05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Cummins amplia atuação no segmento agrícola

Motores QSC 8.3 e QSB 6.7 estão em pulverizadores Jacto e Stara

REDAÇÃO AB

A Cummins passa a fornecer motores com sistema eletrônico de alimentação para três novos equipamentos agrícolas. Esses propulsores são fabricados em Guarulhos (SP) e atendem à legislação MAR-I, voltada à redução de emissões por máquinas agrícolas e rodoviárias.

Uma das aplicações está no pulverizador Uniport 3030 EletroVortex, fabricado pela Jacto. O motor Cummins empregado é um QSC 8.3 de 300 cavalos. E o Cummins QSB 6.7 de 260 cv passa a ser utilizado nos pulverizadores Stara Imperador 3000 e 4000.

“Para o processo de desenvolvimento, a Cummins e o cliente realizaram testes severos em dez equipamentos em operação. Com isso conseguimos o ajuste perfeito entre o motor e a máquina”, afirma o especialista de vendas off-highway da Cummins, Tiago Batschauer.

A fábrica de Guarulhos fornece motores de 4,5 a 12 litros para o segmento agrícola. Os lançamentos da Stara e da Jacto estão no Show Rural Copavel, primeira grande feira nacional do agronegócio que ocorre até o dia 8 em Cascavel (PR).

05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Mercedes-Benz lidera pesados e projeta expansão acima do mercado em 2019

Fabricante colhe resultados de melhorias dos seus caminhões, pós-venda e de rede para negociar usados

PEDRO KUTNEY, AB

Alcançar a liderança há muito tempo inédita das vendas de caminhões pesados no País foi o fator-chave para a Mercedes-Benz fechar 2018 com bons resultados, já que o segmento foi de longe o que mais cresceu no ano passado – expansão de 85% sobre 2017, quase o dobro do avanço total do mercado no período, de 46%. Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing da empresa, credita o desempenho positivo ao foco maior nas necessidades dos clientes, não só pelas melhorias que tornaram os produtos da marca mais econômicos e robustos, mas também “àquilo que está em volta do caminhão” – no caso, ferramentas de financiamento, pós-venda acessível, oferta de serviços de manutenção e o crescimento da rede própria de revenda usados, a SelecTrucks, que incentiva a renovação de frotas por meio de um canal eficiente para vender os veículos antigos.

O executivo avalia que em 2019 a estratégia de maior aproximação e entendimento das necessidades dos clientes vai continuar funcionando e será aprofundada – para isso a fábrica de São Bernardo parou um dia na semana passada no evento Dia D Cliente, que recebeu clientes e concessionários em 156 horas de discussões temáticas em 80 salas com os funcionários de diversas áreas, que resultaram em 1,5 mil ideias para melhorar processos de vendas, pós-vendas, serviços e relacionamentos.

Com esse impulso, Leoncini prevê que a marca deve crescer acima da média entre os pesados e outros segmentos também, com expectativa da recuperação de setores importantes para as vendas de caminhões. Ainda assim, Leoncini pondera que o mercado nacional ainda segue muito pequeno em relação ao tamanho da indústria instalada, capaz de produzir mais de 200 mil unidades/ano, mas após três anos seguidos de quedas profundas, a recuperação começou em 2018 e o ano promete novo crescimento.

“Projetamos mercado total em torno de 88 mil a 90 mil caminhões este ano, o que será um crescimento de 16% a 18%. Nós temos o objetivo de crescer acima disso. Pode ser mais, mas depende de muitos fatores, como as reformas econômicas do governo, definição de como vai ficar a tabela de frete, preço do diesel que está voltando a subir e a recuperação de outros setores que ainda não voltaram a comprar, como construção civil e entregas urbanas, mas os pesados ainda vão continuar dominando de 55% a 60% das vendas com a força do agronegócio”, avalia Roberto Leoncini.

O executivo sustenta que a Mercedes deve crescer acima da média este ano porque a fabricantes está melhor preparada para a demanda projetada. “Perdi vendas para a concorrência porque não consegui produzir tudo que precisava, recebemos pedidos muito em cima da hora e acima do que esperávamos. Devemos crescer mais em 2019 porque fizemos ajustes para atender os clientes que não conseguimos em 2018”, afirma Leoncini.

Entre os ajustes para sustentar o aumento das vendas, a Mercedes-Benz precisou negociar com fornecedores e acelerou o ritmo em suas fábricas. A empresa fez contratações em Juiz de Fora (MG) para atender a demanda aquecida por sua principal estrela no segmento de caminhões pesados, o Actros, que teve a produção aumentada de 15 unidades/dia há um ano para alcançar 28/dia no fim de 2018. Também foram contratados novos funcionários para o segundo turno da linha de caminhões em São Bernardo do Campo (SP) e para abrir na planta o terceiro período de trabalho diário nas linhas de motores, transmissões e eixos.

“Produzir vários componentes dentro de casa foi uma vantagem para nós no ano passado, porque dependemos menos de fornecedores que não podiam acelerar a produção”, destaca Leoncini. “O problema é que também nós não conseguimos fazer tudo isso tão rápido quanto alguns clientes precisavam e eles foram comprar da concorrência. Mas este ano estamos melhor ajustados, com encomendas adiantadas e melhor distribuídas pelo resto do ano, o susto é menor”, acrescenta.

DESEMPENHO PESADO

A Mercedes fechou 2018 com 21.153 caminhões vendidos no Brasil, número 44,2% superior ao registrado no fraco 2017 e pouco abaixo da média geral de crescimento do mercado nacional (46%), mas a marca manteve a liderança do setor pelo terceiro ano seguido, com participação de 27,8%, ligeiramente abaixo dos 28,3% de um ano antes. O desempenho é devido principalmente à perda de terreno nos segmentos mais leves.

O avanço mais substancial da Mercedes foi justamente no segmento de pesados com os modelos Axor e Actros, que juntos venderam 9.956 unidades em 2018, em alta expressiva de 102,6% sobre o ano anterior e representação de 47% das vendas da marca no período. Assim a Mercedes conseguiu participação de 28,6% do segmento e tirou a liderança de Volvo e Scania, os dois maiores concorrentes nessa faixa do mercado – que em 2018 cresceu 85,5% e representou 27,8% do total de caminhões vendidos.

