Conjuntura do Agronegócio

1. Clima adverso fez Índice Ceagesp subir 7,8% em fevereiro

O Índice Ceagesp, que mede o comportamento dos preços de uma cesta de cerca de 150 produtos e serve de referência sobre as oscilações agrícolas no atacado de São Paulo, encerrou fevereiro com variação positiva de 7,75% e ampliou para 16,64% a alta acumulada em 12 meses.

Conforme informou a estatal federal, o salto foi puxado por legumes e verduras. Ainda que o primeiro trimestre seja normalmente marcado por calor e chuvas, neste ano as temperaturas e precipitações estão mais elevadas do que a média, o que prejudica a oferta desses itens, sobretudo folhosas.

Nesse contexto, as verduras subiram, 42,72%, em média, na comparação entre os preços praticados em fevereiro e em janeiro — a salsa, por exemplo, ficou 87,3% mais cara, ao passo que a couve subiu 84,9% e a alface crespa, 83%. Os legumes registraram valorização média de 16%, com destaque para as altas da abobrinha italiana (73,7%) e do chuchu (47,1%).

O grupo das frutas registrou variação positiva média menor (3,06%), mas houve algumas disparadas importantes, como a do maracujá doce (70,8%) e do morango (33,2%). Os pescados, em contrapartida, registraram queda média de 3,51% na comparação entre fevereiro e janeiro.

Ainda de acordo com a Ceagesp. o volume de produtos comercializados no entreposto da capital paulista caiu 2,35% no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2018, para 520,5 mil toneladas. Em fevereiro foram 247,3 mil toneladas, 9,5% menos que em janeiro em virtude dos problemas climáticos, que continuam neste início de março.

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Fonte: Valor Econômico

2. FAO exige abordagem integrada para alcançar sustentabilidade

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) apresentou uma nova publicação intitulada "Agricultura Sustentável e Alimentação: Uma Abordagem Integrada", que visa reunir as evidências mais avançadas sobre como a agricultura sustentável pode ser continuamente melhorada em diferentes níveis. O livro é o primeiro a observar as ameaças iminentes à segurança alimentar sustentável através de uma perspectiva intersetorial, com a contribuição de 78 especialistas de várias universidades e organizações em todo o mundo.

Na apresentação do documento, José Graziano da Silva, Diretor Geral da FAO, afirmou que "não podemos continuar produzindo alimentos da mesma maneira que fizemos" e que devemos "mudar para uma abordagem mais holística da sustentabilidade". Silva destacou a importância de tornar os quadros políticos corretos para enfrentar os desafios gerados pelas alterações climáticas e pela crescente população. Ele também enfatizou que a única maneira de se mover nessa direção é revisar a legislação atual.

Em seu discurso, ele afirmou que as políticas são necessárias, sobretudo para enfrentar os conflitos de interesse que inevitavelmente surgem em meio à necessidade de mudança. O livro está estruturado em 48 capítulos e cinco seções, cobrindo tópicos que variam desde demografia e pobreza rural até biodiversidade e escassez de água, incluindo exemplos viáveis de como aumentar a produtividade agrícola através da integração de diferentes setores, sem prejudicar e até aumentar o capital social e ambiental existente.

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Fonte: Agrolink

3. Freio na economia mundial pode segurar ritmo do agronegócio do Brasil

As mais recentes previsões para a economia mundial mostram que o mundo vai crescer menos do que se previa.

As exportações do agronegócio brasileiro podem sofrer, pelo menos nos produtos que não são alimentos, como celulose e madeiras.

Renda e emprego são importantes para a manutenção da demanda mundial de alimentos, com maior ênfase em países que começam a mudar de patamar na alimentação. O Brasil tem, porém, um leque muito grande de produtos para oferecer ao mercado.

Como mostram dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de novembro, e divulgados na semana passada, as reduções mais acentuadas deverão ocorrer em vários parceiros importantes para o agronegócio brasileiro.

A China fica com 37% das exportações brasileiras, e as perspectivas do PIB (Produto Interno Bruto) do país já são menores do que se previa. Soja, carnes e celulose lideram as exportações brasileiras para os chineses.

A economia do gigante asiático deverá crescer 6,2% neste ano, abaixo dos 6,6% de 2018. Nesse contexto, as importações de celulose são incertas, mas as de carnes sobem, devido à demanda crescente do país.

A região da Europa, a segundo maior parceira do agronegócio brasileiro, enfrenta situação ainda mais restritiva do que a da China.

