30 de janeiro de 2019

Publicação: Valor Econômico, p. B-6

País produz 21 milhões de toneladas de celulose.

O ano de 2018 foi relevante para a indústria de celulose. A produção brasileira deve atingir no período o recorde de 21 milhões de toneladas, 7,5% acima de 2017 e o maior volume da série histórica da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que começou em 2007. A produção recorde é completada por preços internacionais em patamares altos. Um cenário perfeito para os produtores brasileiros.

A perspectiva de produção recorde foi fornecida pela Ibá com exclusividade ao Valore reflete o cenário atual do setor, no qual a demanda mundial permanece forte, os preços estão em patamares elevados e o Brasil terá, a partir de 2019, a maior produtora global de celulose de eucalipto, criada da fusão da Fibria e Suzano. Até novembro, segundo dados já divulgados pela Ibá, a produção somou 19,3 milhões de toneladas, avanço anual de 9,6%. Como a média mensal está em pouco mais de 1,7 milhão de toneladas, a previsão para o ano é atingir 21 milhões de toneladas.

A principal justificativa para o aumento da produção brasileira está na demanda ainda aquecida, no qual o consumo mundial de celulose tem crescido ao ritmo de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas por ano. Walter Schalka, presidente da Suzano, disse em novembro que o mercado de celulose deve crescer de 2,5% a 3% nos próximos anos.

O Brasil exporta a maior parte da sua produção, com avanço de 9,7% dos embarques de janeiro a novembro de 2018, para 13,23 milhões de toneladas, de acordo com a Ibá, ou US$ 7,5 bilhões FOB. A China é o principal destino, responsável por 42% do total das exportações, US$ 3,1 bilhões, crescimento de 42,1% de janeiro a novembro de 2018 ante 2017.

O aumento da produção brasileira foi favorecido ainda por um cenário de preços elevados da celulose, mesmo com uma correção vista no fim do ano passado. De janeiro a setembro de 2018, conforme a Fitch Ratings, o preço médio da celulose branqueada de eucalipto ficou em US$ 818 por tonelada, alta de 25% frente a igual intervalo de 2017. No fim do ano houve correção, para US$ 642,89 a tonelada na China, conforme o índice PIX, calculado pela Foex. Há quem diga no mercado, contudo, que essa queda foi temporária.

O BTG Pactual, em relatório divulgado no dia 18 de janeiro, justificou que ocorreu apenas um ajuste temporário dos estoques chineses. A perspectiva positiva também foi reforçada pela agência de classificação de risco Moody's, que estima para 2019 preços em linha com a média praticada em 2018 e acima da média dos últimos cinco anos.

Outro ponto que reforça a projeção de que a queda dos preços é temporária é a ausência de projetos relevantes que aumentem significativamente a capacidade produtiva de celulose no mundo. O próximo já anunciado é o projeto Mapa, da chilena Arauco, que deve entrar em operação até 2021, com produção de 2,1 milhões de toneladas anuais, aumento de 1,27 milhão sobre a capacidade atual.

No Brasil, o ano de 2018 também foi marcado pela fusão entre Fibria e Suzano, com a criação da maior produtora global de celulose fibra curta. A estimativa é que a nova empresa terá capacidade produtiva anual de 11 milhões de toneladas. A combinação das operações e bases acionárias foi efetivada no dia 14 de janeiro, quando os acionistas da Fibria receberam a parcela em dinheiro de R$ 50,20, além de 0,4613 ação ordinária da Suzano. Além da troca de ações, a Suzano pagou R$ 27,8 bilhões pela Fibria.

Até 2021, segundo a Ibá, já estão anunciados investimentos próximos a R$ 14,5 bilhões pela indústria de celulose.

28 de janeiro de 2019

Publicação: OESP, p. B-6

‘A Suzano precisa pensar de forma global’.

Companhia estuda ganho de sinergias em celulose e traça planos para expandir produção para o consumidor final.

Após incorporar a Fibria no ano passado e manter a marca da família Feffer para o negócio global, a Suzano agora está num momento de captura de sinergias e de olhar toda a sua operação – tanto a de celulose quanto a de papel – para definir estratégias que sejam adequadas a uma líder global do setor. Com 11 milhões de toneladas de capacidade, a Suzano é hoje a líder mundial isolada em celulose de fibra curta.

À frente da “nova” Suzano está o executivo Walter Schalka. Segundo ele, a empresa precisa “desapegar” do passado para construir seu futuro. Por isso, parte dos cargos-chave da companhia estão sendo ocupados por ex-diretores da Fibria. Além de olhar de perto e considerar novos investimentos em celulose – cuja demanda cresce 2,5% ao ano –, Schalka diz que a Suzano busca também oportunidades na operação de papel.

Depois de um investimento recente em produtos de consumo – como papel higiênico – focado no Norte e no Nordeste, a companhia pretende continuar a investir e crescer nessa área. Embora considere cedo para dizer se a Suzano vai disputar o mercado global também nesse segmento, Schalka assegura que a companhia vai continuar a atuar nessa seara. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.

• Duas famílias estão por trás dessas duas empresas. Como esse alinhamento deu certo?

Decidimos, desde o início das conversas, que as famílias não se envolveriam diretamente na discussão. Então, toda a condução da transação foi feita por profissionais. Obviamente que cada profissional voltava e discutia com os respectivos conselhos de administração. Todos sabiam que essa combinação criaria muito valor.

• Essa fusão é resultado da soma das duas companhias?

Na verdade, uma aprende com a outra. Isso pressupõe desapego (do passado). Fizemos uma combinação de executivos e vamos olhar de forma desapegada para o passado para fazer uma companhia ainda melhor no futuro.

• E o que vai ser a companhia do futuro?

