Conjuntura do Agronegócio

1. Balança tem superávit de US$ 1,737 bilhão na terceira semana de junho

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,737 bilhão na terceira semana de junho. O valor resulta de exportações de US$ 4,466 bilhões e importações de US$ 2,730 bilhões no período. No mês, o saldo positivo soma US$ 4,033 bilhões e, no ano, acumula US$ 26,144 bilhões. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (24) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia (Secex).

A média diária de exportações até a terceira semana somou US$ 967,5 milhões, avanço de 1% sobre junho do ano passado. O desempenho foi sustentado pelo aumento no embarque de básicos (+14,3%), com destaque para petróleo em bruto, minério de ferro, carnes de frango, bovina e suína, algodão em bruto e milho em grãos.

Em contrapartida, as vendas de produtos semimanufaturados e manufaturados encolheram na comparação com junho do ano passado. No primeiro grupo, o recuo de 10,9% foi puxado por semimanufaturados de ferro/aço, celulose, açúcar em bruto, ouro em formas semimanufaturadas, couros e peles e estanho em bruto. Entre os manufaturados, a retração de 5,2% foi liderada por aviões, automóveis de passageiros, torneiras e válvulas, máquinas e aparelhos para terraplanagem, tubos flexíveis de ferro ou aço e laminados planos de ferro ou aço.

A média diária de importações até a terceira semana de junho deste ano somou US$ 679,4 milhões, 0,4% abaixo da média de junho de 2018. Nesse comparativo, decresceram os gastos, principalmente, com farmacêuticos (-20,7%), veículos automóveis e partes (-18,2%), siderúrgicos (-10,7%), plásticos e obras (-7,6%), químicos orgânicos e inorgânicos (-5,2%).

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Fonte: Valor Econômico

2. Novo diretor da FAO terá que equilibrar demandas de ricos e pobres

Eleito ontem com o apoio do Brasil para assumir em agosto a diretoria-geral da FAO, a agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação, Qu Dongyu, atual vice-ministro da Agricultura e dos Assuntos Agrários da China, terá como desafios principais “atender às demandas dos países com um orçamento cada vez mais enxuto e aliar as expectativas de nações ricas e em desenvolvimento”.

É o que afirma, em comunicado, o representante permanente do Brasil na FAO, embaixador Fernando Abreu. “Os países desenvolvidos têm maior interesse na elaboração de normas e procedimentos na área de agricultura e alimentação. Já os países em desenvolvimento têm maior interesse na cooperação técnica entre os países do Sul, mas também na cooperação triangular. E em áreas em que as normas são negociadas e depois deveriam ser implementadas nos seus países”, disse.

Dongyu vai suceder o brasileiro José Graziano da Silva, que ocupou a diretoria-geral nos últimos oito anos, em dois mandatos. “Acho que o Brasil continuará tendo um interesse permanente na FAO, porque isso independe da presença e da nacionalidade de um diretor-geral (...) Não é ele quem determina as orientações e os horizontes da FAO, e sim os países membros, que são 194, que por regra de consenso determinam os programas e os projetos a serem implementados”, diz Abreu.

“Gostaria de ressaltar as palavras da ministra Tereza Cristina [Agricultura] na sua intervenção na conferência [de hoje], que reforçou a importância da inovação. Se não houver inovação, hoje não teríamos recursos para implementarmos políticas e desenvolvermos técnicas para atender à demanda de alimentos. E não só a produção de alimentos é relevante, mas a produção de alimento de boa qualidade. É importante que os alimentos hoje tenham boa qualidade e que sejam produzidos de forma sustentável”, destaca o embaixador no comunicado.

Segundo o Ministério da Agricultura, na 41ª Conferência da FAO, em Roma, Tereza Cristina “defendeu o fim do protecionismo dos países ricos e a regulação do comércio internacional agrícola e de alimentos com base em princípios científicos”. Segundo ela, foi graças à inovação que o Brasil “alcançou crescimento significativo no setor agropecuário nas últimas décadas”.

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Fonte: Valor Econômico

3. Bolsonaro mantém visão de ter demarcação de terras sob Agricultura

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, disse nesta terça-feira que o presidente Jair Bolsonaro mantém o interesse de que fique a cargo do Ministério da Agricultura a demarcação de terras indígenas.

Ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso suspendeu a medida provisória (MP) editada pelo presidente que havia devolvido ao Ministério da Agricultura a atribuição de demarcar terras indígenas. A decisão faz com que a demarcação volte a ser uma atividade exclusiva da Fundação Nacional do Índio (Funai), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segundo Rêgo Barros, o presidente defende a independência entre os poderes, mas está com a “experiência e orientações advindas do MAPA [Ministério da Agricultura]” para continuar com o interesse de que as delimitações fiquem com a pasta.

Ontem, após a decisão de Barroso, a Advocacia-Geral da União afirmou em nota que aguarda que o plenário do Supremo Tribunal Federal aprecie a decisão com urgência. “O advogado-geral da União, André Mendonça, defende que as ações que questionam a MP tenham prioridade na pauta de julgamentos da Corte”, disse.

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Fonte: Valor Econômico

Insumos

4. Setor aprova reforço nos recursos para seguro rural

Entidades do setor de agronegócios minimizaram a alta de até 1 ponto percentual nas taxas de juros do Plano Safra (2019/20), anunciado hoje pelo governo, e comemoraram o volume de R$ 1 bilhão prometido para o programa de subsídios ao seguro rural.

“Como eu vou comemorar aumento de juros? Não dá. Mas tivemos outras medidas no Plano Safra que vão ajudar, como o dinheiro para o seguro. Esse dinheiro sempre foi contingenciado, mas confiamos na ministra Tereza Cristina [Agricultura] de que dessa vez será diferente”, disse ao Valor o diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa.

Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avaliou como positivo o anúncio do maior acesso a fontes alternativas de recursos para o crédito rural, como a emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em dólar. Para o vice-presidente da entidade, Roberto Simões, atrair investimento externo para a agricultura ajuda a recompor o “funding” do setor, que vem demandando cada vez mais recursos.

“Era desejável que fossem um pouco menores [as taxas de juros], porque a Selic anda baixa, mas reconhecemos que houve um esforço de não crescer muito e isso já é razoável”, afirmou Simões. “O anúncio do seguro foi auspicioso. Precisamos de um pouco mais, mas reconhecemos que isso precisa ser paulatinamente. Neste ano, o rico baixará na agricultura com certeza”, afirmou.

O presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Freitas, avaliou que o volume global de recursos lançados pelo Plano Safra, de R$ 222,7 bilhões atenderá às “necessidades” de produtores e cooperativas. E também destacou o esforço do governo em brigar por mais recursos ao seguro.

“Pela primeira vez, temos um seguro rural compatível com o momento que estamos vivendo. Eu acredito que é muito importante para o desenvolvimento de uma agropecuária segura, com mais tranquilidade ao agricultor”, afirmou.

Diante do cenário de aperto fiscal do governo federal, a ministra Tereza Cristina já vinha admitindo nos bastidores que preferiu ganhar a batalha para garantir mais subvenção ao seguro agrícola a perder a tradicional briga entre Agricultura e a equipe econômica sobre juros.

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Fonte: Valo Econômico

5. Bayer recorre de condenação que a obrigou pagar US$ 2 bilhões

A multinacional alemã Bayer está recorrendo a um juiz da Califórnia para reverter a decisão do jurado que a condenou a pagar mais de US$ 2 bilhões a um casal de um homem e uma mulher que dizem que o diagnóstico do linfoma não Hodgkin, uma espécie de câncer, se deveu à exposição ao Roundup — marca comercial do herbicida glifosato, desenvolvido pela Monsanto.

A Bayer diz que o julgamento, concluído em maio, “focou não em determinar a verdade sobre o estado da ciência, causa e cumprimento com os deveres legais, mas ao contrário em vilanizar a Monsanto em abstrato”.

A companhia alemã afirma que as complicações das histórias de saúde dos dois acusadores devem ter causado o câncer, não o herbicida. A empresa ainda culpa os advogados do casal por supostamente ter feito comentários impróprios sobre o ingrediente do Roundup, como o que de “o glifosato está na comida, está em todo o lugar”.

A Bayer argumenta ainda que as acusações do casal não deveriam ter sido agrupadas e que os prejuízos eram excessivos.

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Fonte: Valo Econômico

6. Crédito a juros controlados perde R$ 36 bi no Plano Safra

A gestão de Jair Bolsonaro cumpriu o prometido e acelerou a mudança de perfil do crédito rural que o governo oferece aos produtores rurais do país. Anunciado ontem em Brasília, em cerimônia com a presença de um presidente feliz com o ainda inabalável apoio que tem do setor, o Plano Safra 2019/20 contempla linhas com, no total, R$ 222,7 bilhões, R$ 1,6 bilhão a mais que o da temporada 2018/19, mas reduz em R$ 36,3 bilhões o dinheiro disponível a juros controlados. São os recursos que terão que ser contratados a taxas livres, sobretudo os gerados a partir de emissões de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que farão do próximo o maior Plano Safra da história.

