CARLOS GERALDO LANGONI

RETOMADA GRADUAL

Apesar das tensões políticas, a expansão do comércio e serviços, em julho, confirma a tendência de recuperação lenta, porém firme, da atividade.

O desempenho desses setores chaves superaram as expectativas. Já o IBC- Br - proxy para o crescimento do PIB - permaneceu estável, com a taxa em 12 meses na faixa de 1,07%.

Avanço:

O núcleo do varejo cresceu 1% na margem, indicando aquecimento do consumo das famílias, alavancado pela recomposição do salário real e sinais de fortalecimento do mercado de trabalho.

Esses mesmo fatores ajudam a explicar o avanço dos serviços (0,8%), que já representam cerca de 65% do PIB.

Esses resultados acontecem no inicio do 2º semestre, que deve ser marcado por melhora nos índices de confiança, acompanhando o progresso na aprovação da reforma tributária.

ITF:

A demissão do secretário da Receita Federal Marcos Cintra expôs as dificuldades políticas em recriar o imposto sobre transações financeiras - versão moderna da malfadada CPMF.

O Ministro Paulo Guedes estava procurando, de forma inteligente, minimizar a rejeição: alíquotas baixas (0,2%) necessárias para permitir a redução do imposto “regressivo e cruel” sobre a folha de pagamento que estimula a informalidade.

Em outras áreas, parece haver razoável convergência entre o Executivo e Legislativo: deverá ser criado o IVA dual reunindo o IPI, PIS e COFINS deixando aos estados a opção de aderirem com o ICMS.

A alíquota máxima do imposto de renda pessoa física (27,5%) será reduzida, tendo como contrapartida o fim das deduções com gastos em educação e saúde que, na prática, reduzem sua desejada progressividade.

Já o IR sobre as empresas poderá cair para 20%, tendo como contrapartida a tributação de dividendos para alavancar investimentos.

Existem ainda muitos detalhes a serem definidos nos intensos debates entre a equipe econômica e o Congresso: em termos de formação de expectativas, seria importante ter a reforma, com viés de simplificação, aprovada ainda este ano.

Economia Mundial:

A decisão do BCE de cortar juros e retomar os estímulos monetários contribui para acalmar os mercados de riscos que permanecem voláteis, com as incertezas do Brexit e risco crescente de recessão na Alemanha.

Estados Unidos e China dão sinais de trégua na perigosa escalada da guerra comercial, contribuindo para alguma melhora no cenário externo.

Preocupante é a situação argentina: Macri sofre recaída heterodoxa adotando congelamento de preços críticos como combustíveis.

Essa medida populista não deverá ser suficiente para evitar sua derrota nas eleições de outubro. Provavelmente será mantida pelo candidato peronista, inviabilizando o programa de expansão da produção de gás (Vaca Muerta).

Para o Brasil a consequência deverá ser prolongada retração das exportações de manufaturados, acompanhando a combinação perversa entre recessão e explosão inflacionária.

Em resumo, serviços e varejo avançaram acima das projeções de mercado em julho, confirmando a retomada gradual da atividade.

Apesar da saída de Marcos Cintra, a reforma tributária deve seguir seu trâmite no Congresso com viés positivo de simplificação e ganhos alocativos.

As tensões externas estão sendo amortecidas, principalmente pela sinalização do BCE de novo ciclo de estímulos monetários e sinais de arrefecimento da onda protecionista.

Tudo aponta para consolidação da retomada do crescimento ao longo dos próximos meses, apesar do todo saudável ruído democrático.

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