegócio de Fiesp e OCB disparou no 4º tri

Embalado pela vitória de Jair Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais e pelas promessas do então candidato para a economia brasileira, o Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro) calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) bateu todos os recordes positivos no quarto trimestre do ano passado.

Segundo levantamento divulgado há pouco, o indicador encerrou o período em 115,8 pontos, 15,4 pontos a mais que no trimestre anterior, e a alta observada foi puxada por todos os elos das cadeias produtivas que compõem o setor. A escala vai de zero a 200, e 100 é o ponto neutro. O resultado é dimensionado a partir de 1,5 mil entrevistas (645 válidas) com agricultores e pecuaristas de todo o país. Cerca de 50 indústrias também são ouvidas.

"Foi possível constatar, de fato, um sentimento de euforia. As entrevistas foram realizadas no fim de novembro e no início de dezembro, pouco depois das eleições presidenciais — e a vitória de Jair Bolsonaro alimentou a expectativa de um novo ciclo de crescimento econômico e de um ambiente de negócios mais favorável a partir de uma agenda de reformas estruturais”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em comunicado.

Segundo o levantamento, o indicador que mede especificamente a confiança dos produtores rurais passou de 101,7 pontos, no terceiro trimestre de 2018, para 113,8 pontos no quarto. Entre os agricultores — os produtores de grãos também tiveram bons resultados em seus negócios no ano passado —, subiu de 106 pontos para 115,2, e entre os pecuaristas, cujas perspectivas de mercado para 2019 são mais positivas, foi de 88,9 para 109,6 pontos.

“No entanto, vale destacar que, dentre os aspectos levantados, os custos de produção destoaram do panorama de otimismo. A confiança nesse item está no nível mais baixo já registrado”, informaram Fiesp e OCB. Boas perspectivas em relação às produtividades em geral pesaram positivamente, mas neste ponto os sinais são de que poderá haver recuo neste primeiro trimestre, tendo em vista os problemas climáticos que passaram a afetar lavouras de diversos culturas — grãos inclusive — em distintas regiões do país.

O indicador que mede a confiança das agroindústrias também disparou no quarto trimestre do ano passado. Subiu 18 pontos e atingiu 117,3, içado tanto pelas empresas que atuam “antes da porteira” (alta de 95,4 para 122,9 pontos) quanto por aquelas que fazem seus negócios “depois da porteira” (alta de 101 para 114,8 pontos) — como os resultados dos produtores, todos os das indústrias também são recorde.

No comunicado que divulgaram, Fiesp e OCB lembram que as entregas de fertilizantes das misturadoras às revendas cresceram 3,9% em 2018, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), e que os fabricantes de defensivos tiveram um mercado mais “enxuto” depois de pelo menos uma safra de estoques elevados acumulados nas mãos dos distribuidores.

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Fonte: Valor Econômico

2. Valor da produção agropecuária crescerá para R$ 633,9 bi, diz CNA

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do país (“da porteira para dentro”) deverá alcançar R$ 633,9 bilhões em 2019, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Se confirmado, o valor será 5,6% maior que o calculado para 2018 (R$ 600,3 bilhões).

A estimativa da entidade prevê incrementos de 4,7% para a receita da agricultura, para R$ 412,2 bilhões, e de 7,3% para a da pecuária, para R$ 221,6 bilhões. O valor total projetado para este ano é maior que o estimado pelo Ministério da Agricultura (R$ 581,6 bilhões).

Em 2018, conforme a CNA, o VBP cresceu 3,1% ante 2017, sustentado principalmente pela receita do setor agrícola, que cresceu 4,4% e atingiu R$ 393,8 bilhões. Os maiores aumentos foram os do trigo (57,7%), do algodão em pluma (51%), do cacau (46,1%), do café arábica (23,4%), da soja (17,6%) e da batata-inglesa (15,1%).

De acordo com a CNA, o VBP da pecuária foi de R$ 206,55 bilhões no ano passado, um crescimento de 0,8% sobre o resultado de 2017. Houve altas para leite (5,1%), carne bovina (2,5%) e carne de frango (2,1%). Ovos e suínos apresentaram retrações - 12,1% e 15,7%, respectivamente.

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Fonte: Valor Econômico

3. "Em briga de elefantes, quem apanha é a grama"

Terceiro maior exportador de produtos do agronegócio no planeta em 2018, o Brasil tem a sua posição ameaçada por uma conjunção de fatores que inclui fracos ganhos de produtividade nas áreas de processamento e logística, ausência de acordos bilaterais e um ambiente comercial global marcado por restrições decorrentes de razões geopolíticas. O diagnóstico é de Marcos Jank, presidente executivo da Asia-Brazil Agro Alliance, organização que reúne exportadores dos segmentos de carne bovina, proteína animal, açúcar e álcool.