Com a redução do montante disponível a juros controlados, iniciada na era Temer, sua participação no bolo total cairá para 66,5% na safra 2019/20, que terá início em 1º de julho, ante 83,5% em 2018/19. Esses recursos envolvem tanto aqueles cujos juros têm de ser subsidiados como os chamados obrigatórios (depósitos à vista). A redução de R$ 36,3 bilhões virá dos depósitos à vista, em linha com a queda de 34% para 30%, aprovada pelo Banco Central, do percentual que os bancos precisam direcionar de depósitos para o crédito rural. A medida já contribuiu para que os desembolsos de crédito baseados nessa fonte recuassem 41% nos 11 primeiros meses do ciclo 2018/19 9 (julho do ano passado e maio último), para R$ 29,5 bilhões.

A estratégia atende à necessidade do governo de limitar os gastos do Tesouro com a equalização das taxas de juros do plano, que no ciclo 2018/19 alcançaram cerca de R$ 10 bilhões. E força que essa contenção de subsídios entre na conta dos grandes produtores, que têm mais condições de acessar fontes alternativas e para os quais o crédito rural oficial tem menor peso no "funding" total. Economistas como Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, e referências como o ex-ministro Roberto Rodrigues aprovaram esse caminho em entrevistas recentes ao Valor.

"Pela primeira vez, o Tesouro vai reservar quase R$ 5 bilhões para subsidiar o crédito dos pequenos", disse a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na cerimônia de anúncio do novo Plano Safra. É mais da metade do que o governo projeta equalizar (R$ 9,8 bilhões), enquanto nesta temporada 2018/19 a participação deverá ficar em 44%. No caso da agricultura empresarial (médios e grandes produtores), portanto, a participação recuará de 56% para 49,5%. "O Plano Safra é bom para cada um de nós, ele é bom para o Brasil", discursou o presidente no fim do evento.

Do montante total anunciado ontem - que chega a R$ 225,6 bilhões quando somados a verba de R$ 1 bilhão inicialmente reservados ao seguro rural e R$ 1,9 bilhão para apoio à comercialização -, R$ 169,3 bilhões irrigarão linhas de custeio, comercialização e industrialização. Os juros para grandes produtores (receita bruta anual de mais de R$ 2 milhões) serão de 8% ao ano, ante 7% em 2018/19, mas para os de médio porte (receita de R$ 360 mil a R$ 2 milhões) continuará em 6%. Para pequenos produtores também haverá alta, de 3% para 4,6% ao ano. As linhas de investimentos terão R$ 53,4 bilhões, com juros de 3% a 10,5%.

Por meio das linhas do Pronaf, os pequenos produtores terão R$ 31,2 bilhões. No Pronamp, voltado aos médios, serão R$ 50,7 bilhões, ao passo que os grandes produtores terão R$ 69,1 bilhões em recursos com juros livres e R$ 55 bilhões oriundos de captações de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). No total, os financiamentos a juros livres contarão com R$ 74,3 bilhões em 2019/20, quase o dobro do valor de 2018/19.

Como as LCA não contam com subsídios do governo, Tereza Cristina não arriscou estimar as taxas de juros dos empréstimos baseados nessa fonte. Atualmente, afirmou o secretário de Política Agrícola da Pasta, Eduardo Sampaio, essas operações estão com taxas entre 8,5% e 11% ao ano. Os bancos precisam direcionar 35% de suas emissões com LCA para o crédito rural. O Ministério da Agricultura pretendia ampliar o percentual para 50%, mas, segundo Sampaio, o nível atual deverá ser mantido.

Principal linha de crédito subsidiado para investimentos, o Moderfrota, que financia a compra de máquinas agrícolas, terá juros entre 8,5% a 10,5% ao ano, ante a banda de 7,5% a 9,5% de 2018/19. A linha, que conta com recursos do BNDES, terá inicialmente R$ 9,6 bilhões na nova temporada, R$ 700 milhões a mais que em 2018/19. "Conversamos bastante com o setor e preferimos aumentar as taxas, mas garantir mais recursos para o Moderfrota. Os produtores não chegaram a se queixar", afirmou Sampaio.