Leoncini avalia que este ano os pesados deverão continuar a responder pela maior parte das vendas de caminhões, entre 55% e 60% do total, “mas outros segmentos que dependem da expansão da economia e recuperação do emprego também começam a dar sinais de melhoria, como de transportadoras de entregas urbanas que não renovam suas frotas há bom tempo, ou da construção civil”. Segundo o executivo, esse movimento de crescimento generalizado tende a beneficiar mais as marcas que atuam em todas as faixas do mercado, como é o caso da Mercedes.

USADOS, REDE, SERVIÇOS E CRÉDITO PUXAM CRESCIMENTO

Pode parecer paradoxal, mas um dos fatores que impulsionaram as vendas de caminhões novos da Mercedes em 2018 foi sua rede própria de usados, a SelecTrucks. As cinco revendas existentes quase duplicaram os negócios com o repasse de 1.494 modelos de segunda-mão, de várias marcas, em crescimento de 81% sobre as 826 unidades negociadas em 2017. Como a maioria das transações foi feita à base da troca, envolvendo o usado como entrada do financiamento de um novo, as negociações resultaram na compra de 1,1 mil caminhões zero-quilômetro. A estratégia de oferecer um canal próprio de renovação de frotas deu tão certo que este ano a Mercedes vai abrir mais cinco pontos SelecTrucks, em cinco Estados.

A rede de concessionárias tradicionais Mercedes-Benz, que já estava entre as maiores do País, também cresceu mais um pouco, com a abertura de cinco novas lojas em 2018, totalizando 160 pontos em todo o País atualmente – 105 delas já funcionando com novo padrão visual global da marca 3D Black.

Com maior foco nas necessidades dos clientes, também avançaram a taxas expressivas os serviços oferecidos nas concessionárias junto com os veículos, que serviram como molas impulsoras dos negócios com frotistas, aumentam a fidelidade e assim consolidaram a liderança de mercado da Mercedes pelo terceiro ano consecutivo.

Os contratos de manutenção experimentaram crescimento de 110% no ano e foram adquiridos em conjunto com 27% dos caminhões Mercedes emplacados no período. “Pode parecer pouco, mas esses contratos só são feitos por grandes frotistas para modelos pesados. Portanto a maioria desses veículos foi vendida com o serviço de manutenção”, lembra Leoncini. Com isso, a rede já opera 30 oficinas dedicadas a clientes específicos.

O executivo destaca que esta é uma tendência: “Alguns frotistas já entendem que as oficinas próprias ficaram muito caras para acompanhar a evolução tecnológica desses caminhões, por isso vale mais a pena entregar isso aos concessionários especializados, que conforme a demanda podem fazer atendimento dedicado dentro das empresas, para evitar deslocamentos e ganhar tempo. É o caso da Raízen, que tinha 16 oficinas na região de Piracicaba (SP), fez o acordo de manutenção conosco e hoje só tem uma”, explica.

Outro serviço incorporado aos caminhões Mercedes é o Fleetboard, módulo de telemetria que em 2018 teve crescimento de 150% nas ativações do sistema, que já funciona em 44% dos veículos vendidos. “Interessante é que o módulo de segurança é o menos ativado. Os clientes buscam mais as informações do caminhão para melhorar índices de consumo e manutenção. É o casamento perfeito com o contrato de manutenção, por isso as ativações do Fleetboard crescem na mesma proposção”, diz Leoncini.

Pelo lado dos financiamentos, outro fator-chave na compra de caminhões, o Banco Mercedes-Benz elevou o número de unidades financiadas de 13,3 mil em 2017 para quase 20 mil em 2018, o que correspondeu a 47% das vendas da rede. O maior impulso veio do CDC, que de um ano para outro aumentou sua participação nos negócios de 35% para 67%. Com juro mais baixo, o CDC se tornou uma importante ferramenta estratégica para viabilizar as vendas, pois é mais simples, menos burocrático que o Finame (BNDES), que exige extensa documentação do comprador e é mais difícil de aprovar.

05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Usados: vendas ficam estáveis em janeiro

Dados da Fenabrave apontam leve crescimento de 0,75% sobre mesmo mês de 2018

SUELI REIS, AB

Diferente do mercado de veículos novos, o de usados segue arrefecido: em janeiro, as vendas do segmento ficaram praticamente estáveis ao registrar leve crescimento de 0,75% sobre igual mês do ano passado. Dados reunidos pela Fenabrave apontam que pouco mais de 905,1 mil unidades trocaram de dono. O volume considera a soma de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.

O segmento leve, que reúne automóveis e comerciais leves, apresentou volume apenas 0,56% superior ao de janeiro do ano passado, com 874,5 mil unidades. Deste total, 763,7 mil são automóveis, alta de 0,66%, e 110,7 mil comerciais leves, queda de 0,16%.

Já nos pesados, as vendas de usados totalizaram 30,6 mil unidades em janeiro, aumento de 6,5% no comparativo anual. Enquanto as transferências de caminhões usados aumentaram 4,5%, para pouco mais de 26,2 mil, as de ônibus saltaram 20,5%, a maior alta entre todos os segmentos, para 4,3 mil.

Na comparação de janeiro com dezembro, houve queda generalizada, exceto para chassis de ônibus, cujas transferências aumentaram 13,4%.

Ainda de acordo com os números da entidade, a proporção de vendas com relação aos novos ficou da seguinte forma em janeiro: foram vendidos 4,6 veículos leves usados para cada novo emplacado no período; nos pesados, a proporção é de 3,4. No geral, para cada veículo novo vendido em janeiro, o mercado de usados transferiu 4,5.