Entre 2000 e 2018, as exportações do agronegócio brasileiro saltaram de cerca de US$ 15 bilhões para US$ 102 bilhões. O aumento contribuiu de forma direta para manter positiva a balança comercial brasileira - o saldo de todos os outros setores no ano passado foi negativo em US$ 29 bilhões. "O Brasil cresceu nos últimos 20 anos na exportação do agro[negócio] sem precisar de acordo comercial. Sem precisar saber o que estava acontecendo politicamente em cada país em que nós vendíamos. Sem precisar de uma coordenação especial entre governo e setor privado. Hoje, isso precisa ser criado", analisa Jank, conselheiro internacional do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

Como exemplo dos desafios comerciais impostos pelo quadro geopolítico mundial, Jank cita o atual embate entre Estados Unidos e China. "A guerra comercial infelizmente está indo para um rumo de ser uma guerra hegemônica, que atinge não só comércio mas também investimentos e a presença de multinacionais. Já tivemos retaliações contra multinacionais chinesas nos Estados Unidos e vice-versa", exemplifica o especialista.

Nesse contexto, Jank defende que o Brasil não tome partido de nenhum dos lados. E mesmo assim, o país pode sofrer os efeitos negativos do conflito entre americanos e chineses, ainda que as duas partes cheguem a uma solução. Isso porque o rearranjo do fluxo de comércio, em decorrência de um possível acordo, poderia ser desfavorável ao Brasil.

"O Brasil tem de lembrar de um ditado antigo que diz: Em briga de elefantes, quem apanha é a grama", diz o CEO da Asia- Brazil Agro Alliance. "Tenho muito temor que um acordão China-Estados Unidos possa vir em detrimento do Brasil", acrescenta. O receio de Jank se baseia no fato de os exportadores brasileiros ainda enfrentarem obstáculos para vender na China produtos como carne, farelo e óleo de soja, frango, açúcar e etanol.

Os números dos últimos 19 anos atestam a importância do mercado chinês para os exportadores brasileiros, especialmente no setor de agronegócios. Em 2000, China e Hong Kong eram destino de apenas 4% das vendas externas do agronegócio do Brasil. No ano passado, esse percentual havia crescido mais de nove meses, para 37%. Considerando outros países asiáticos, a participação aumenta para 52%.

Já no mercado europeu, a tendência foi inversa. Em 2018, o continente absorveu 18% das exportações da agroindústria do Brasil, contra 43% em 2000. "Hoje, para o agronegócio pelo menos, é mais importante fazer um acordo com a Ásia do que com a Europa", comenta Jank, futuro coordenador do Núcleo de Agronegócios do Cebri, a ser lançado nos próximos meses. "O mundo hoje vive do bilateralismo. As relações são cada vez mais afetadas pelo poder que os países têm de negociar com A, B ou C".

Ao contrário do Brasil, que nos últimos 20 anos ficou de fora do "mundo dos acordos comerciais", países como Austrália e Nova Zelândia concentraram esforços nessa vertente, compara ele. Ambos os países têm 100% de suas exportações do agronegócio cobertas por acordos comerciais.

Levantamento feito por Jank com base em dados de 2006 a 2017 indica que os produtos nos quais os exportadores brasileiros do setor de agronegócios mais perderam "market share" são justamente aqueles que mais dependem de políticas públicas, tanto internas como no exterior.

Na visão de Jank, a vantagem competitiva obtida pelo agronegócio brasileiro, graças ao aumento de produtividade obtido nos anos 1990, é insuficiente para garantir a permanência do país na posição atual que ocupa no ranking global de exportações do agronegócio. Na época, os agricultores se beneficiaram tanto da incorporação de novas tecnologias agrícolas voltadas para o cultivo em áreas tropicais quanto da extensão da fronteira agrícola, notadamente nas regiões do Cerrado.

"Esses ganhos [de produtividade] foram muito concentrados na agropecuária. Quando você sai com o produto da fazenda e vai processá-lo e vai distribuí-lo, você perde competitividade no Brasil", diz. "Somos muito bons na fazenda. Da fazenda para frente a gente começa a perder", conclui Jank.

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Fonte: Valor Econômico

Insumos

4. Lucro líquido da AGCO dobrou no 4º tri

A americana AGCO, uma das maiores empresas de máquinas agrícolas do mundo, registrou receita líquida de US$ 2,592 bilhões no quarto trimestre de 2018, 2,5% mais que no mesmo período de 2017, e fechou o ano vendas totais de US$ 9,4 bilhões, alta de 12,6%.

A companhia informou que obteve receita de US$ 276,2 milhões nos três últimos meses do ano passado na América do Sul, queda de 12,6% ante o mesmo período de 2017. Com isso, em 2018 a receita obtida na região chegou a US$ 959 milhões, uma retração de 9,8%.

Na América do Norte, principal mercado para a AGCO, a receita líquida ficou em US$ 531,2 milhões no quarto trimestre do ano passado, redução de 0,1% em relação ao mesmo período de 2017. No ano, houve alta de 16,2%, para US$ 2,180 bilhões.

Ainda segundo a AGCO, nos três últimos meses de 2018 seu lucro líquido atingiu US$ 97,6 milhões, o dobro do registrado de outubro a dezembro de 2017. Em todo o ano passado, o lucro líquido cresceu 49,9% e alcançou US$ 283,7 milhões.