Segundo ele, se as linhas do Moderfrota tivessem tido uma alta de juros de 1 ponto percentual em 2018/19 na comparação com a temporada anterior, haveria mais dinheiro para atender à demanda crescente por tratores, colheitadeiras e outros equipamentos. Neste ciclo, as indústrias reclamaram que os recursos reservados para o Moderfrota foram insuficientes. As linhas de investimento em geral tiveram um aumento de 1 ponto em suas taxas de juros. Os juros do PCA, destinado à construção de armazéns, por exemplo, subiram de entre 5,25% e 6% para entre 6% e 7% em 2019/20.

Entidades do setor minimizaram a alta de até 1 ponto percentual nas taxas de juros do novo Plano Safra e preferiram comemorar o volume de R$ 1 bilhão prometido para o programa de subsídios ao seguro rural. "Como vou comemorar aumento de juros? Mas tivemos outras medidas que vão ajudar, como o dinheiro para o seguro. Esse dinheiro sempre foi contingenciado, mas confiamos na ministra de que agora será diferente", afirmou ao Valor Fabrício Rosa, diretor executivo da Aprosoja Brasil, que representa produtores de grãos.

Além de também elogiar o reforço para o seguro, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aprovou as fontes alternativas de recursos que estarão à disposição, como a emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em dólar. Para o vice-presidente da entidade, Roberto Simões, atrair investimento externo ajudará a fortalecer o "funding" do setor. "Era desejável que os juros fossem um pouco menores, porque a Selic anda baixa, mas reconhecemos que houve um esforço de não crescer muito e isso já é razoável", afirmou.

O presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Freitas, avaliou que o volume global de recursos anunciados atenderá às "necessidades" de produtores e cooperativas. E disse que o seguro dará tranquilidade ao setor.

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Fonte: Valo Econômico

Proteína Animal

7. Frigoríficos já encaram problema na venda ao Irã

O recrudescimento da crise entre Estados Unidos e Irã já atrapalha os frigoríficos brasileiros que vendem carne bovina ao país persa, segundo fontes do setor privado. No acumulado deste ano, o Irã é o terceiro maior importador da carne nacional, só atrás de China e Hong Kong. Entre janeiro e maio, os exportadores receberam mais de US$ 200 milhões para enviar carne ao mercado iraniano, o que representou quase 8% do total exportado pelos brasileiros.

Ontem, o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma nova rodada de sanções ao Irã. Na última semana, a tensão entre os dois países se intensificou após a derrubada, pelos iranianos, de um drone dos EUA. Washington chegou a preparar um ataque militar ao território iraniano, mas Trump abortou a ofensiva na última hora.

Para os frigoríficos brasileiros, a escalada no conflito diplomático reforçou a decisão dos exportadores de colocar o pé no freio. Ao Valor, o dono de um frigorífico de médio porte afirmou que há quase dois meses não fecha novos contratos de exportações para o Irã.

"Faz tempo que eles não fazem novos negócios", ressaltou um executivo de um grande exportador, acrescentando que a redução das vendas reflete a ausência de leilões de importação do órgão estatal iraniano. O país não vem conseguindo ter acesso a divisas.

Além dos reflexos negativos da pressão de Trump, os exportadores de carne bovina enfrentam dificuldades adicionais para conseguir bancos no Brasil que aceitem receber os recursos oriundos do Irã.

No início de maio, funcionários do Banco Paulista foram presos em um desdobramento da Operação Lava-Jato. A instituição financeira era uma das poucas que firmava contratos com os frigoríficos para viabilizar o recebimento dos recursos das vendas ao Irã. "Até por compliance, temos que buscar outros bancos", afirmou outro executivo.

Procurado pelo Valor, o embaixador do Brasil no Irã, Rodrigo de Azeredo Santos, ponderou que ainda é preciso avaliar os impactos das novas sanções americanas. "Vamos aguardar um pouco mais para entender o alcance", afirmou, ressaltando que os produtos agrícolas não estão na lista.

De qualquer forma, a dificuldade em fechar novos contratos tende a aparecer nas estatísticas nos próximos meses, reduzindo o ritmo de crescimento das vendas. Entre janeiro e abril, os embarques diretos de carne bovina para o Irã renderam US$ 114 milhões, somando 32 mil toneladas, segundos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura. Trata-se de uma alta de 12% ante as 28 mil toneladas de igual período do ano passado.