Vários países europeus que estão no ranking dos principais importadores de produtos agropecuários do Brasil vão ter uma economia mais restritiva. A evolução do PIB na zona do euro deverá recuar para 1%, após ter atingido 1,8% em 2018.

Entre esses países, está a Alemanha. Os alemães têm uma dependência da economia chinesa. O crescimento menor do país asiático interfere na economia alemã. Esta, por sua vez, é muito importante para o desenvolvimento de outros países da região, entre eles a Itália.

O desenrolar da complementação dessas economias é importante para o Brasil porque China e União Europeia ficam com grande parte dos grãos e das carnes do Brasil.

Japão, Coreia do Sul e Arábia Saudita também entraram nessa lista da OCDE de ritmo menor de crescimento. Juntos, os três ficam com 6% do que o Brasil exporta no setor.

O PIB dos Estados Unidos também cai em relação ao de 2018, mas em ritmo menor. Os americanos, porém, devem ter influência-chave para o agronegócio brasileiro.

Os Estados Unidos estão com déficit comercial recorde, e um dos motivos é a perda de presença dos produtos agrícolas do país no exterior.

Os americanos vão tentar reduzir parte desse déficit —quando houver um acerto nas pendências comerciais com a China— aumentando as exportações desse setor.

Os déficits dos americanos com os chineses e mexicanos foram recordes. Esses dois países, importantes para o agronegócio, estarão entre os objetivos dos EUA.

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Fonte: Folha de S. Paulo/Udop

Insumos

4. Boas perspectivas para a safra garantem aumento das vendas de máquinas

A confiança dos produtores de grãos em relação à comercialização de suas colheitas nesta safra 2018/19 garantiu o aumento das vendas de máquinas agrícolas no país em fevereiro. Foi o que afirmou na manhã de hoje Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), na tradicional entrevista coletiva da entidade sobre os resultados mensais dessa indústria.

Segundo a Anfavea, foram comercializadas 2.874 unidades no mês passado, 7,9% mais que em janeiro e resultado 19,8% superior que o de fevereiro de 2018. Os números incluem tratores, colheitadeiras de grãos, colhedoras de cana e também retroescavadeiras, que representam menos de 10% do total.

“Os preços das commodities estão bem e a produção [de grãos] no Paraná e em Mato Grosso não foi tão impactada como achávamos que seria”, afirmou Miguel Neto. Ainda assim, os produtores têm três preocupações que podem afetar o ritmo das vendas neste e nos próximos meses: a falta de recursos nas linhas de crédito que financiam a aquisição de máquinas agrícolas nesta temporada 2018/19, as incertezas sobre a oferta de crédito em geral para médios e grandes produtores no Plano Safra 2019/20 e os rumos da política econômica no país.

“Até o momento a gente não sabe como será a transição [entre o atual Plano Safra e o próximo no que diz respeito ao cédito subsidiado concedido aos grandes produtores] nem se haverá alteração na política voltada ao setor agrícola. O que esperamos é que o produtor possa continuar recebendo o suporte necessário para continuar fazendo investimentos”, disse Miguel Neto.

Ele avaliou como preocupante essa indefinição em meio às principais feiras agrícolas do país, importantes canais de negociação de tratores colheitadeiras de grãos e colhedoras de cana, entre outros equipamentos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, começou hoje a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, e em abril acontecerá a Feira Internacional de Tecnologia em Ação (Agrishow), em Ribeirão Preto (SP), entre outros eventos espalhados pelo país.

“É preocupante e não sabemos como os produtores vão reagir à medida que não há um crédito barato no mercado para que ele possa fazer esses investimentos. No entanto, há uma boa oportunidade de remuneração para a soja, por exemplo, e o produtor deve aproveitar”, disse Miguel Neto.

Ainda conforme a Anfavea, as exportações continuaram fracas em fevereiro, em boa medida graças à crise cambial argentina. Alcançaram 834 unidades em fevereiro, 12,7% mais que em janeiro mas quantidade 10,6% inferior à de fevereiro do ano passado. E a produção brasileira de máquinas agrícolas e rodoviárias somou 3.507 unidades, 20,7% mais que em janeiro mas 10,2% abaixo de fevereiro de 2018.

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Fonte: Valor Econômico

5. Demanda por crédito rural segue aquecida

O montante de crédito rural desembolsado pelos bancos nos oito primeiros meses desta safra 2018/19 (entre julho do ano passado a fevereiro último) alcançou R$ 119,5 bilhões, alta de 12% em relação ao mesmo período da temporada anterior, informou ontem o Ministério da Agricultura com base em dados do Banco Central.