05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Kia Bongo chega a 25 mil unidades montadas no Uruguai

Produção no país vizinho teve início há quase nove anos, com aporte de US$ 25 milhões

REDAÇÃO AB

A Kia atingiu a marca de 25 mil caminhões Bongo fabricados no Uruguai. O modelo é montado nas instalações da Nordex, em Montevidéu, desde agosto de 2010. A Kia Motors do Brasil investiu US$ 25 milhões para a fabricação do Bongo no Uruguai. A maior parte da produção (95%) vem para o Brasil e o restante fica no país vizinho. O Bongo utiliza motor 2.5 turbodiesel com 130,5 cavalos e tem capacidade de carga de 1.812 quilos.

A linha final de produção conta com 12 estações de trabalho, além da cabine de pintura e da linha de solda da cabine. O powertrain é importado da Coreia do Sul. Há também partes e componentes produzidos no Brasil, Argentina e Uruguai, este com maior participação em valor do índice de nacionalização do Mercosul.

No início de 2016 o Bongo teve a produção interrompida por causa da retração do mercado brasileiro. A montagem foi reiniciada em janeiro de 2017. “Embora sejam utilizados em várias aplicações, os comerciais leves como o Bongo dependem da estabilidade da economia, sobretudo do varejo”, recorda o presidente da Kia do Brasil, José Luiz Gandini, que acredita na retomada das vendas desse segmento em 2019. Neste início de ano a Kia contratou 150 trabalhadores no Uruguai. Destes, 110 estão atuando na produção do comercial leve.

05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Emplacamentos de veículos pesados avançam 58% em janeiro

Para Fenabrave, segmento consolida crescimento apesar da base baixa

SUELI REIS, AB

Assim como o segmento de veículos leves registrou crescimento das vendas em janeiro, o setor de pesados também começou o ano com desempenho positivo: no primeiro mês de 2019, os emplacamentos de caminhões e ônibus superaram as 9 mil unidades, aumento de 58,4% sobre igual mês do ano passado, quando o mercado consumiu 5,7 mil unidades. Os dados foram divulgados na terça-feira, 5, pela Fenabrave, entidade que reúne os concessionários.

Por causa da sazonalidade, o volume de janeiro foi 5,3% menor que o de dezembro, embora somente os caminhões tenham registrado queda de 8,8%, para 6,9 mil unidades, na passagem de um mês para outro. Enquanto isso, as vendas de ônibus subiram 8,4% na mesma base de comparação, ao atingir as 2,1 mil unidades.

O efeito sazonal também foi o motivo para a queda da média diária das vendas de pesados, cujo resultado de janeiro foi 18% menor que o de dezembro. Com 19 dias úteis, foram emplacados 502 veículos em dezembro, enquanto janeiro fechou com 411 unidades em cada um dos 22 dias úteis.

“Ainda que sobre uma base muito baixa [de comparação], o segmento pesado consolidou seu crescimento”, disse o vice-presidente da Fenabrave para caminhões, ônibus e implementos, Sérgio Zonta.

Este início de ano também foi marcado pela maior venda dos modelos pesados, ainda fortemente impulsionados pelo agronegócio. Além disso, a maior facilidade para obtenção de crédito continuam elevando os volumes do segmento. Segundo Zonta, os níveis de financiamento devem continuar em alta este ano, especialmente pela oferta do CDC (crédito direto ao consumidor), que ficou mais desde o início do ano passado em comparação ao Finame, linha de financiamento para bens de capital do BNDES. Em termos de taxa, enquanto o Finame está em 1,14% a.m. com taxa variável, o CDC é negociado a 0,99% a.m. com taxa fixa e menor burocracia para a documentação.

“Em um passado não muito distante, o Finame já respondeu por 80% dos financiamentos de caminhões, mas fechou 2018 com participação de 50%. Temos ouvido de bancos de montadoras que em janeiro o CDC já está um pouco acima dos 50% e em 2019 a modalidade com certeza vai superar o Finame”, explica Zonta.

O executivo comenta ainda sobre o aumento de 47% do número de empresas interessadas em adquirir sua frota própria, a maioria com atividades no agronegócio, a fim de escapar da dependência de frotistas e autônomos atrelados à tabela de frete. O movimento começou a ser observado após a greve dos caminhoneiros, no fim de maio do ano passado.

Somados os fatores, a Fenabrave prevê que as vendas de caminhões neste ano devem crescer 15,4%, conforme projeção de mercado divulgado no início de janeiro, para um total de 88,2 mil unidades. Para o segmento de ônibus, os concessionários esperam volume 17,9% maior, para 22,5 mil unidades.

05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Motos voltam a superar 90 mil unidades após 33 meses

Ano começou embalado, com média diária acima dos 4 mil emplacamentos

MÁRIO CURCIO, AB

A venda de motos começou o ano embalada com 90,7 mil unidades. O setor não superava as 90 mil unidades mensais havia 33 meses. A última vez que isso ocorreu foi em abril de 2016, que teve 93,5 mil motocicletas emplacadas. Este começo de 2019 resultou em alta de 17,8% sobre janeiro do ano passado e foi 7,9% melhor que dezembro de 2018.

A média diária de vendas neste início de 2019 foi de 4,1 mil unidades, superando aquela observada em quase todo o segundo semestre do ano passado, por volta de 3,8 mil unidades. Os números foram divulgados pela Fenabrave, federação que reúne as associações de concessionários.

De acordo com o vice-presidente do segmento de motos da Fenabrave, a recuperação das vendas decorre do aumento da confiança do consumidor e também do aumento da aprovação das propostas de financiamento, cujo índice girava em torno de 30% em outubro e chegou a 40% neste começo de ano. Isso leva a entidade a confirmar sua estimativa de mais de 1 milhão de motos emplacadas e alta de 7,3% sobre 2018.

Quase todas as marcas tradicionais do segmento registraram crescimento em janeiro sobre o mesmo mês do ano passado. A Honda anotou 71 mil unidades e alta de 15,3%. A Yamaha, vice-líder, cresceu 12,9% com 11,8 mil motos emplacadas no mês sobre igual período do ano passado.

A Shineray deu um salto de 128%, com 2,1 mil unidades. A marca recuperou o terceiro lugar em emplacamentos no fim de 2018 e se manteve na posição neste início de ano. A Suzuki foi a única entre as de maior volume a recuar em janeiro. Teve 323 unidades emplacadas, 20% a menos que em janeiro do ano passado. Isso ocorre porque a Suzuki só manteve o scooter Burgman 125 como produto de baixa cilindrada.