Ao volume de exportações diretas, deve ser somada às vendas indiretas, por via terrestre, a partir de Turquia, Emirados Árabes Unidos e Omã. Os embarques indiretos ao Irã visavam a driblar as restrições dos armadores após as sanções dos Estados Unidos. Segundo dados obtidos pelo Valor, os embarques indiretos de carne bovina ao Irã totalizaram outras 44 mil toneladas nos primeiros cinco meses do ano. Agora, no entanto, até as vendas indiretas começam a ser afetadas, conforme fontes do setor privado.

Se considerada as vendas diretas e indiretas - o Ministério da Agricultura ainda não compilou os números de maio -, os embarques chegam a 85 mil toneladas, segundo uma fonte da indústria.

Além das carnes, o Irã também é um grande comprador de grãos do Brasil. De acordo com os últimos dados compilados pelo Ministério da Agricultura, os iranianos gastaram US$ 829 milhões para comprar produtos agrícolas brasileiros entre janeiro e abril. Desse total, US$ 303 milhões foram gastos para importar soja em grão e US$ 279 milhões para comprar milho.

Assim como os frigoríficos, as tradings que comercializam grãos podem ter as vendas afetadas pelas sanções. Nesse caso, porém, a existência de companhias chinesas, como a Cofco, pode atenuar o problema de fornecimento. A China mantém boas relações com o Irã, fornecendo divisas ao país persa a partir da importação de petróleo.

Notícia na ítnegra

Fonte: Valor Econômico

8. Importações chinesas de carne suína bateram recorde em maio

Em relatório diário, a equipe de pesquisa da corretora XP Investimentos destacou a disparada das importações de carne suína da China, que sofre com os reflexos negativos do surto de peste suína africana. A medida pode beneficiar os frigoríficos do Brasil.

Conforme informou ontem a agência Bloomberg, os chineses importaram um volume recorde de carne suína em maio. No período, as compras dos chineses totalizaram 556,2 mil toneladas de carne suína e miúdos, conforme dados da Administração Geral de Aduanas da China.

Para os frigoríficos brasileiros, a maior demanda da China se reflete positivamente nos preços da carne exportada. Conforme dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o preço médio da carne suína exportada pelo Brasil no acumulado das primeiras três semanas de junho foi de US$ 3.353 por tonelada, valorização de 48,4% ante maio deste ano e de 72,3% sobre o mês de junho do ano passado.

Também em maio, as importações chinesas de soja chegaram a 7,3 milhões de toneladas, queda de 24% na comparação com o mesmo mês de 2018, segundo a Administração Geral de Aduanas. No acumulado de 2019, as importações do grão do país caíram 12%, para 31,7 milhões de toneladas.

De acordo com a agência Reuters, as importações chinesas de soja do Brasil somaram 6,3 milhões de toneladas em maio, o que representou mais de 85% das compras do país asiático. Mas, na comparação com o mesmo mês do ano passado, as compras da China de soja brasileira caíram 31%.

A queda das importações de soja da China reflete o surto de peste suína africana. Como a doença está reduzindo drasticamente o plantel de suínos da China, o maior do mundo, a demanda do país por ração é prejudicada.

No caso do milho, finalmente, as importações da China atingiram 746,5 mil toneladas de milho em maio, queda de 1,1%. Nos cinco primeiros meses de 2019, as compras aumentaram 41%, para 2,4 milhões de toneladas.

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Fonte: Valor Econômico

9. Canadá suspende exportações de carne para a China

O Canadá suspendeu na noite desta terça-feira todas as exportações de carne para a China depois que uma investigação feita por Pequim acusou a existência de certificados forjados em determinadas remessas de carne suína canadense.

A medida afeta o comércio de quase meio bilhão de dólares em carnes e ocorre num momento de aumento das tensões entre Pequim e Ottawa, após a decisão do Canadá de prender uma executivo sênior da Huawei Technologies em dezembro.

A China já havia proibido a importação de sementes canadenses de canola, restringido a importação de produtos suínos de certos frigoríficos e prendido dois cidadãos canadenses por motivos de segurança nacional.

De acordo com um comunicado publicado no site da embaixada chinesa no Canadá, as investigações movidas pela China identificaram "óbvias lacunas de segurança" nas inspeções canadenses de carne exportada. A investigação foi iniciada depois que agentes aduaneiros chineses encontraram vestígios de um aditivo para ração, a ractopamina, em um carregamento de carne suína congelada canadense.

A ractopamina é proibida na China, que proibiu novas remessas de carne de porco de um processador baseado em Quebec.