Apenas a agricultura empresarial tomou R$ 101,6 bilhões, mais da metade do montante disponibilizado pelo Plano Safra (de R$ 191 bilhões) e 11% a mais que em igual período do ciclo 2017/18. Mas a concessão de financiamentos a pequenos agricultores pelas linhas do Pronaf também está em forte ritmo e já cresceu 21%, para R$ 17,8 bilhões. Esse resultado representa 67% do total de recursos disponibilizados pelo governo para essa frente.

Assim, no total, pequenos, médios e grandes contrataram até agora 53% do pacote de crédito rural que o governo colocou à disposição em 2018/19 (R$ 217,7 bilhões).

A demanda por crédito para investimento atingiu R$ 22,2 bilhões, um crescimento de 24%, enquanto nas operações de comercialização o montante atingiu R$ 17,7 bilhões, 3% a mais.

Entre as linhas do Plano Safra destinadas a investimentos que vêm enfrentando problemas de esgotamento de recursos, o Moderfrota, destinada à aquisição de máquinas agrícolas, já computou desembolsos de R$ 6,28 bilhões, 73% do valor disponibilizado e 42% a mais que no mesmo período da temporada passada. O ritmo de contratações de crédito voltado à armazenagem (PCA) também está grande: já foram contratados R$ 924 milhões, mais que o dobro que em mesmo intervalo do ciclo anterior.

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Fonte: Valor Econômico

6. Amaggi e tradings ABCD consideram operar BR-163 e Ferrogrão

As quatro grandes tradings de commodities agrícolas do mundo e a brasileira Amaggi poderiam tornar-se operadoras da BR-163, no trecho da rodovia que liga o cinturão de grãos do país aos portos do Norte, ao mesmo tempo que consideram um investimento em uma ferrovia a ser construída na região.

Segundo a EDLP, empresa de desenvolvimento de negócios de infraestrutura e logística, a Archer Daniels Midland (ADM), a Bunge, a Cargill, a Louis Dreyfus e a Amaggi encomendaram um estudo técnico sobre a concessão, por um período de 10 anos, de um trecho de 968 quilômetros da BR-163, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA).

Essa rodovia é a principal rota de escoamento de grãos até os portos do chamado Arco Norte, responsável por 28 por cento das exportações brasileiras de soja e milho em 2018, dobrando sua participação nos últimos oito anos.

ADM, Bunge, LDC e Amaggi não responderam imediatamente às solicitações de comentários. A Cargill direcionou questionamentos à EDLP.

Roberto Meira, diretor da EDLP, disse à Reuters que o modelo proposto para entregar a rodovia a investidores privados será apresentado ao governo ainda nesta semana. O plano envolveria convencer o governo a oferecer uma concessão de dez anos da estrada, muito mais curta do que o período típico de 20 a 30 anos dos projetos que estão próximos de ir à leilão.

O Ministério da Infraestrutura já disse que pretende buscar um concessionário para operar a rodovia BR-163, mas os detalhes ainda precisam ser anunciados.

O menor prazo se daria pelo fato de que os grãos transportados por caminhão seriam gradualmente migrados --a partir de 2025-- para a ferrovia Ferrogrão, que seguiria uma rota similar à BR-163, disse Meira.

O secretário de privatizações do governo disse em janeiro que o projeto ferroviário Ferrogrão poderia estar pronto para ser licitado este ano ou no início de 2020.

Meira disse que as tradings de grãos poderiam investir capital próprio tanto no projeto da rodovia quanto no da ferrovia, embora a concorrência possa atrair outros investidores.

Ele disse que as companhias esperam fazer investimentos logísticos para cortar custos e reduzir os problemas relacionados ao transporte de grãos no sentido norte enquanto a ferrovia não é construída.

Todos os anos, longas filas de caminhões se formam em certas cidades nos Estados de Mato Grosso e Pará, devido ao mau estado da BR-163.

Na semana passada, dois portos no Pará ficaram quase sem soja devido a fechamentos na rodovia BR-163 depois que chuvas e tráfego pesado bloquearam trechos da estrada, reforçando os gargalos de infraestrutura do maior exportador de soja do mundo.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, disse recentemente que os trechos não pavimentados da BR-163, que geraram os problemas na semana passada, deverão ser asfaltados ainda este ano, o que permitiria o melhor escoamento da safra do próximo ano.