No entanto, o grupo responsável pela montagem e distribuição da Suzuki passou a produzir e revender a partir de 2017 (por intermédio da empresa JTZ e não da J.Toledo) os modelos Haojue e Kymco, que somaram neste começo de ano 1.275 licenciamentos, 130% a mais que em janeiro do ano passado.

A BMW emplacou 763 motos em janeiro e cresceu 70,3%. A lista segue com Harley-Davidson (492 unidades, +20%); Kawasaki (562, +45,6%); Dafra (460, +63,1%); e Triumph (344, +14,3%).

05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Vendas positivas de veículos em janeiro reforçam projeção da Fenabrave para 2019

Após registrar o melhor janeiro desde 2015, concessionários apostam em mais um ano de crescimento

SUELI REIS, AB

A Fenabrave confirma a consolidação do crescimento do mercado de veículos, que começa o ano em alta: dados divulgados na terça-feira, 5, pela entidade que representa o setor de distribuição mostram que as vendas de janeiro superaram em 8,7% o volume registrado em mesmo mês do ano passado ao atingir as 190,7 mil unidades, considerando apenas o segmento leve, que inclui automóveis e comerciais leves. Este foi o melhor volume de vendas para janeiro desde 2015, quando o setor emplacou 243,8 mil veículos leves.

“O desempenho positivo já no começo do ano fortalece as nossas projeções para 2019”, declarou o presidente da entidade, Alarico Assumpção Junior, durante a apresentação do balanço do mês a um grupo de jornalistas em São Paulo. “Apesar de ainda termos uma base baixa, é muito bem vinda a retomada do crescimento”, completa.

Embora janeiro tenha começado com o pé direito, seus resultados na comparação com dezembro revelam queda de 15,2% sobre dezembro de 2018, o que segundo o executivo, é um movimento esperado devido à sazonalidade do período. Na passagem de um mês para o outro, a média diária de vendas caiu 26,7%, passando de 11 mil unidades vendidas em cada um dos 19 dias úteis de dezembro para pouco mais de 8,6 mil unidades nos 22 dias úteis de janeiro.

“A queda da média diária é mais um elemento que evidencia a sazonalidade: enquanto dezembro é beneficiado pelo efeito das compras e festas de fim de ano, impulsionados pelo crédito adicional das famílias com o 13º salário, em janeiro há um acúmulo de despesas, como IPTU e contas escolares, por exemplo, o que diminui o movimento nas concessionárias”, comenta Assumpção.

Da mesma forma, o estoque de veículos sofreu os efeitos sazonais fechando janeiro em 195 mil unidades, equivalentes a 27 dias de vendas. Em dezembro, esse número era de 192 mil veículos, correspondentes a 25 dias.

O desempenho do mercado verificado em janeiro reforçou o que a Fenabrave prevê para o ano, indica o executivo. No início do mês passado, ao apresentar o balanço de 2018, a entidade divulgou sua primeira projeção para 2019, que costuma ser revisada a cada trimestre.

Na previsão, a entidade espera vender 2,74 milhões de automóveis e comerciais leves, o que se for confirmado, corresponderá a um crescimento de 11% sobre os 2,47 milhões emplacados em 2018..

MACROECONOMIA E SUA INFLUÊNCIA NO SETOR

Segundo a Fenabrave, alguns fatores ainda continuarão exercendo forte influência no desempenho do setor, o que vai ajudar a alcançar o volume previsto para o ano. Segundo Assumpção, é clara a melhora do índice de confiança do consumidor, reflexo dos juros baixos, que de acordo com previsões da entidade, devem se manter estáveis em 2019.

“O índice de aprovação dos financiamentos melhorou significativamente: até um passado recente, a taxa de aprovação era de três para cada dez pedidos nos bancos; hoje esse número dobrou, para mais de seis a cada dez”, revela o presidente da Fenabrave.

Segundo Alarico, a tendência de crescimento continuará em 2019 e também muito atrelada ao PIB, que para a entidade, deve ficar em 2,3% este ano.

A inadimplência também é citada: dados mais recentes do Banco Central mostram que no setor de veículos, o índice alcançou seu menor nível para pessoa física, passando de 3,36% em novembro para 3,34% em dezembro. Para pessoas jurídicas, o índice recuou de 1,17% para 1,13%. “Pode parecer pouco, mas isso representa 34 milhões de inadimplentes no mês em pessoas físicas e 16 milhões em pessoas jurídicas”, completa Alarico.

Para a entidade, a inflação também se manterá dentro da meta, entre 3,5% e 4,25%.

“Para que tenhamos continuidade de crescimento para 2020, será necessário a aprovação da reforma da previdência, com isso, o PIB pode crescer até 3% no ano, sem a reforma, o crescimento será baixo”, prevê.

Alarico comenta ainda sobre outros fatores mais específicos do setor de veículos, como a vendas diretas - que são negociadas entre clientes e montadoras, sem o intermédio da concessionária. Dados da Fenabrave mostram que em janeiro, 63% das vendas foram no varejo (via concessionárias) e 36% foram vendas diretas, uma queda de 4 pontos porcentuais na comparação com dezembro, quando as vendas diretas representaram 42% e o varejo, 58%. “Acreditamos que essa tendência de queda possivelmente poderá ser mantida e em 2019 deve ficar em 30%”, diz Assumpção.

O aumento do ICMS anunciado por alguns estados (Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Paraíba, por enquanto) também podem impactar o mercado regional: “O efeito disso será o oposto ao desejado pelos estados, porque impactará no preço final e o consumidor sairá como o grande prejudicado. Pode causar queda nas vendas e, consequentemente, menor arrecadação”, alertou.

05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Marcopolo renova frota de Pernambuco

Empresa vendeu 89 ônibus Torino montados sobre chassis Mercedes e Volkswagen

REDAÇÃO AB

Duas empresas do Estado de Pernambuco adquiriram juntas 89 ônibus Marcopolo Torino. Os veículos farão o transporte urbano da região metropolitana de Recife e fazem parte da renovação de frota das duas operadoras.