Para 2019, a AGCO estima registrar receita líquida de 9,6 bilhões, aumento de 2,1% em relação a 2018. “A AGCO entregou resultados sólidos em 2018, ao mesmo tempo em que fez investimentos importantes para se posicionar para o futuro”, afirmou Martin Richenhagen, presidente do conselho e CEO da múlti, em nota.

A companhia continuará a investir em novos produtos, novas tecnologias, melhor distribuição e melhorias de capacidades, a fim de melhorar margens e produzir retornos mais elevados sobre o nosso capital investido.

"Olhando para 2019, estamos prevendo uma melhora nos lucros, uma vez que as condições da indústria tendem a ser positivas para nossas estratégias de redução de custos, bem como desenvolvimento de novos produtos”, disse Richenhagen.

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Fonte: Valor Econômico

5. Fertilizantes Heringer entra com pedido de recuperação judicial

A Fertilizantes Heringer entrou com pedido de recuperação judicial ontem na comarca da cidade de Paulínia (SP), “em caráter de urgência”. Hoje, a empresa comunicou a decisão ao mercado.

No comunicado, a empresa destaca que foi necessário readequar sua estrutura administrativa e operacional, conforme antecipou ontem o Valor, por meio da suspensão das atividades nas unidades de Rondonópolis (MT), Dourados (MS), Três Corações (MG), Uberaba (MG), Rio Verde (GO), Porto Alegre (RS), Rio Grande (RS), Paranaguá (PR) e Rosário do Catete (SE).

“A administração da companhia empreendeu esforços e estudos, em conjunto com seus assessores legais e financeiros, para otimizar a situação de liquidez e o perfil de endividamento da companhia nos últimos meses, tentando, inclusive, buscar potenciais investidores no sentido de equilibras as demandas de capital de giro para manter as atividades operacionaisa. Não obstante referidos esforços, a situação se deteriorou. Em consequência e aliado à recente conjuntura adversa no setor de atuação da companhia, os desafios decorrentes da situação econômico-financeira da companhia se mantém e vêm se agravando”, diz o texto. “Neste sentido, a companhia julgou que a apresentação de um pedido de recuperação judicial seria a medida adequada”.

De acordo com dados do Valor Data, o capital de giro da companhia estava negativo em R$ 1,3 bilhão ao fim do terceiro trimestre do ano passado. Na prática, a companhia vem queimando o caixa e só teria condições de quitar as dívidas de curto prazo (que vencem em até um ano) com a venda de ativos.

No comunicado, a Heringer afirmou também que o pedido de recuperação judicial será submetido à avaliação de acionistas em assembleia geral em data a ser definida.

Fundada em 1968, a Heringer detém cerca de 15% do mercado brasileiro de fertilizantes, só atrás da norueguesa Yara, da brasileira Fertipar e da americana Mosaic. Com sede em Viana (ES), a companhia abriu o capital na B3 em 2007 e sempre atraiu o interesse de estrangeiros. Em 2015, a marroquina OCP comprou 10% da participação na Heringer. No mesmo ano, a canadense Nutrien — oriunda da fusão entre a Potash e a Agrium — adquiriu uma fatia de 9,5% do capital.

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Fonte: Valor Econômico

6. Fabricantes de tratores miram pequeno produtor

Os maiores fabricantes de tratores do Brasil apresentam seu novos modelos durante o Show Rural Coopavel. Os equipamentos voltados a pequenos produtores, com motores de até 100 cavalos, estão entre os principais destaques. A LS Tractor lançou o trator U80, equipado com motor de 80 cavalos e tecnologia que reduz a emissão de poluentes.

A empresa também trouxe para a feira o modelo R65, voltado a produtores de frutas e café. “O pequeno produtor deve continuar investindo em equipamentos de alta performance e com preços acessíveis”, diz André Rorato, diretor da LS Tractor. No ano passado, o faturamento da empresa, de origem coreana, cresceu cerca de 35% no Brasil, em comparação a 2017.

Este ano, as vendas devem aumentar não apenas junto aos produtores rurais brasileiros. A empresa deve começar a exportar tratores para a Nigéria. O país acaba de lançar, em parceria com o Brasil, um dos maiores programas de agropecuária do continente africano, que prevê a importação de 10 mil tratores e 50 mil máquinas produzidas no Brasil. O projeto conta com financiamento do Deutsche Bank, da Alemanha, e o BNDES, com seguro de crédito do Banco Islâmico de Desenvolvimento.

A expectativa é que as exportações de tratores de menor potência comecem ainda este ano. “O país está investindo no agronegócio e há oportunidades para fornecedores brasileiros”, afirma Rorato.

A John Deere também está atenta ao potencial do segmento de agricultura familiar, que recebe subsídios do governo. A empresa apresentou no Show Rural Coopavel os novos modelos da série 5E, com motores de potência de 60 a 90 cavalos. Uma das novidades é o sistema de transmissão de 12 velocidades com reversor hidráulico sincronizado. A empresa investiu também em acessórios, com opcionais como assento pneumático e luzes LED na cabine.