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Fonte: Reuters/Notícias Agrícolas

Proteína Animal

7. Marfrig assume controle indireto de outro frigorífico nos EUA

Com um desembolso líquido de somente US$ 16,5 milhões (cerca de R$ 63 milhões), a Marfrig Global Foods, segunda maior indústria de carne bovina do mundo, vai assumir, indiretamente, o controle do Iowa Premium, frigorífico americano que fatura cerca de US$ 700 milhões por ano. O negócio deve significar um acréscimo de quase R$ 2,7 bilhões à receita líquida de R$ 40 bilhões do grupo brasileiro.

A aquisição, anunciada ontem, será feita por meio da National Beef, companhia americana de carne bovina na qual a Marfrig tem 51% de participação desde o ano passado.

Na prática, a compra do Iowa Premium, que pertence à gigante americana de distribuição de alimentos Sycso, custará em torno de US$ 150 milhões à National Beef. O negócio será financiado pelos acionistas da empresa americana, que realizarão um aumento de capital.

Além da controladora Marfrig, a firma de investimentos Jefferies Group detém 31% de participação na National. O restante das ações pertence à associação de pecuaristas US Premium Beef. Com a divisão proporcional entre os acionistas, a Marfrig investirá US$ 76,5 milhões no aumento de capital - o equivalente à participação de 51%.

Paralelamente à compra do Iowa Premium, a Marfrig está vendendo a megafábrica de hambúrguer que possui em Ohio para a National Beef, por US$ 60 milhões. Por isso, o desembolso líquido da operação é menor para a Marfrig.

A intenção da transação é manter o controle da operação e, ao mesmo tempo, manter o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) da Marfrig controlado. Em dezembro, esse índice chegou a 2,39 vezes - o mais baixo entre os frigoríficos brasileiros com ações na bolsa. Há duas semanas, o presidente-executivo da Marfrig, Eduardo Miron, já havia indicado a analistas que a empresa considerava novas aquisições, desde que elas não afetassem os índices de endividamento do grupo.

Em entrevista exclusiva ao Valor, o CEO da National Beef, Tim Klein, enfatizou a diversificação geográfica permitida pela aquisição do Iowa Premium. Até então, a National só tinha operações em Kansas. Com o negócio, migra para uma região mais ao norte dos EUA, localizada no cinturão agrícola do país.

"É muito animador", afirmou o executivo, que também é sócio da National. De acordo com Klein, o Iowa Premium produz carne com o "gado de melhor qualidade dos EUA". A empresa é especializada na raça angus e na comercialização de carne bovina "prime" e "choice". São as classificações de carcaça mais valorizadas no mercado americano. A classificação segue o parâmetro definido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A expectativa do CEO da National é que a compra do Iowa Premium seja aprovada pelas autoridades antitruste dos EUA em 30 dias. De acordo com ele, não há sobreposição entre as operações das duas empresas. A aquisição aumentará a participação da National no mercado americano de carne bovina de 12,7% para 14%. A empresa é a quarta maior indústria do setor nos EUA, somente atrás das americanas Tyson e Cargill e da brasileira JBS.

De acordo com Klein, a capacidade de abate da National será ampliada em quase 10% com a compra do Iowa Premium. Nos dois abatedouros de bovinos que a empresa já possuía podem ser abatidas 12 mil cabeças de gado por dia. O frigorífico do Iowa tem capacidade de abate de 1,1 mil bovinos por dia. A aposta de Klein com a aquisição é que o cenário de ampla oferta de gado nos EUA vai se estender por três anos.

Notícia na ítnegra

Fonte: Valor Econômico

8. 'É uma chance de ouro para o país'

Mais do que representar uma oportunidade temporária para os frigoríficos brasileiros ampliarem suas exportações de carne suína, a crise sanitária que afeta o segmento na China é uma chance de o país mostrar ao parceiro que pode ser um fornecedor confiável e duradouro, com reflexos de longo prazo que podem representar um expressivo fortalecimento dessa cadeia produtiva.