De acordo com a embaixada chinesa, a investigação descobriu que o certificado veterinário anexado à carne de porco congelada era falsificado, e os investigadores canadenses descobriram outros certificados forjados.

"A fim de proteger a segurança dos consumidores chineses, a China adotou medidas preventivas urgentes e solicitou ao governo canadense a suspensão da emissão de certificados para carne exportada para a China", informou o comunicado da embaixada chinesa no Canadá.

Autoridades canadenses aceitaram o pedido da China, disse o lobby do setor suíno do Canadá em comunicado nesta terça feira.

O Conselho de Carne de Porco do Canadá disse que a medida não foi "o resultado de uma preocupação de segurança alimentar, mas o uso indevido da reputação do Canadá como fornecedor de produtos de qualidade segura". O grupo acrescentou que as partes interessadas da indústria da carne estão em conversações com as autoridades canadenses sobre os próximos passos.

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Fonte: Valor Econômico

Agroenergia

10. Zilor tem prejuízo e equaciona dívidas

Como muitas empresas sucroalcooleiras, a Zilor, que tem três usinas no interior paulista, fez ajustes dentro de casa no ciclo passado para lidar com as adversidades do clima seco e dos baixos preços. Ante a queda de receita e a elevação de custos, que resultaram em mais uma safra de prejuízo, a companhia fez uma reorganização patrimonial e iniciou uma reestruturação financeira que envolveu o alongamento de R$ 1,12 bilhão em dívidas e cuja etapa final acaba de ser concluída.

Na sexta-feira, a Zilor acertou com um sindicato formado por quatro bancos (Itaú, Rabobank, BTG e Banco do Brasil) um empréstimo de R$ 560 milhões, que permitiu a quitação de vencimentos de curto prazo e o alongamento de outros. Se antes a companhia tinha uma pressão sobre seu caixa de R$ 800 milhões em dívidas de curto prazo, agora tem carência de dois anos para empréstimos com esses bancos.

No fim da safra 2018/19, a companhia já havia acertado com os mesmos bancos a emissão de debêntures, também no valor de R$ 560 milhões, que tiveram a mesma função de alongar os prazos. Os títulos, não conversíveis, terão vencimento a partir de 2021 e até 2025, e terão pagamento semestral.

As operações melhoram a liquidez, que se tornou um problema no balanço final da última safra, quando a Zilor descumpriu uma cláusula ("covenant") com o Itaú. "Em dezembro já tínhamos sinalizado esse comportamento, e que precisávamos reorganizar a estrutura de capital", disse Fabiano Zillo, presidente da companhia, ao Valor. Com a emissão das debêntures, a Zilor reconfigurou suas cláusulas, incluindo uma previsão de que os acionistas atrelassem a distribuição de dividendos com base no índice de liquidez.

Nesta safra, a companhia não distribuirá dividendos, já que encerrou o ciclo 2018/19 com prejuízo de R$ 8,3 milhões. Embora siga no vermelho, o prejuízo da safra anterior foi de R$ 43 milhões.

Colaborou para o resultado a injeção de R$ 77,8 milhões do repasse do precatório do IAA pela Copersucar (líquido de despesas e impostos). A receita líquida da Zilor caiu 3%, para R$ 1,895 bilhão, diante da menor venda de açúcar. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cedeu 20%, para R$ 374 milhões.

Já a Biorigin, negócio de ingredientes naturais para a alimentação humana e animal controlado pela Zilor, que conta com três plantas, teve um salto de vendas com novos clientes e produtos. A receita subiu 37%, para R$ 499,2 milhões, superando a do açúcar (R$ 401 milhões).

A reestruturação financeira ainda não terminou. A Zilor realiza agora uma operação no mercado de capitais que pode ser realizada ao longo deste ano.

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Fonte: Valor Econômico

11. Produção de etanol da São Martinho deve ser igual ou menor que a do ano passado

A produção de etanol da São Martinho em 2019/20 deve ser igual à da safra anterior ou ficar abaixo desse nível, afirmou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Felipe Vicchiato.

Em teleconferência com investidores, ele afirmou: “Achamos que a produção de etanol deve ficar igual ou menor à do ano passado, até porque o volume de cana não deve subir muito no Brasil”.

Conforme projeção divulgada pela companhia para a safra 2019/20, o volume de etanol produzido pela São Martinho deve ficar entre 915 milhões e 1,15 bilhão de litros, ante o volume de 1,10 bilhão de litros em 2018/19.