A Case IH é outro fabricante com lançamentos de tratores voltados ao pequeno produtor. A marca criou novas versões para a linha Farmall. As mudanças no motor permitiram a potência alcance de até 100 cavalos, com 60% a menos de emissão de poluentes. “Há uma demanda no segmento de agricultura familiar por tratores com versões mais potentes. O comprador começou a sentir que os modelos oferecidos anteriormente pelos fabricantes eram muito básicos”, afirma Silvio Campos, diretor de marketing de produto da Case IH.

Os produtores de maior porte também receberam atenção da empresa. Os tratores Steiger, com motores acima de 370 cavalos, ganharam esteiras de borrachas, substituindo os pneus. A Case IH, marca da CNH Industrial, também apresentou no Show Rural Coopavel a linha Quadtrac, de tratores articulados com esteira e potência de 507 a 629 cavalos. Os equipamentos têm reserva de torque de 40%, com 24 válvulas e seis cilindros. “Tratores de altíssima potência também têm significativo potencial de vendas no curto, médio e longo prazo”, diz Campos.

A New Holland, outra marca do grupo, manteve o foco no pequeno agricultor, com lançamentos de novas famílias de tratores com potência de até 100 cavalos. Os modelos T4, com largura e altura reduzidas, são direcionados aos produtores de frutas e café. Os equipamentos apresentam válvulas remotas e vazão hidráulica de até 64 litros por minuto, com impactos positivos no acionamento de implementos utilizados na colheita.

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Fonte: Revista Globo Rural

Proteína Animal

7. Ivan Monteiro anima investidores da BRF

Ainda reticentes com os resultados da reestruturação em curso na BRF, os investidores receberam nesta terça-feira uma injeção de ânimo da companhia. Com o aval de Pedro Parente, a dona das marcas Sadia e Perdigão anunciou a indicação de Ivan Monteiro, ex-presidente da Petrobras, para a vice-presidência financeira e de relações com investidores.

A contratação, que depende do aval da Comissão de Ética da Presidência da República, foi recebida com entusiasmo. Na B3, as ações da BRF subiram 6,5%, maior alta do Ibovespa. Com isso, ganhou R$ 1,25 bilhão em valor de mercado, sendo avaliada nesta terça-feira em R$ 20,5 bilhões.

Trata-se do maior patamar desde 27 de abril de 2018, quando os papéis da BRF reagiram positivamente à eleição de Pedro Parente para a presidência do conselho de administração da companhia.

Monteiro é um nome muito respeitado no mercado, tanto por sua passagem no Banco do Brasil — ele é funcionário de carreira da instituição e foi seu principal executivo de finanças (CFO, na sigla em inglês) entre 2009 e 2012 — e na Petrobras. Na petroleira, foi comandado justamente por Parente até junho do ano passado, quando o atual presidente da BRF renunciou . Após a saída de Parente, Monteiro foi alçado ao comando da Petrobras, onde ficou até dezembro.

Na BRF, o executivo terá o desafio de dar sequência aos planos de Parente de reduzir o endividamento da companhia. No fim de setembro, o índice de alavancagem (relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado em doze meses) estava em 6,74 vezes, um nível preocupante, conforme analistas. A dívida bruta da BRF totalizava R$ 22,7 bilhões.

Para reduzir o passivo, a BRF lançou um plano de desinvestimentos, que deverá ser concluído ainda em fevereiro com a venda das operações na Tailândia e Europa. No pacote, também estavam incluídos ativos na Argentina, que já foram alienados e com os quais a empresa angariou mais de R$ 500 milhões. Ao todo, a BRF pretende obter R$ 3 bilhões com as transações. Com essas vendas e outras medidas de gestão de capital de giro, a companhia quer reportar, em 28 de fevereiro, uma alavancagem pro forma de 4,35 vezes.

Mas essa é apenas a primeira etapa do plano de redução do nível de endividamento. A meta da BRF é baixar a alavancagem para 3 vezes até o fim deste ano. À frente da vice-presidência financeira da empresa, Monteiro deverá assumir a missão.

Outro desafio do executivo será administrar as expectativas dos investidores. Pelo organograma da BRF, Monteiro vai se reportar ao vice-presidente executivo, Lorival Luz. Principal responsável pelas condução do programa de desinvestimentos, Luz está sendo preparado para assumir o cargo de CEO da BRF até 14 de junho, prazo final para Parente deixar de acumular o cargo de CEO com a presidência do conselho.

De acordo fontes que conhecem a BRF, a indicação de um nome da estatura de Monteiro fatalmente gerará especulações sobre a sucessão de Parente. Seu nome pode pairar como uma “sombra” sobre Luz.

Ao Valor, uma fonte graduada assegurou que não há qualquer intenção nesse sentido. Segundo outra fonte, Monteiro e Luz têm ótima relação. Os dois se conhecem da CPFL Energia. Entre 2011 e 2013, Monteiro foi membro do conselho de administração da distribuidora de energia elétrica, e Luz diretor financeiro.

“Ivan é o CFO!”, disse uma fonte, ressaltando que a BRF desejava um novo perfil para essa função específica, até então ocupada por Élcio Ito. Em comunicado, a companhia informou que Ito deixou o cargo por “projetos pessoais”.