É o que pensa Alexandre Mendonça de Barros, sócio-diretor da consultoria MB Agro, um dos primeiros "agroeconomistas" brasileiros a chamar a atenção para o tamanho do problema chinês, no início do segundo semestre do ano passado. "É uma chance de ouro", disse recentemente ao Valor durante entrevista sobre o lançamento do "Outlook Fiesp - Projeções para o Agronegócio Brasileiro 2028", trabalho no qual a MB Agro é parceira da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

O trabalho lembrou que, antes do início do novo surto, a produção chinesa de carne suína vinha se recuperando da forte queda observada em 2014 e 2016, por questões sanitárias que buscavam melhorar a qualidade da oferta local, mas que os níveis considerados normais ainda não haviam sido retomados. Estimativas apontam que a produção chinesa deve ter alcançado 55 milhões de toneladas em 2018, mesmo após o sacrifício de quase 1 milhão de animais em decorrência da peste suína africana, ainda 2 milhões a menos que em 2014.

Em contrapartida, um aumento "sustentável" das vendas de carne suína para a China tende a tirar um pouco do peso das exportações brasileiras de soja e farelo de soja para o país asiático, uma vez que o grão e seu derivado são empregados em rações que alimentam aves e suínos. Em parte por causa da peste - mas também em razão da desaceleração do crescimento da economia - o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que as importações chinesas de soja em grão vão recuar para 88 milhões de toneladas nesta safra 2018/19, ante as 94,1 milhões do ciclo 2017/18.

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Fonte: Valor Econômico

9. Exportações de carne de frango chegam a 316,9 mil toneladas em fevereiro

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) alcançaram 316,9 mil toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é 2,2% superior em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 310,2 mil toneladas.

Em receita, o resultado do segundo mês de 2019 é 6,3% maior na comparação com o ano anterior. Foram US$ 526 milhões neste ano, contra US$ 494,9 milhões em relação a fevereiro de 2018.

No bimestre, o saldo das exportações de carne de frango alcançou 598,7 mil toneladas, volume 6,6% menor que as 640,7 mil toneladas embarcadas no mesmo período do ano passado. Em receita, as vendas bimestrais chegaram a US$ 979,1 milhões, resultado 3,6% menor que os US$ 1,015 bilhão gerados em 2018.

O principal destaque do mês é a China, que assumiu a liderança entre os destinos das exportações brasileiras em fevereiro. O mercado chinês importou no período 38,8 mil toneladas, elevando suas compras em 11% em relação ao segundo mês de 2018. No bimestre, a alta das vendas ao mercado chinês alcança 5%, com 72,5 mil toneladas.

A Coreia do Sul, que recentemente habilitou mais 26 plantas exportadoras de aves, também incrementou suas compras. No mês, a elevação chegou a 24%, com 8,2 mil toneladas. No bimestre, a alta é de 6%, com embarques totais de 15,6 mil toneladas.

Abaixo está a lista dos principais destinos das exportações de carne de frango no bimestre. Neste período, a Arábia Saudita segue como principal destino de exportações.

A situação sanitária em países da Ásia, como é o caso da China, decorrente de focos de Peste Suína Africana, pressionou a demanda por diversas proteínas em grandes mercados daquela região. Graças a isto, a receita geral das exportações brasileiras apresentou melhor nível de elevação que o saldo em volumes”, analisa Francisco Turra, presidente da ABPA.

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Fonte: ABPA/Notícias Agrícolas

Agroenergia

10. Usina Batatais estima aumento de 8% na moagem de cana de 2019/20

A Usina Batatais, do empresário Bernardo Biagi e associada à Copersucar, está retomando a moagem de suas duas unidades no interior paulista e espera aumentar o processamento de cana na safra 2019/20, que começa em abril. A estimativa é de um processamento de 7,25 milhões de toneladas, 8% a mais do que o volume da safra 2018/19, informou a companhia, em nota.

Na unidade localizada no município de Batatais, a expectativa é de um ligeiro crescimento na moagem, de 4,059 milhões de toneladas para 4,150 milhões de toneladas. A colheita das lavouras de cana que abastecem a usina deve registrar uma produtividade de 88 toneladas por hectare, 1% a mais do que no ciclo atual.

A produção da unidade Batatais deverá manter o "mix" da safra atual, mais voltada para o etanol. Do total a ser moído de cana, 58% deve ser destinado à produção do biocombustível. Dessa forma, a produção deverá ser de 283,3 mil toneladas de açúcar e 163 milhões de litros de etanol.

Na usina localizada em Lins, a expectativa é de moagem de 3,1 milhões de toneladas de cana.

Na safra 2017/18, a Batatais teve lucro de R$ 139,4 milhões e receita líquida de R$ 1,2 bilhão.