Vicchiato afirmou que, na comparação anual, houve aumento de 3% no preço do etanol nos meses de abril e maio, embora os preços no primeiro trimestre tenham sido ruins. Ele disse ainda que a produção inicial da safra da São Martinho foi toda dedicada ao etanol, justamente por causa do preço mais interessante nos últimos meses.

Entretanto, segundo o executivo, a partir da segunda quinzena de junho, o mix foi mais açucareiro. Segundo Vicchiato, se os preços do açúcar continuarem entre R$ 1.200 e R$ 1.250 a tonelada, “provavelmente vamos virar o mix mais para o açúcar”. Ele lembrou, porém, que a definição dependerá também dos preços do petróleo.

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Fonte: Agência Estado/NovaCana

12. Com perdas, ED&F Man planeja vender ativos de açúcar

A trading de commodities ED&F Man Holdings planeja vender alguns de seus ativos de açúcar em meio aos desafios para obter lucro com as margens apertadas do setor, segundo pessoas a par do assunto.

A trading londrina planeja vender ativos de açúcar com fraco desempenho, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque os planos são confidenciais. A divisão de agroindústria da ED&F Man, que engloba os ativos, teve prejuízo nos seis meses encerrados em 31 de março, repetindo o resultado negativo no mesmo período há um ano, disseram as pessoas.

Um porta-voz da ED&F Man disse que a empresa não comenta “especulações do setor”. “Como seria de esperar, avaliamos continuamente nossos negócios e operações e exploramos as possíveis oportunidades que possam surgir”, disse em e-mail à Bloomberg News.

Tradings de açúcar encontram obstáculos para obter lucro diante do aumento da produção em diversos países, como Índia e Tailândia, o que reduziu preços e a volatilidade. O número de empresas que comercializam a commodity também cresceu, aumentando a concorrência e encolhendo as margens do setor.

A ED&F Man foi forçada a fechar uma refinaria em Israel e uma de suas três unidades no Chile. A empresa também suspendeu temporariamente as operações em sua usina de processamento de açúcar de beterraba na Ucrânia, informou a empresa em relatório anual. No México, a joint venture da empresa, Azucar Group Saenz, também enfrenta problemas financeiros.

Vender os ativos pode ser um desafio, pois outras tradings também tentam alienar ativos. A Biosev, unidade brasileira da gigante de commodities Louis Dreyfus, colocou usinas à venda, enquanto a Bunge, outra das quatro gigantes de comércio agrícola, também tenta se desfazer de usinas no Brasil.

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Fonte: Bloomberg/NovaCana

Grãos e Grandes Culturas

13. Cargill diz ser contra “Moratória do Cerrado”

A Cargill, maior companhia de agronegócios do mundo, divulgou hoje uma carta aos produtores brasileiros de soja na qual afirma ser contra uma “Moratória do Cerrado” nos moldes do acordo entre as tradings que envolve a Amazônia. Nesse acordo, as tradings se comprometeram a não comprar mais grão produzido nesse bioma.

Na carta, assinada pelo gerente de originação da companhia na América Latina, Helio Tamburri, a companhia afirma que a criação de um fundo de R$ 30 milhões — anunciado na semana retrasada para combater o desmatamento no Cerrado — não muda em nada a posição contrária da empresa a uma moratória também nessa região, defendida por movimentos ambientalistas e sociais.

A Cargill afirma na carta que uma moratória no Cerrado “não é o instrumento adequado para solucionar a questão” e que “não endereça os desafios sociais, econômicos e, em última análise, ambientais, e é muito provável que cause consequências – mesmo que não intencionais - para os agricultores e comunidades que dependem da agricultura para sua subsistência”.

A múlti americana diz, ainda, que “pedir que as empresas excluam produtores das suas cadeias não resolve o problema - simplesmente transfere para outras empresas ou atividades”.

Porém, a companhia pontuou no documento que segue participando do Grupo de Trabalho do Cerrado e disse estar “tomando medidas para transformar a cadeia de soja no Brasil, tornando-a ainda mais sustentável”.

A carta foi divulgada após grupos de produtores de soja criticarem a Cargill pela criação do fundo contra o desmatamento no Cerrado. Em comunicado, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) disse que “não encontra motivos” para a Cargill criar esse fundo para a preservação do Cerrado.