A contratação de Monteiro também foi vista como uma oportunidade. “Junta a fome com a vontade de comer”, disse uma fonte, lembrando que o executivo estava sem emprego e a BRF — hoje comandada por velhos conhecidos — estava em busca de um diretor desse porte.

Para que a união se concretize, resta o aval da Comissão de Ética, que analisará o caso na próxima terça-feira. Se seguir o mesmo entendimento do ano passado, quando liberou Pedro Parente da quarentena e o autorizou a assumir como CEO da BRF, Monteiro será liberado.

Notícia na ítnegra

Fonte: Valor Econômico

8. Redução da dose da vacina contra aftosa valerá a partir de maio

A vacina contra a febre aftosa vai ter sua dose reduzida de 5 ml para 2 ml na primeira etapa de vacinação de bovinos e bubalinos, que será realizada a partir de maio, na maioria dos estados brasileiros. Diego Viali dos Santos, chefe da Divisão de Febre Aftosa e outras Doenças Vesiculares (Difa) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), lembra que nessa primeira etapa de vacinação do ano, a grande maioria do país vai imunizar todo o rebanho, conforme calendário de vacinação disponível no site do Mapa

Apenas no Acre, Espírito Santo e Paraná a dose será aplicada apenas em animais jovens (de até 24 meses de idade). O estado do Amapá, devidos a suas condições peculiares, realiza a vacinação anualmente somente no segundo semestre. A mudança da dose está prevista no Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), que deverá culminar com a retirada total da vacinação no país prevista até 2021.

A expectativa de Diego Viali dos Santos é de que com a redução da dosagem, ocorram menos reações nos animais (caroços, inchaço). Além disso, com frascos menores, as vacinas ocuparão menos espaço, facilitando o transporte e reduzindo o custo de refrigeração. “Os laboratórios produtores possuem estoque suficiente do novo produto para atender à demanda dos criadores”, afirmou.

O ministério preparou um manual para fiscalização do comércio de vacinas contra a febre aftosa, atualizando a publicação de 2005. A versão digital, contendo orientações aos Serviços Veterinários Estaduais e aos distribuidores sobre a qualidade exigida ao produto deverá ser disponibilizada nesta semana.

Cuidados com as vacinas

Compre as vacinas somente em lojas registradas.

Verifique se estão na temperatura correta: entre 2° C e 8° C.

Para transportá-las, use uma caixa térmica, coloque três partes de gelo para uma de vacina e lacre.

Mantenha a vacina no gelo até o momento da aplicação. Escolha a hora mais fresca do dia e reúna o gado. Mas lembre-se: só vacine bovinos e búfalos.

Durante a vacinação, mantenha a seringa e as vacinas na caixa térmica e use agulhas novas, adequadas e limpas. A higiene e a limpeza são fundamentais para uma boa vacinação.

Agite o frasco antes de usar e aplique a dosagem certa em todos os animais: 2 ml.

O lugar correto de aplicação é a tábua do pescoço, podendo ser no músculo ou embaixo da pele. Aplique com calma.

Lembre de preencher a declaração de vacinação e entregá-la no serviço veterinário oficial do seu estado juntamente com a nota fiscal de compra das vacinas.

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Fonte: Mapa/Agrolink

9. Projetos da Anater fortalece a produção de leite em Minas Gerais

A Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) está levando assistência técnica e promovendo o desenvolvimento rural sustentável das mais diferentes cadeias produtivas, em todo o País.

Em Minas Gerais, a parceria da Anater com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG) vai possibilitar a oferta de serviços de Ater para agricultores familiares produtores de leite, contribuindo para o enfretamento da situação de vulnerabilidade econômica e social em 46 municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

De acordo com a divisão de mesorregiões do IBGE, mais de 50% dos estabelecimentos instalados nessas regiões do Estado se dedicam à criação de bovinos, o que engloba mais de 7.200 estabelecimentos. Segundo a Emater-MG, a grande maioria desses estabelecimentos são da agricultura familiar.

Conforme previsto no plano de trabalho, o projeto de fortalecimento da Ater para produtores de leite integra 1000 famílias de agricultores, mulheres e jovens rurais, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dessas famílias, através de ações que levem em consideração a capacidade operacional instalada bem como a realidade e o contexto regional.

O presidente da Anater, Valmisoney Moreira Jardim, explica que essas ações visam tornar os empreendimentos mais eficientes e qualificados para participar dos mercados disponíveis, especialmente o institucional. “Além da qualificação da produção, a parceria também vai abrir e ampliar a abertura de mercado do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), junto aos governos estaduais e municipais, e promover a inserção dos empreendimentos como fornecedor do segmento supermercadista e atacadista”, explica.

De acordo com o presidente, o potencial de trabalho, os recursos humanos e materiais e a infraestrutura da Emater-MG representam uma força de trabalho capaz de cumprir as atividades do programa, cuja execução está prevista para até dezembro de 2020.