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Fonte: Valor Econômico

11. Brasil e EUA buscarão acordos setoriais, mas taxa sobre etanol é um dos impasses

Os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump devem indicar, na declaração conjunta que farão após o encontro na Casa Branca no próximo dia 18, que os dois países irão trilhar um caminho na direção do livre-comércio. Isso não significa o compromisso de começar a desenhar, agora, negociações de um acordo de livre-comércio entre os dois países. A ideia é avançar em acordos setoriais de facilitação de comércio e convergência regulatória, em pontos em que não haja limitação pelas regras internacionais e nem pelo Mercosul.

Negociadores brasileiros explicam que na visita presidencial de março o objetivo é anunciar o que é possível no curto prazo. O trabalho por um “livre comércio” ficará como horizonte a ser perseguido.

Além disso, a boa vontade e o entusiasmo entre os governos de Donald Trump e Jair Bolsonaro, demonstrado nas recentes visitas de altas autoridades dos Estados Unidos ao Brasil, ainda não destravou questões pontuais e pleitos pendentes na área agropecuária dos dois países.

Os Estados Unidos pedem uma reavaliação da cota de importação de etanol imposta pelo Brasil como medida de proteção e estímulo ao mercado interno. As importações de etanol sem tarifa são hoje limitadas a 150 milhões de litros por trimestre. Para as importações acima do valor estipulado pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), há a incidência de taxa de 20%.

O tema é considerado sensível no Brasil e, para autoridades brasileiras, exige coordenação e conversas com o setor produtivo. Por isso, os negociadores brasileiros não prometeram aos americanos uma solução sobre o tema antes da visita de Bolsonaro a Trump.

Os americanos afirmam que a tarifa não é uma boa sinalização dentro do caminho para um livre-comércio entre os países.

Os Estados Unidos também buscam a abertura do mercado brasileiro para a exportação de carne suína, o que depende de negociações fitossanitárias consideradas mais simples pelas equipes dos dois países do que a demanda relacionada ao etanol.

Do outro lado, o Brasil tenta reabrir nos Estados Unidos o mercado para exportação de carne bovina in natura. Os americanos aumentaram os testes de qualidade sobre a carne fresca importada do Brasil depois da Operação Carne Fraca. Três meses depois da repercussão internacional da operação, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou a medida após testes de qualidade da carne brasileira que entra no país reprovarem a quantidade de abscessos presentes na carne bovina.

Na ocasião, os produtores brasileiros informaram que uma reação à vacina contra febre aftosa teria causado o problema. Desde então, o Brasil entrou em uma longa negociação e submeteu aos Estados Unidos uma série de formulários elaborados pela equipe americana para certificar a qualidade da carne bovina fresca. Autoridades do governo brasileiro trabalham atualmente para agendar uma missão dos americanos ao Brasil, último passo para reabrir o mercado.

Apesar de ser um mercado relativamente novo ao País – e de os EUA não serem os grandes importadores do produto –, a venda para os americanos é vista como importante referência para as operações internacionais.

Livre comércio e o Mercosul

Os EUA não escondem nas negociações com os brasileiros que possuem outras prioridades neste momento na negociação comercial, como a busca de um acordo com a União Europa e China, mas o Brasil aposta na conjuntura favorável nos dois governos para fazer a agenda avançar nas questões comerciais.

De acordo com fontes que participam das tratativas para a visita, a declaração conjunta dos dois presidentes vai ter três pilares: a consagração dos valores comuns, o anúncio de medidas concretas – como o acordo de salvaguardas tecnológicas – e a indicação de um caminho a ser perseguido na relação Brasil-EUA, em que entra a busca pelo livre-comércio.

A eventual negociação de um acordo de livre-comércio – com eliminação de tarifas – com EUA esbarra no Mercosul. Para avançar, o Brasil precisaria negociar o acordo em bloco ou negociar uma exceção para tratar diretamente com os EUA.

“Argentina, Paraguai, Uruguai já queriam negociar acordos sozinhos. Isso é uma coisa que poderá ser revista dentro do Mercosul esse ano se quisermos negociar sozinhos com os EUA ou qualquer outro mercado”, afirmou Renata Amaral, diretora de comércio internacional da BMJ consultores, em debate sobre a relação entre os dois países no think tank Atlantic Council, em Washington.

Enquanto isso, os países trabalharam em acordos pontuais. Um deles, que deverá ser anunciado na visita, é uma facilitação para empresas que importam e exportam em larga escala e frequência. Tanto no Brasil como nos EUA, essas empresas são cadastradas para diminuir as burocracias exigidas nas operações de importação e exportação.