Segundo Rodrigo Pikussa, diretor da Marcopolo, as empresas Cidade Alta e Rodotur Turismo já eram clientes da fabricante de carrocerias. “Desde 2012 a frota da Rodotur é 100% Marcopolo, garante o executivo.

Das 89 unidades, 77 têm configuração convencional, com 12,5 metros, três portas do lado direito, chassis Mercedes-Benz OF-1721 ou Volkswagen 17.230 OD e capacidade para 34 passageiros sentados. As outras 12 têm 11,2 metros, são montadas sobre chassis Mercedes-Benz OF-1519 ou Volkswagen 15.190 OD e levam 32 passageiros sentados. Todos os novos ônibus receberam elevador para cadeirantes na porta central

05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

TVH investe R$ 10 milhões em Araquari

Novo centro de distribuição vai reduzir o tempo de entrega de peças para tratores e equipamentos

REDAÇÃO AB

O grupo atacadista belga TVH investiu R$ 10 milhões em um novo centro de distribuição em Araquari (SC). O armazém inaugurado na terça-feira, 5, ocupa área de 2,7 mil metros quadrados, tem capacidade para estocagem de 30 mil itens e vai abrigar peças de reposição para tratores, empilhadeiras e plataformas elevatórias, entre outros itens.

Segundo o diretor geral da TVH no Brasil, Marco Augusto, o novo centro de distribuição vai reduzir o tempo de entrega das peças na região em cerca de 50%, já que as mercadorias atualmente saem da cidade de Vinhedo (SP, cujas instalações permanecem ativas).

“Conseguiremos diminuir os prazos de entrega, além de oferecer produtos no balcão”, diz Augusto. O novo depósito vai adotar o mesmo modelo utilizado em Vinhedo, com entrega de 12 a 24 horas num raio de 100 quilômetros.

Como a empresa trabalha com importação e exportação de produtos, outra vantagem da filial de Araquari é a localização estratégica, por estar perto de três importantes portos e dois aeroportos. Também está próximo de transportadoras parceiras, que distribuem para o Sul e todo o Brasil.

05 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Volkswagen prepara novo plano de investimento para o Brasil

Pablo Di Si, presidente da companhia na América do Sul, projeta expansão de dois dígitos

GIOVANNA RIATO, AB

A Volkswagen já trabalha para definir seu próximo plano de investimento para o Brasil. O atual aporte, de R$ 7 bilhões, termina em 2020 e precisará de continuidade para sustentar a expansão que a marca projeta para a região. “Esperamos alta de 9% para as nossas vendas em 2019, mas já começamos janeiro com ritmo superior, com expansão de 10%”, conta Pablo Di Si, presidente da companhia para a América do Sul.

Ele acredita que o médio prazo é ainda mais promissor. “Estamos nos preparando para crescimento de dois dígitos”, diz. Como suporte à expectativa positiva, ele enumera a melhora na oferta de crédito, as taxas de juros estabilizadas em níveis mais baixos e o aumento da confiança do consumidor. Além disso, o executivo lembra que a Volkswagen tem uma série de lançamentos importantes para o Brasil, a começar pelo T-Cross, primeiro utilitário esportivo produzido pela companhia no País, que deve chegar ao mercado em abril.

Di Si acredita que a produção também deve se sustentar em patamar elevado, com a ajuda das exportações. “No ano passado avançamos 11% sobre 2017”, lembra. Segundo o executivo, o mercado argentino começa a se recuperar e, em paralelo, a Volkswagen tem trabalhado no desenvolvimento de outros negócios na América Latina.

O executivo admite que a intenção é aproveitar a maré de crescimento e trabalhar para voltar à liderança em vendas no Brasil, resgatando o legado do Gol, que foi o carro com maior demanda no País por mais de duas décadas. Di Si garante, no entanto, que o plano não é recuperar a posição a qualquer custo. “Não vou sacrificar margens só para ficar em primeiro lugar”, conclui.

04 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Continental conclui compra da Kathrein Automotive

Empresa especializada em tecnologia de satélite será incorporada à divisão de antenas automotivas

REDAÇÃO AB

Autoridades antitruste aprovaram a compra da Kathrein Automotive pela Continental, cujo negócio foi anunciado em novembro passado. A empresa especializada em tecnologia de satélites será incorporada à divisão de antenas automotivas, visando o futuro da conectividade com antenas inteligentes.

Segundo a Continental, com o suporte da Kathrein Automotive, poderá oferecer um portfólio diversificado, desde uma haste simples de antena a um módulo inteligente de antena, cujas principais funções incluem a integração de diversas tecnologias V2x, como a solução global híbrida 5G V2X, que permite a comunicação via rede de celular com uma transferência de dados rápida, além de confiável e direta. A Continental recebeu recentemente seu primeiro projeto de cliente para essa plataforma híbrida 5G.

“Fico muito feliz de ter toda o pessoal da Kathrein Automotive no conselho. Os mais de mil colaboradores que ganhamos são um compartilhamento valioso de experiência e expertise no campo da conectividade automotiva”, disse o responsável das unidades de negócio body, security and infotainment & connectivity da Continental, Johann Hiebl.

Com a aquisição, a empresa pretende aprofundar o nível de interação e cooperação entre as equipes das várias divisões de pesquisa e desenvolvimento. “Tomaremos decisões imediatas para trabalhar ainda mais no avanço do desenvolvimento das soluções de conectividade de alta performance para a mobilidade inteligente”, afirma Hiebl.

A Continental está todos os funcionários da Kathrein Automotive de todas as oito localizações no Brasil, China, Alemanha, México, Portugal e Estados Unidos. As empresas concordaram em não divulgar o preço da compra.