Segundo o presidente, a Anater já está presente em todas as unidades da Federação. “A proposta da Anater é inovadora e tem levado soluções mais eficazes e produtivas ao meio rural, sempre considerando e valorizando as especificidades da realidade local de cada região. Nossa expectativa é que, em um breve, a Anater possa alcançar a todos os pequenos produtores do País, nas diversas cadeias produtivas, contribuindo para elevar a abrangência e a qualidade da assistência e para o fortalecimento e a promoção do desenvolvimento rural sustentável”, conclui.

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Fonte: Anater/Notícias Agrícolas

Agroenergia

10. Tentativa de extensão de royalties para cana-de-açúcar já em uso expõe CTC

Elevar para 25 anos os royalties das variedades de cana já em uso, adquiridas sob amparo da Lei de Proteção de Cultivares para pagamentos em 15 anos, é um pleito que interessa a todas as desenvolvedoras. Porém, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) está sozinho no impasse com os fornecedores. Depois de mais um ano de crise do setor, com reduzida implantação de cana nova, a empresa está prestes a perder o controle das primeiras linhagens, entre as quais está a “campeã” CTC4. Isso ocorre até mesmo entre os acionistas.

No momento, a CTC4 é a variedade do CTC com maior presença no censo varietal realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Segundo vários agentes do setor, a cultivar é, também, a principal fonte de receita da empresa – comandada por grupos que correspondem a 60% do setor. A variedade, contudo, está protegida até julho de 2020.

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, em 22 de agosto de 2018, o diretor do CTC, Viller Janeiro, admitiu que havia necessidade de retroagir nas mudanças da lei para dar equilíbrio financeiro às desenvolvedoras. Ele ainda afirmou que o atual tempo de vigência dos royalties “mal corresponde” ao tempo de maturidade comercial de uma variedade de cana.

Na última quinta-feira (30), em reunião no Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), houve uma rodada de discussão com representantes do setor. Na ocasião, o CTC insistiu no argumento. Isso pouco mais de um mês após o BandesPar – braço de participações do BNDES – garantir a liberação de quase R$ 100 milhões à empresa de pesquisa.

O secretário de Políticas Agrícolas do Ministério, Eduardo Sampaio, sugeriu ao grupo das entidades presentes que fossem realizadas outras reuniões. O objetivo é chegar a um acordo, que será levado ao Congresso.

Mais prazo para novas variedades

A discução sobre o futuro de novas variedades envolve uma forma de garantir que CTC, Ridesa (Rede Interuniversitária) e IAC terão no futuro da canavicultura. Com isso, mesmo os principais opositores às mudanças propostas no Congresso estão dando apoio à extensão de 25 anos de direitos aos novos cultivares.

A Federação dos Plantadores de Cana do Brasi (Feplana) e a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), únicas entidades de fornecedores presentes à reunião no Mapa, reiteraram a disposição. O argumento é que os custos com pesquisas precisam de maior garantia de retorno comercial, sob pena de desincentivo às pesquisas.

Contudo, a discussão em relação às variedades que já estão no mercado é vista pelas entidades como uma insegurança jurídica, pois imputaria mais despesas para quem contratou as variedades por 15 anos. Afinal, muitas dessas usinas e seus fornecedores não teriam colocado em seus planejamentos a aquisição de novas mudas.

Em contrapartida, a Ridesa, com variedades que ocupam mais de 60% da área plantada de cana no Brasil, estaria entre as mais beneficiadas por uma possível mudança, pois possui mais cultivares prestes a sair do ciclo de proteção.

Andanças no Congresso

Desde que o relatório do ex-deputado Nilson Leitão chegou à Comissão da Câmara que analisava o Projeto de Lei 827/15, que prevê alteração à Lei de Cultivares, a matéria vem sofrendo pressão maior das empresas desenvolvedoras de cana-de-açúcar.

A discussão sobre a extensão da propriedade intelectual dos 15 para 25 anos teve apoio em outro PL, o 8926/17, do então deputado e agora eleito senador Luis Carlos Heinze (PP-RS). Depois, outro PL do senador Givago Tenório (PP-AL) entrou em debate.

Por pressão das desenvolvedoras de variedades, de acordo com fontes do setor, há uma tentativa de estender o pagamento de royalties sobre todas as variedades já no campo e que ainda não tiveram a propriedade intelectual desprotegida.

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Fonte: Notícias Agrícolas/NovaCana

11. Consumo de etanol hidratado é recorde em 2018

O consumo de etanol hidratado no Brasil atingiu 19,39 bilhões de litros em 2018, alta de 42% sobre o total de 13,64 bilhões de litros de 2017 e um recorde histórico. As maiores demandas anuais anteriores pelo biocombustível tinham sido em 2015, com 17,86 bilhões de litros, antigo recorde, e em 2009, com 16,47 bilhões de litros. Os dados, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foram compilados e divulgados nesta terça-feira (05/02) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A disparada no consumo de hidratado minimizou o recuo de 3,31% na demanda total de combustíveis do ciclo Otto - gasolina e etanol - no País, de 53,69 bilhões para 51,92 bilhões de litros entre 2017 e 2018. A queda, portanto, foi causada pela gasolina C (gasolina pura com até 27% de etanol anidro), que registrou recuo de 13,13% no consumo do ano passado no País.Segundo a entidade, o aumento do consumo de hidratado ocorreu por causa da maior produção de etanol e competitividade entre o biocombustível utilizado diretamente nos veículos flex fuel e a gasolina.

