CARLOS GERALDO LANGONI

ECONOMIA EM TRANSIÇÃO

Apesar do estresse externo, alimentado pelo ataque terrorista à Arábia Saudita, o Banco Central reduziu a Selic para 5,5%.

Esse movimento de flexibilização monetária foi facilitado pela decisão do Fed de cortar os juros pela 2ª vez este ano para a faixa de 1,75 / 2%.

Expansionismo:

No caso brasileiro, fator preponderante é o patamar baixo da inflação corrente reforçado pelo comportamento favorável das expectativas.

Em contraste, as estimativas do mercado para o PIB apontam para retomada ainda frágil, inferior a 1% este ano.

Com graus de liberdade na área fiscal bastante limitados em função da resistência a medidas extremas, como desindexação do salário mínimo, a política monetária passa a ser prioritária.

O ciclo de expansão deve continuar com os juros básicos caminhando para 5%, que parece ser o novo patamar de equilíbrio no curto prazo.

A manutenção de taxas reais inferiores a 2% no próximo ano fica na dependência da consolidação do ajuste fiscal, a partir de ganhos extra de receita associados às privatizações.

O objetivo é estabilizar a relação dívida bruta / PIB, elemento-chave para melhora sustentada na percepção de risco-país.

Cenário:

O corte abrupto na oferta de petróleo pela Arábia Saudita aumentou o nível de incerteza global.

A tendência de desaceleração do PIB mundial foi confirmada pela OCDE, com ritmo mais lento tanto nos países desenvolvidos como nos emergentes. De acordo com a OMC, há também perda de dinamismo do comércio de serviços.

Nesse ambiente vulnerável, um novo choque do petróleo, mesmo transitório, poderia gerar uma descontinuidade recessiva.

Tudo indica que o impacto será apenas moderado. Para o Brasil - ainda vivendo a transição para a estabilidade macro - é fundamental contar com cenário externo ainda positivo.

A Petrobras agiu corretamente ao elevar os preços internos, afastando dúvidas quanto à continuidade de política de paridade internacional que, aliás, incorpora também a variação cambial.

No médio prazo, a alta no risco geopolítico de explorar petróleo no Oriente Médio beneficia o pré-sal. Um bom teste será o leilão, ainda este ano, do excedente da cessão onerosa.

Efeito mais duradouro dessa onda de incerteza externa é reforçar o viés de desvalorização cambial (dólar acima de R$ 4) que só será neutralizado com avanços consistentes na relação EUA / China e maior nitidez nas consequências do Brexit.

Em resumo, o BC voltou a reduzir os juros básicos, apesar de renovadas tensões internacionais e restrições políticas ao ajuste interno: novo corte é esperado ainda este ano.

Prevaleceu o nível confortável da inflação e a ancoragem de suas expectativas. A alta do petróleo parece ser fenômeno transitório sem força, por si só, para provocar recaída recessiva na economia mundial.

Pode até beneficiar o Brasil, ao recolocar questões geopolíticas na avaliação dos riscos de investimentos em produção e exploração.

Os próximos leilões do pré-sal serão o teste definitivo, especialmente se houver avanços na modernização do marco regulatório com o phase out do ineficiente regime de partilha.

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