Nos EUA, o cadastro é chamado de “Trusted Traders” – negociadores confiáveis, em tradução livre. O acordo desenhado por Brasil e EUA visa a estabelecer o reconhecimento recíproco entre os países das empresas cadastradas neste sistema. A previsão com o acordo é fazer com que o reconhecimento por um país como “empresário confiável” seja adotado também no outro, e reduza a burocracia.

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Fonte: O Estado de S. Paulo/Novacana

12. Unica defende livre mercado nos EUA para açúcar brasileiro

O setor sucroenergético do Brasil deseja que os Estados Unidos liberem o açúcar brasileiro das tarifas de importação estipuladas por Washington para que o etanol norte-americano passe a entrar no país também sem incidência de taxas, disse à Reuters o novo presidente da associação da indústria Unica.

A declaração se dá antes de viagem do presidente Jair Bolsonaro aos EUA, na segunda metade de março. Além disso, neste ano termina o período no qual Brasília adotou uma taxação para importações de etanol que superem 150 milhões de litros por trimestre, algo que atinge basicamente o produto de milho dos EUA.

A medida passou a valer em setembro de 2017, na esteira de fortes compras de etanol por brasileiros, sendo válida por 24 meses. Caso nenhuma espécie de acordo seja fechado, a tendência é que as importações do biocombustível pelo Brasil passem a ser totalmente taxadas conforme as regras do Mercosul, ou seja, em 20 por cento, sem qualquer cota isenta do imposto.

“Se é para ser livre mercado, eles (EUA) têm de abrir o mercado de açúcar”, disse o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Evandro Gussi, que assumiu o posto em fevereiro, no lugar de Elizabeth Farina.

O Brasil conta com uma cota de 150 mil a 170 mil toneladas de açúcar para exportação aos EUA com taxa de 14 dólares por tonelada. Trata-se de um volume ínfimo se comparado aos mais de 20 milhões de toneladas que o país geralmente embarca em um ano.

Quantidades acima desse limite imposto por Washington são taxadas em mais de 300 dólares por tonelada, o que, segundo a Unica, inviabiliza os embarques.

“É prioridade da Unica assegurar a competitividade dos nossos produtos no cenário internacional. Quanto ao etanol, nossa posição é que todo o volume importado seja taxado. O Brasil tem de ser firme”, disse ele, na última sexta-feira, destacando que o governo Bolsonaro já recebeu as reivindicações do setor, que poderão ser apresentadas na viagem aos EUA.

“Se os Estados Unidos querem abertura de mercado, eles têm que fazer o mesmo, abrindo o mercado para o nosso açúcar. Sem contrapartida real e equânime, não parece haver espaço para negociação”, afirmou Gussi.

Os EUA, no entanto, taxam importações de etanol brasileiro em apenas 2,5 por cento. Uma taxa maior, de 0,54 dólar por galão, existiu até 2011, quando deixou de ser aplicada.

RenovaBio

ormado em Direito pela Faculdade Toledo de Presidente Prudente (SP) e ex-deputado federal, Gussi foi o autor do projeto de lei do RenovaBio, a nova política nacional de biocombustíveis, que está em fase de regulamentação e deve entrar em vigor partir de 2020.

“A ideia do RenovaBio é evitar espasmos e se concentrar em um programa. O setor já corporificou a ideia do etanol e dos CBios para os próximos anos”, destacou ele, referindo-se aos créditos de descarbonização que estarão no cerne do programa.

Pelas regras do RenovaBio, produtores e importadores de biocombustíveis poderão calcular as suas Notas de Eficiência Energético-Ambiental por meio de uma ferramenta chamada RenovaCalc e contratar firmas inspetoras credenciadas pela reguladora ANP para realizar o processo de certificação de sua produção, gerando a partir daí a emissão do Certificado da Produção Eficiente de Biocombustíveis.

Mais adiante, os produtores e importadores certificados poderão solicitar a emissão dos Créditos de Descarbonização (CBios) a que fizerem jus. Tais CBios precisarão ser comprados por distribuidoras de combustíveis para que atinjam metas próprias de descarbonização a serem estipuladas.

A expectativa no governo é de investimentos bilionários no setor de biocombustíveis do país nos próximos anos.