"Esse cenário decorre da ampliação da oferta do biocombustível, conjuntamente a um contexto externo favorável com a elevada cotação do petróleo no mercado internacional e uma taxa de câmbio desvalorizada. Esses dois últimos fatores impactaram fortemente o preço da gasolina na refinaria, encarecendo-o", justificou a Unica, em nota.

A paridade média entre hidratado e gasolina nos postos observada em 2018 foi de 66%, a melhor registrada na década, ante 70,7% em 2017. Por ter menor poder calorífico, o etanol deve ter um preço limite de 70% do derivado de petróleo nos postos para ser considerado vantajoso. Segundo a Unica, em pelo menos 17 Estados brasileiros os preços indicaram as melhores condições relativas nos últimos 10 anos e em dez unidades da federação houve também recorde de consumo do hidratado em toda a série histórica.

Destaques para São Paulo, com consumo de 9,95 bilhões de litros em 2018, Minas Gerais, com 2,49 bilhões de litros, e Goiás, com 1,51 bilhão de litros. Os três maiores produtores do País concentraram quase 70% de todo volume demandado de hidratado no ano passado. Os demais Estados que tiveram recorde de consumo foram Amazonas, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.Com o recorde de demanda pelo biocombustível, a participação do etanol total (hidratado e anidro) na matriz de combustíveis utilizados pela frota de veículos de passeio e de carga leve (ciclo Otto - em gasolina equivalente) atingiu 46% em 2018, a maior desde 2009. Em Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, o etanol foi responsável por abastecer mais da metade da matriz de transportes leves, com 60,9%, 65,7%, 50,9% e 60%, respectivamente.

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Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

12. [Cepea] Média de preço do açúcar cristal em São Paulo sobe 0,4% em janeiro

As cotações do açúcar cristal no mercado spot paulista tiveram leve aumento entre janeiro e dezembro, segundo dados do Cepea. A média do Indicador do açúcar cristal Cepea/Esalq (São Paulo) foi de R$ 68,83/saca de 50 kg em janeiro, elevação de 0,38% na comparação com a do último mês de 2018 (R$ 68,57/saca).

De acordo com os pesquisadores, especificamente nos últimos sete dias, os valores praticados no spot se mantiveram no patamar dos R$ 69,00 por saca de 50 kg devido à baixa demanda e à disponibilidade restrita. De 28 de janeiro a 4 de fevereiro, o Indicador do açúcar cristal Cepea/Esalq, cor Icumsa de 130 a 180, mercado paulista, subiu 1,23%, a R$ 69,92/saca de 50 kg nessa segunda-feira.

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Fonte: Cepea/Esalq/NovaCana

Grãos e Grandes Culturas

13. EUA: preço mais baixo da soja deve levar produtor a reduzir área semeada

Cerca de um quarto dos agricultores norte-americanos que plantaram soja no ano passado planeja reduzir a área destinada à oleaginosa neste ano por causa da perspectiva de preços mais baixos. É o que mostra pesquisa mensal da Purdue University e da CME Group. De acordo com os dados do levantamento, 8% dos produtores estão dispostos a aumentar a área plantada, enquanto 67% devem manter o tamanho da lavoura. Entre os ouvidos, 43% disseram esperar que o contrato da soja com vencimento em novembro/19 caia baixo de US$ 8,50 por bushel até o meio do ano. Hoje, esse vencimento é negociado a US$ 9,57/bushel.

Em outra pesquisa, a Purdue University revelou que os agricultores dos Estados Unidos estão mais otimistas em relação à economia agrícola, mas ainda estão preocupados com os valores das propriedades rurais. O levantamento de janeiro registrou aumento de 16 pontos na confiança dos produtores em relação à pesquisa de dezembro.

O relatório mensura o otimismo dos agricultores após o anúncio da segunda rodada de pagamentos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para compensar as perdas pela disputa comercial com a China e a aprovação da Farm Bill, a lei agrícola, no ano passado. "Parece que esses dois anúncios deram um impulso significativo ao sentimento do produtor em relação às condições econômicas atuais e futuras", disse o diretor do Centro de Agricultura Comercial da Purdue, James Mintert. Do total de 400 entrevistados, 13% esperam valores mais altos para as terras agrícolas nos próximos 12 meses, enquanto 48% acreditam na valorização das propriedades em cinco anos.

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Fonte: Agrolink

14. Fava Neves: “Guarde soja, pois viés é de alta”

Na avaliação de Marcos Fava Neves, especialista em planejamento estratégico do agronegócio, o momento não é de vender toda a soja disponível. “ Eu, se tivesse, venderia apenas para quitar os investimentos (custos) e guardaria parte da produção, pois meu viés é de alta”, afirma o também professor das Faculdades de Administração da USP e da FGV.