O anúncio da criação do fundo pela Cargill também foi alvo de críticas dos ambientalistas — embora pelo viés contrário. Em nota ao Valor, Rômulo Batista, da campanha de Florestas do Greenpeace Brasil, afirmou que no plano de ação da múlti para combater o desmatamento “não constam nem ações nem nada parecido com um plano”. “Seria risível, se a situação não fosse tão grave”, acrescentou.

A ONG recordou que a Cargill ajudou a construir a Moratória da Soja para proteger a Amazônia em 2006 e defendeu que “a empresa poderia ter mostrado a mesma visão e liderança em outras regiões”. “Em vez disso, a Cargill continuou a negociar com fazendeiros de soja que estão dizimando o Cerrado, que é a savana mais biodiversa do mundo, e o Chaco, a segunda maior floresta da América do Sul”, afirmou Batista.

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Fonte: Valor Econômico

14. Produtores dos EUA vivem pior início de safra dos últimos anos, diz analista

O desenvolvimento das lavouras de milho nos Estados Unidos segue abaixo do registrado em anos anteriores. A constatação foi feita pela consultoria ARC Mercosul, que realizou o primeiro crop tour para analisar as condições da safra no cinturão agrícola norte-americano.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também confirmou a informação através de relatório divulgado nesta segunda-feira, dia 24. Segundo a entidade, cerca de 56% do milho está em boa ou excelente condição, contra 77% no ano passado.

De acordo com o analista de mercado Tarso Veloso, este é um dos piores inícios de safra dos últimos anos nos EUA. “O início de safra ruim, o atraso no plantio e a queda potencial da produtividade fizeram com que os preços tanto da soja quanto do milho subissem. O mercado tenta entender agora qual o real tamanho da safra americana”, explica.

Ele comenta ainda que durante visita em propriedades rurais do meio-oeste americano, foi visto um cenário preocupante. “Na média histórica, no feriado de 4 de julho aqui nos Estados Unidos, o milho normalmente tem que estar na altura do joelho. Durante crop tour, eu vi apenas uma propriedade em que o milho estava assim, e todo o resto aqui em Illinois está recentemente plantado”, afirma.

Veloso ressalta, no entanto, que caso o clima melhore na próxima semana, como a previsão do tempo tem mostrado, a condição da safra deve melhorar, o que possibilitará também a ser feita previsões de produtividade da safra americana, assim como dados de exportação e estoques finais.

Previsão do tempo

A Somar Meteorologia indica que a tendência é de melhoria no clima dos Estados Unidos, na comparação com últimas semanas. A meteorologista Desirée Brandt explica, no entanto, que chuvas não devem cessar completamente. “Ainda existe alguns episódios fortes de chuva em áreas ao norte do cinturão de grãos. Até o fim da semana existe essa possibilidade”, diz.

As temperaturas também devem subir mais, com períodos mais longos de sol, o que deve ajudar a diminuir a umidade do solo.

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Fonte: Canal Rural

15. Em razão da peste suína africana, chineses importaram 12% menos soja este ano

De janeiro a maio deste ano os chineses importaram do mundo um total de 31,75 milhões de toneladas de soja em grão, segundo informações da Administração Geral de Alfândegas e Portos da China. Esse montante representa um recuo de 12,2% se comparado ao mesmo período do ano passado.

Só em maio a redução nos embarques foi de 24%, somando um total de 7,36 milhões de toneladas. A redução nas compras é reflexo dos surtos de peste suína africana que já somam 137 casos reportados no país.

Brasil também registra redução

Se o recorte considerar apenas o que a China comprou do Brasil, a diferença cai. Nos primeiros cinco meses deste ano foram embarcadas 26,3 milhões de toneladas para o país asiático, 5% a menos que os 27,7 milhões de toneladas de 2018, segundo dados do Ministério do Comério Exterior.

A renda obtida, naturalmente, foi menor também. O Brasil obteve US$ 9,3 bilhões da China pela soja neste ano, 16,2% menor que os US$ 11,1 bilhões do ano passado.

Só em maio a redução nas compras do Brasil foi de 22,6%, somando US$ 7,5 milhões de toneladas, contra os 9,7 milhões de maio do ano passado.

Óleo de soja

A China também importou menos óleo de soja em maio deste ano. Ao todo foram comprados 54,477 mil toneladas de óleo de soja em maio, uma retração de 7,4% frente ao mesmo mês do ano passado.

No acumulado de 2019, as importações de óleo de soja somam 194.560 toneladas, avanço de 92,6% em relação a igual período do ano anterior.

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Fonte: Canal Rural

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