04 de fevereiro de 2019

Publicação: Automotivebusiness

Kia Motors cresce 43,9% em janeiro

Empresa somou 885 emplacamentos no mês; quase metade foi do SUV Sportage

REDAÇÃO AB

A Kia Motors do Brasil registrou o licenciamento de 885 veículos em janeiro, volume 43,9% mais alto que o anotado no mesmo mês do ano passado. O crescimento foi cinco vezes mais alto do que a média de mercado, uma vez que os emplacamentos de automóveis e comerciais leves totalizaram 190,7 mil unidades e acréscimo de 8,7% sobre o primeiro mês de 2018.

O SUV Sportage foi o líder de vendas da Kia em janeiro, com 417 unidades emplacadas. Em seguida veio o sedã Cerato, com 234 licenciamentos. O terceiro foi o caminhão Bongo, com 177 unidades.

Como importadora, a Kia Motors do Brasil teve suas vendas bastante prejudicadas entre 2012 e 2017 pela imposição de uma cota máxima de 4,8 mil carros sem a tributação extra de 30 pontos porcentuais de IPI. No ano de 2018, com o fim das restrições impostas pelo Inovar Auto, suas vendas somaram 11,7 mil veículos e cresceram 39% sobre 2017. Este ano a empresa espera crescer 28% com a venda de 15 mil unidades.

06 de fevereiro de 2018

Publicação: OESP, p. B-9

GM propõe reajuste zero para fábrica paulista em 2019.

Para 2020, companhia quer que trabalhadores aceitem reajuste inferior à inflação; sindicatos vão debater oferta hoje.

Dentro da estratégia para reduzir custos no Brasil, a General Motors propôs aos trabalhadores da fábrica de São José dos Campos, no interior paulista, que não haja reajuste salarial em 2019. Em 2020, o aumento seria de 60% da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – em ambos os casos, portanto, o trabalhador teria perda real de seu rendimento. A reposição total pela inflação, segundo o mesmo índice, só voltaria em 2021.

Para amenizar a falta de reajuste em 2019, a empresa ofereceu abono salarial de R$ 2,5 mil. Para 2020, já com a reposição parcial da inflação, o abono cairia para R$ 1,5 mil. Em 2021, com a reposição total, deixa de haver abono. A proposta, que envolve outras nove questões, foi feita após seis rodadas de negociações com o sindicato dos metalúrgicos da cidade. Os funcionários da fábrica farão uma votação hoje para decidir se aceitam ou não.

A negociação foi iniciada em janeiro depois de a montadora ameaçar deixar de produzir no Brasil caso não voltasse a ter lucro em 2019, após três anos de prejuízo. Para isso, a empresa buscar reduzir custos trabalhistas nas fábricas de São José dos Campos e São Caetano do Sul, além de negociar com o governo do Estado a antecipação de créditos de ICMS.

Em São José, a GM começou as conversas com 28 reivindicações. Após as primeiras rodadas, a pauta caiu para dez pontos. Em um deles, que toca no piso salarial de novos contratados, houve recuo da montadora. No início, a empresa queria reduzir o piso de R$ 2,3 mil para R$ 1,6 mil, queda de 30%. Agora, propõe redução para R$ 1,7 mil, com aumento para R$ 1,8 mil em setembro.

A empresa chegou a abrir negociações os metalúrgicos da fábrica de Gravataí (RS), mas desistiu de todas as reivindicações em menos de uma semana. A fábrica de Gravataí, responsável pela produção da maioria das versões do Onix, carro mais vendido do Brasil, é a que está em melhor situação. A preocupação é que, se não houver acordos em São Paulo, a montadora pode concluir que não faz sentido manter só a unidade gaúcha, dado que perderia participação de mercado.

Os demais pedidos também envolvem mudanças nas participações dos trabalhadores em resultados e redução gradativa do adicional noturno até 2021, de 27% para 20%. Os novos admitidos já entrariam com 20%. Para horas extras, a empresa quer a exclusão dos limites de 29 horas ao mês ou 275 horas ao ano.

Além disso, propõe garantia de emprego ao funcionário acidentado e com doença profissional e manutenção da estabilidade aos acidentados e portadores de doenças ocupacionais para os atuais trabalhadores. Aos novos contratados, ficaria assegurada a legislação vigente.

XX de fevereiro de 2018 Publicação:

Valor Econômico, p. B-3

Foton entra em nova fase, pela quarta vez.

Quando, em 2010, decidiu importar caminhões da China, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros não imaginava que seu plano mudaria de formato quatro vezes ou que, nove anos depois, ainda estaria em processo de maturação. O projeto de venda de caminhões Foton no Brasil foi vítima de uma sucessão de episódios, que começou com uma súbita mudança de regras do governo para o setor automotivo, passou por oscilações cambiais e culminou com a crise que derrubou o mercado de caminhões no Brasil. Agora, ele prepara-se para, num acordo de cooperação com a montadora chinesa, colocar em prática o sonho de construir uma fábrica de caminhões no Brasil.

Talvez por já ter trabalhado no governo, Mendonça de Barros entende como uma simples mudança de regra pode abalar um empreendimento. O economista e engenheiro foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ministro das Comunicações. Hoje é o controlador e presidente do conselho da Foton Aumark Brasil. O administrador Marcio Vita é o presidente executivo da empresa.

Mendonça de Barros estranhou ao receber a visita, em 2009, de doze representantes da Foton. Sua única experiência no setor, até então, tinha sido, quando ainda jovem, uma frustrada tentativa de dirigir, numa ladeira, um caminhão carregado com grãos do café que o pai cultivava numa fazenda.

Ele lembrou-se, porém, da visita que fizera a Pequim, em 1996, quando ainda era presidente do BNDES. Entusiasmado com o potencial chinês, resolveu ir pessoalmente assinar o contrato de financiamento do banco para a compra de turbinas para a usina hidrelétrica Três Gargantas, em Hubei. Naquele momento, os chineses pediram que ele assinasse um livro de presença intitulado "Amigos da China". É provável, lembra hoje, com bom humor, que a direção da Foton tenha recorrido a esse livro quando pensou no Brasil como porta de entrada para internacionalizar a companhia.