“Fico preocupado pois estamos com problemas no clima afetando a produtividade e produção da soja e do milho, a falta de chuvas em algumas regiões está dificultando o semear da segunda safra, e quanto mais tarde for semeada, mais risco corre de geadas e secas. Podemos ter algum evento climático ainda nesta fase final no Brasil e na Argentina, e os comportamentos de plantio nos EUA mostram até agora menos soja”, justifica.

De acordo com o especialista, boa parte da soja brasileira seguirá para a China, cujas importações são estimadas em 87 milhões de toneladas: “Praticamente está fechado o fluxo de soja entre os EUA e a China. Em dezembro foram importadas apenas 70 mil toneladas, contra 6,2 milhões no ano anterior. 2018 foi o pior dos últimos 10 anos. A análise do ano mostra importações de 16,6 milhões de toneladas, menos da metade das 33 milhões de 2017. Do Brasil em dezembro apenas a China comprou 2,43 milhões de toneladas a mais que o mesmo mês de 2017. A tarifa de 25% começou em junho”.

Fava Neves aponta ainda que o cenário é de “estabilidade nos números” da economia brasileira, mas há preocupações com a capacidade do novo Governo em aprovar as reformas necessárias, que sumiram da mídia graças ao triste episódio de Brumadinho, que arrasou todo o país moralmente. O último Relatório Focus do BC coloca o crescimento do PIB em 2019 em 2,53% e 2,60% em 2020. O câmbio em 3,75 e 3,78 respectivamente para os dois anos, a taxa de inflação em 4% para os dois anos, e a taxa Selic em 7,0 e 8,0%, respectivamente. “Tanto na arena mundial como no Brasil são números um pouco piores que os anteriores, mas ainda positivos ao agro, pois tem crescimento pela frente”, conclui.

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Fonte: Agrolink

15. Agricultores de Mato Grosso ameaçam parar de plantar milho

Existe uma campanha para que o agricultor mato-grossense não plante milho em 2020, caso o governo estadual não desista da cobrança do Fundo de Transporte e Habitação (Fethab). A iniciativa é encabeçada pelo presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Antônio Galvan.

A partir de fevereiro, para cada tonelada de milho vendida para fora do estado, o agricultor terá que pagar cerca de R$ 8,33. O imposto está tirando o sono de produtores, que veem as margens de lucro apertarem cada vez mais. “O custo de produção do milho por hectare é de 90 sacas. Hoje, quando se colhe bem, conseguimos entre 100 e 120 sacas por hectare. Mas, muitas vezes, não dá essa média na área inteira. Uma parte da lavoura te dá lucro e outra pode chegar a dar prejuízo”, conta o produtor Giovani Fritz, de Jaciara (MT).

Fritz reclama que o governo nunca atua a favor do agricultor e, agora, taxa o milho segunda safra, considerada cultura de risco. “Pelo menos 50% das áreas terão que ser abandonadas, porque você planta nas melhores”, diz. Ele diminuiu a área plantada em 15% — nesta temporada, o cereal ocupará 3.000 mil hectares.

Revoltado, o presidente do Sindicato Rural de Jaciara, Rogerio Berwanger, diz que o governo está colocando todo o peso sobre um único setor. “Querem sacrificar um setor porque é mais fácil, porque tem menos mobilização”, afirma. De acordo com o dirigente, o sindicato não vê o Fethab com bons olhos nem no curto e nem no longo prazo.

Berwanger recomenda que o produtor repense o que vai plantar. “De repente, deixar umas áreas em pousio, fazer uma reestruturação de solo. Pensar de novo para não aumentar muito a área e ficar sem remuneração”, sugere.

Galvan provoca: “Para que plantar milho? Se deixarmos o solo preparado para a soja, fizermos a quinta palhada, uma rotação de cultura melhor, vamos produzir mais soja no outro ano. Quero saber para que o produtor precisa plantar milho?”, indaga.

Efeito em cadeia

A possibilidade de redução drástica da área de milho em Mato Grosso deixa em alerta quem depende do grão no mercado interno, como a cadeia da suinocultura.

De acordo com o diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrimat), Custódio Rodrigues, os reflexos da nova taxação sobre o cereal traz consequências preocupantes para o setor, que demanda aproximadamente um milhão de sacas ou 70 mil toneladas por ano.

“Os custos de produção gira em torno de R$ 2,90 a R$ 3,05, e estamos vendendo suíno a R$ 2,90 a R$ 3, praticamente empatando. Em um passado muito próximo, vendíamos suíno a R$ 2,60 ou R$ 2,55, muito aquém do gasto”, explica Rodrigues.

O diretor da Acrimat explica que o setor está longe dos centros para levar a carne e também das produções de milho fora do estado. “Se tivermos que buscar milho na Argentina, no Paraguai ou nos próprios estados do Sul, o frete não compensa. A chance de suinocultores deixarem a atividade é bastante grande”, afirma.

Sobre a cobrança do Fethab no milho, Rodrigues diz que é um erro do governo. “Foi um tiro no pé. Isso vai ter um impacto grande não só na suinocultura, como também na avicultura, bovinocultura e outras atividades que geram industrialização de produtos, o que vai impactar a própria população”, alerta.

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Fonte: Canal Rural

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