Rivais

Ao assumir a Unica, Gussi destacou que combaterá “práticas anticoncorrenciais contra o açúcar, a exemplo da Índia e da China”.

Atualmente, o Brasil já move ações contra Índia e China na Organização Mundial do Comércio (OMC), por causa de subsídios ao setor local e salvaguardas sobre compras de açúcar brasileiro, respectivamente.

Mas, segunda Gussi, o que o Brasil deseja é mostrar a esses países o potencial da cana-de-açúcar, sobretudo no que tange ao etanol.

“Queremos contribuir com a produtividade deles. Temos de ter postura de generosidade com esses players, porque beneficia todo mundo.”

Conforme ele, ao se ter uma maior “pluralidade” no mercado mundial de etanol, envolvendo países de Ásia e África, por exemplo, será possível transformar o biocombustível de fato numa commodity global.

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Fonte: Reuters/Novacana

Grãos e Grandes Culturas

13. Produtores de tabaco acertam novos preços com Souza Cruz e JTI

Após a terceira rodada de negociação do preço do tabaco para a safra 2018/19, entidades representativas dos produtores rurais de tabaco do Sul do país assinaram protocolo com duas empresas fumageiras: a JTI e a Souza Cruz. Com a Philip Morris não houve acordo.

Com a JTI, o reajuste médio assinado foi de 4,5%. A Souza Cruz, que na reunião de janeiro havia ofertado um reajuste de 3,08%, aumentou esta oferta para 3,5%.

No protocolo, ficou acordado que a tabela de preços da safra 2018/19 servirá de base para o início da negociação de preços para 2019/20.

A comissão não conseguiu assinar protocolo com a Philip Morris por diferenças no cálculo do custo da mão de obra do produtor de tabaco e no percentual de aumento proposto.

A comissão de representação dos produtores de tabaco é formada pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e pelas Federações dos Sindicatos Rurais (Faesc, Faep e Farsul) e Federações dos Trabalhadores Rurais (Fetaesc, Fetaep e Fetag).

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Fonte: Valor Econômico

14. Soja: Chicago aprofunda queda dos preços no Brasil

Dados da pesquisa diária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicaram que a queda de 0,73% do dólar no Brasil e de 0,61% nas cotações da soja em Chicago suplantaram a alta de 5/6 cents nos prêmios pagos nos portos brasileiros nesta segunda-feira (11.03). De acordo com o especialista Luiz Fernando Pacheco, analista da T&F Consultoria Agroeconômica, o recuo foi sentido tanto nos portos, quanto no interior.

“Os preços médios da oleaginosa, levantados diariamente pelo Cepea registraram queda de 0,86% nos portos sobre rodas, fazendo-os recuar para R$ 77,96/saca e -1,16% no interior, para R$ 72,39/saca. Com isto os ganhos da soja nos poucos dias úteis de março recuaram para 0,78% na exportação e para 0,10% no interior”, indica ele.

Pacheco explica ainda que os motivos que estiveram por trás da queda do dólar são o avanço do projeto da reforma da Previdência e o anúncio pelo ministro da Economia de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para desvincular o orçamento e acabar com gastos obrigatórios. Esta última que deve ser entregue ao Congresso nacional em breve, para ser aprovada antes da primeira.

Por outro lado, em Chicago, a queda foi estimulada pela divulgação da informação de que poderia não haver reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e da China no fim de março para firmar um acordo. Os dois líderes estão trabalhando para tentar uma trégua mais duradoura para a disputa comercial travada entre os dois países, que resultou em diversas medidas retaliativas em produtos de exportação.

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Fonte: Agrolink

15. Banana: Vendavais afetam bananais em SP e SC

Novamente, vendavais atingiram bananais em regiões produtoras do País. O último episódio ocorreu principalmente no fim de fevereiro (23 e 24/02), quando fortes ventos resultaram em estragos em produções de banana do Vale do Ribeira (SP) e do Norte de Santa Catarina.

Isso porque as rajadas foram tão intensas que causaram o tombamento de plantas. Além disso, houve quebra do pseudocaule, inviabilizando alguns bananais.

Segundo colaboradores do Hortifruti/Cepea, as perdas ainda não foram totalmente contabilizadas, mas algumas propriedades foram mais afetadas do que outras – com as perdas variando de 10 a 90%, dependendo da situação. Como boa parte das plantas afetadas estava formando cachos, a baixa oferta de nanica atual pode se estender por mais tempo.

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Fonte: Cepea/Esalq/Notícias Agrícolas

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