Alguns meses após ter recebido a delegação chinesa, Mendonça de Barros viajou, com Vita, para a China para apresentar um plano de representação exclusiva da marca no Brasil. Na volta, abriram a empresa importadora e nomearam 19 concessionários. O dólar, que fechou em R$ 1,66 naquele ano, era um estímulo ao projeto.

Mas o embarque do primeiro lote de caminhões coincidiu com uma nova regra para o setor automotivo. Em setembro de 2011, o governo brasileiro anunciou aumento de 30 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos industrializados (IPI) de veículos importados de países fora do Mercosul. A "punição", incorporada ao programa automotivo Inovar-Auto, excluía empresas que já tinham fábricas no Brasil ou com planos de investir em produção no país.

"Decidimos, então, construir uma fábrica", diz Mendonça de Barros. Nas conversas com os governos estaduais, ele e Vita foram parar num terreno em Guaíba (RS). O mesmo que havia atraído a Ford antes de o então governador Olívio Dutra (PT) dizer que não daria à Ford os incentivos fiscais prometidos pelo governo anterior.

No acordo dos representantes da Foton no Brasil com Tarso Genro (PT), governador do Rio Grande do Sul à época, foi acertado incentivo no recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a doação do terreno, de 150 hectares.

Na negociação com a Foton China, foi acertado que inicialmente a produção dos veículos ficaria a cargo da empresa brasileira, sob licença da marca. Os chineses entrariam no projeto futuramente.

O mercado brasileiro enchia os olhos dos chineses da Foton, uma das maiores fabricantes de caminhões do mundo. Linhas especiais de financiamento para bens de capital, com juros e prazos atrativos, fizeram o mercado de caminhões brasileiro crescer 58% entre 2009 e 2011. Mas, com a crise econômica, as vendas desabaram. Em 2016, essa indústria operava com 70% de ociosidade. Os transportadores encostaram parte da frota.

Os chineses se assustaram. "Qual é o tamanho real do mercado brasileiro?", perguntaram. "Não sabíamos a resposta", lembra Mendonça de Barros. A dupla de brasileiros resolveu cancelar o projeto da fábrica. Mas Vita já havia trabalhado intensamente na nacionalização das peças. Surgiu, então, a ideia de instalar a linha de produção da Foton em outra montadora. E assim, em 2016, surgiu o acordo com a brasileira Agrale, com fábrica em Caxias do Sul (RS), onde os veículos da marca chinesa são produzidos até hoje.

Quando o projeto começou a ganhar corpo, surgiu outra novidade. Como a Organização Mundial do Comércio havia condenado o Brasil pelos 30 pontos percentuais extras de IPI em veículos importados o governo foi obrigado a eliminar a taxa. "Voltamos para trás", diz Mendonça de Barros.

Depois de tanto o vaivém, erguer a fábrica em Guaíba transforma-se, agora, numa questão de honra. Além disso, com a perspectiva de crescimento de mercado, a produção própria será mais lucrativa do que manter a terceirização da linha de montagem.

Soma-se a isso, o trabalho de nacionalização. Segundo Vita, os veículos produzidos em Caxias do Sul têm 70% de peças fabricadas no Brasil. O motor é Cummins e o câmbio, ZF. Diante da lenta recuperação econômica, o contrato com a Agrale, que terminaria em 2017, foi renovado por mais dois anos. O plano, agora, é começar a produzir em Guaíba em 2020. O investimento calculado é em torno de R$ 100 milhões.

Nessa nova fase, a matriz da Foton ofereceu cooperação desde que a empresa brasileira sanasse dívidas acumuladas durante a crise. Em dezembro, a Foton Aumark Brasil entrou em recuperação judicial.

O caminho, foi, então, aberto para que, num futuro próximo, a Foton China assuma toda a operação. Recentemente a companhia chinesa criou sua própria subsidiária no Brasil. Essa empresa vai apoiar na promoção e importação dos caminhões. Inicialmente, a produção e a comercialização dos veículos continuará a cargo da empresa brasileira. "Os incentivos fiscais e o terreno são nosso maior patrimônio", diz Mendonça de Barros. A ideia, porém, é que daqui a mais ou menos 18 meses, os chineses assumam todo o processo, inclusive a produção dos caminhões.

Além dos caminhões com capacidade de carga entre 3,5 e 10 toneladas, produzidos na Agrale, começaram a ser vendidos alguns modelos leves importados. A Foton quer disputar um mercado hoje ocupado por Iveco, Hyundai e Kia, entre outras. "O Brasil é um país pobre, que precisa, cada vez mais, de transporte em caminhões leves", diz Mendonça de Barros.

Venda em janeiro cresce, mas ainda está longe de 2015.

A confiança do consumidor e a oferta de crédito continuam a sustentar a recuperação do mercado de veículos. O licenciamento de 199,7 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus em janeiro representou um crescimento de 10,24% na comparação com o mesmo mês de 2018.

O resultado do primeiro mês do ano foi o melhor para janeiro desde 2015. Mas o mercado de hoje ainda está distante do que era há quatro anos. Em 2015, o primeiro mês do ano fechou com a venda de 258,8 mil unidades. Um volume abaixo, ainda do ano anterior. Em 2014 foram vendidos 312,6 mil veículos em janeiro.

Com 190,7 mil unidades, as vendas de carros e comerciais leves no mês passado avançaram 8,67% na comparação anual. Alarico Assumpção Jr, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), que representa as concessionárias, disse ontem que durante a crise, a cada dez pedidos de financiamento, apenas três eram aprovados. A entidade observa que neste ano seis são aprovados a cada dez pedidos. Segundo ele, as taxas de inadimplência têm caído desde maio de 2018.

O mercado de caminhões continua em significativa expansão. Em janeiro foram licenciados 6,9 mil veículos, o que representou um crescimento de 50,9% em relação ao mesmo mês de 2018.

O vice-presidente da Fenabrave para a área de caminhões, Sérgio Zonta, destacou que as taxas de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) têm sido mais atrativas que as do Finame, linha de financiamento do BNDES. Segundo ele, em 2017, o Finame representava 80% das vendas de caminhões no país. Hoje está em 50%, com claros sinais de que logo será ultrapassado pelos negócios via CDC. Segundo Zonta, a greve dos caminhoneiros trouxe um novo tipo de demanda porque incentivou empresas e agricultores a montar frotas próprias.

O segmento de motocicletas também começa a ser beneficiado pela expansão da oferta de crédito. Com 90,7 mil unidades, as vendas de motos no mês passado registraram aumento de 17,7% na comparação anual. "Os bancos estão mais maleáveis para concessão de crédito, principalmente para motos de baixa cilindrada", destacou o vice-presidente da Fenabrave para a área de motocicletas, Carlos Porto.

Nos automóveis, o modelo Chevrolet Onix manteve a liderança entre os mais vendidos em janeiro, bem à frente do segundo colocado, o Ford Ka, e do modelo Hyundai HB 20, em terceiro lugar.

XX de fevereiro de 2018

Publicação: O Globo, p. 19

Renault e Nissan devem fazer parceria com Google

Segundo jornal japonês, objetivo da iniciativa seria desenvolver táxis sem motorista

A aliança Renault-NissanMitsubishi vai se juntar ao Google para desenvolver táxis autônomos e outros serviços que usam veículos sem motorista, afirmou ontem o jornal econômico japonês Nikkei.

A empresa de veículos autônomos do Google, Waymo, trabalhará com as montadoras e anunciará um plano para o acordo nos próximos meses, informou o jornal de negócios.

Os parceiros estão considerando o desenvolvimento conjunto de táxis não tripulados usando veículos da Nissan e um sistema que gerencia reservas e pagamentos, disse o Nikkei.

Um porta-voz da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, Nick Twork, afirmou à agência Reuters que a reportagem do jornal japonês seria especulação, e se recusou a comentar.

A Waymo, do Google, também declinou um pedido de entrevista.

SUBSTITUTO DE GHOSN

Ontem, o Conselho de Administração da Nissan propôs nomear o novo presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, como administrador também da montadora japonesa, após a prisão de Carlos Ghosn, que está detido em Tóquio sob acusações de má conduta financeira.

A nomeação de Senard só será efetivada depois da aprovação de seu nome pelos acionistas da Nissan, programada para ocorrer no próximo dia 8 de abril, segundo comunicado da empresa.

05 de fevereiro de 2018

Publicação: Valor Econômico, p. B-5

Reino Unido garantiu proteger Nissan dos efeitos do Brexit.

O governo do Reino Unido havia prometido à Nissan que suas operações não seriam "afetadas adversamente" pela saída britânica da União Europeia, como parte de uma série de compromissos que levaram a montadora japonesa a decidir em 2016 produzir novos modelos na fábrica em Sunderland.

As garantias constam de uma carta do secretário britânico de Energia, Negócios e Estratégia Industrial, Greg Clark, ao então executivo-chefe da Nissan Carlos Ghosn, da qual o "Financial Times" teve acesso a uma cópia.

No fim de semana, a Nissan anunciou que decidiu abandonar os planos de produzir o utilitário esportivo X-Trail na fábrica em Sunderland e instou o governo a descartar a hipótese de que ocorra um Brexit não negociado, para que a indefinição não provoque mais danos à indústria automotiva do Reino Unido. O texto da carta coloca em evidência as enormes diferenças entre o cenário de um Brexit não negociado, que incluiria tarifas e atrasos nas fronteiras britânicas, e as promessas anteriores feitas pelo governo.

Em carta, o governo prometia um apoio em torno de 80 milhões de libras esterlinas à montadora japonesa

A carta, que até agora não havia sido revelada e que o governo vinha se recusando a divulgar mesmo diante de diversos pedidos com base na lei de Liberdade da Informação, também prometia apoio em torno a 80 milhões de libras esterlinas (US$ 104 milhões) aos investimentos da Nissan no local, em troca da decisão de expandir a produção de utilitários esportivos em Sunderland.

A carta comunicava que o investimento governamental dependia de "decisão positiva do conselho de administração da Nissan para alocar a produção dos modelos Qashqai e X-Trail para a fábrica de Sunderland".

O governo não fez promessas específicas sobre o futuro do relacionamento comercial entre Reino Unido e UE, como a permanência na união alfandegária do bloco econômico, mas se comprometia a proteger as montadoras no Reino Unido. Elas seriam "prioridade crucial" nas negociações do governo com a UE, segundo a carta.

"O governo reconhece plenamente o significado dos mercados da UE para sua presença em Sunderland", declarava a carta. "Será uma prioridade crucial de nossas negociações apoiar as montadoras de carros no Reino Unido e assegurar que sua capacidade para exportar para e a partir da UE não seja afetada adversamente pelo relacionamento futuro do Reino Unido com a UE."

Clark estava sob pressão dos eurocéticos do Partido Conservador para publicar a carta de garantias à Nissan, em meio à suspeita da ala mais direitista da legenda de que ele pudesse ter sinalizado que o Reino Unido tentaria manter-se na união alfandegária da UE depois do Brexit.

Apesar de não constar nenhuma garantia quanto à união alfandegária, a carta reconhece as ansiedades da Nissan quanto às "incertezas no momento em que o Reino Unido se prepara para sair da UE", particularmente o medo de que "arranjos comerciais futuros possam afetar o modelo de negócios" dos investimentos da montadora.

A carta acrescentava que o governo queria ajudar a Nissan a "investir e expandir Sunderland como uma superfábrica dentro da aliança e uma líder mundial em produtividade e inovação".

"Em qualquer circunstância, o governo vai assegurar que o Reino Unido continue um dos locais mais competitivos para a indústria automotiva e outros setores avançados na Europa e no mundo, incluindo locais como Sunderland".

A carta incluía promessas de ajudar a Nissan a aumentar o uso de fornecedores locais, assim como a continuidade do apoio governamental a veículos elétricos como o Leaf, produzido na fábrica. A montadora destacou que "a carta, escrita em outubro de 2016, mostra a continuidade do desejo da Nissan e do governo do Reino Unido para apoiar o investimento no Reino Unido e manter Sunderland como um dos centros fabris da Nissan na Europa".

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