Em um primeiro momento, estamos na captura das sinergias, mas analisando como ter um impacto adequado na sociedade. É nossa responsabilidade sermos protagonistas no processo de transformação da sociedade também.

• Isso quer dizer que a Suzano vai adotar certas bandeiras daqui para a frente?

Vamos nos posicionar sim e escolher algumas questões que são relevantes para apresentar para sociedade.

• E quais bandeiras estão sendo consideradas?

Acreditamos que diversidade é rica, não é só gênero, etnia... É isso, mas não apenas isso. Acreditamos na diversidade de opiniões e visões como um todo.

• Como está o processo de sinergia entre as duas empresas? Em quanto tempo dá para capturar esse processo?

Em 16 de março de 2018 (data de anúncio da fusão), foi criado um time, com um executivo da Suzano e outro da Fibria para analisar todas as sinergias possíveis e onde nós poderíamos capturar valor, tudo com apoio de uma consultoria externa. Durante esse período, as pessoas começaram a estudar todas as possibilidades. Só ficaram de fora as áreas comercial e de madeiras. Em 14 de janeiro, recebemos um relatório com oportunidades de sinergia, com exceção desses dois pontos. Já começamos a estudar as sinergias dessas duas áreas.

• E o que consta nesse livro?

Vamos fazer a divulgação durante o Suzano Day (conferência que a empresa realiza com analistas do mercado financeiro) no fim de março. O que posso falar, neste momento, é que a maior sinergia vem da área de florestas, de despesas administrativas, comerciais e operacionais. Outra questão importante é o de embarque de navios, uma vez que tem muitos terminais, o que abre muitas oportunidades, além da área de suprimentos. Não estudamos ainda a área comercial.

• Quais são os grandes números dessa empresa?

É uma empresa que tem 11 milhões de toneladas de celulose (de capacidade) e 1,4 milhão de toneladas de papel. São cerca de 15,5 mil colaboradores diretos e 37 mil, incluindo os indiretos. É uma companhia que tem presença em 80 países. Então, precisamos trabalhar de forma global. No Brasil, temos atuação em centenas de municípios, por causa da base florestal.

• Olhando o mercado global de celulose, há demanda por novas fábricas?

O mercado de celulose, como toda commodity, tem muita flutuação de oferta. Nos últimos meses, houve queda de demanda, reflexo, principalmente, do impacto da guerra comercial entre China e EUA. Mas entendemos que a demanda voltará a crescer, como nos últimos anos – na ordem de 2,5% ao ano, ou 1,5 milhão de toneladas. Hoje, todas as fábricas operam a plena capacidade. Nossa percepção é de que o mercado vai ficar mais apertado nos próximos anos e retomará os investimentos em expansão.

• Como fica a posição da Suzano no mercado global?

Inovação está no dia a dia da companhia. Temos uma área exclusiva para esse negócio, oriundo da Fibria. Fernando Bertolucci vai ser responsável por todas as inovações da empresa nas áreas industriais e florestais. Outra área, sob o comando de Vinícius Nonino, também da Fibria, por novos negócios. Vamos ter duas áreas trabalhando em conjunto buscando esse processo de inovação. Vamos explorar muito a tecnologia e conhecimento da árvore.

• Há espaço para novas consolidações fora do Brasil?

Não é o momento para a Suzano discutir isso. Hoje ela tem de capturar as sinergias, olhar para os acionistas e melhorar o nível de serviço a clientes. Também temos de fazer uma redução do endividamento.

• Antes de dar início à fusão com a Fibria, a Suzano fez investimento no varejo. Vai manter a operação?

Está a pleno vapor. Nosso objetivo continua sendo no Norte e Nordeste. Já somos líderes nessas duas regiões, com a marca Mimmo.

• A divisão de papel vai ser focada no mercado interno?

Não tenho essa resposta ainda. O que posso assegurar: vamos continuar nos setores de papel e bens de consumo.

• A Suzano se endividou muito com a fusão. Como está o perfil dessa dívida?

No dia da fusão fizemos anúncio ao mercado de dois empréstimos-ponte, que somam US$ 9,2 bilhões, para financiar a operação. Entre 16 de março e 14 de janeiro, fizemos sucessivas transações internacionais de alongamento de US$ 6,9 bilhões. Fizemos alongamento e essa dívida está alongada a custos competitivos. Vamos detalhar isso na divulgação de resultados, no dia 22 de fevereiro.

• Como foi o processo de escolha para a marca Suzano?

O conselho de administração da Suzano decidiu que o nome Suzano deveria prevalecer. A ideia foi combinar o nome Suzano com a marca da Fibria. Mudou a forma de escrever para dar modernidade.

• Qual sua leitura sobre o novo governo?

Há muitas expectativas sobre o novo governo. Alguns pontos têm de ser endereçados. Espero que com a velocidade e profundidade necessárias. Se me perguntam se sou otimista, digo que sou reformista. O Brasil precisa passar por reformas e elas têm de ser profundas. Fala-se muito sobre a reforma da Previdência, que é relevante, mas não é a única. Temos de aprovar outras que são fundamentais para que o Brasil se torne um Estado muito mais eficiente do que é hoje. Tem a reforma tributária, que é fundamental, mas precisamos discutir a questão federativa, quem é responsável pelo quê, além de propostas para saúde, educação e infraestrutura. É muito cedo para medirmos se o governo está sendo eficiente ou não.

• O sr. foi uma das vozes do movimento ‘Você Muda o Brasil’. Como será sua atuação daqui para a frente?

Vou continuar me envolvendo nas discussões que ajudam a construir um Brasil diferente. Nos últimos anos, houve omissão por parte dos executivos e empresários. A razão dessa omissão é muito clara: receio da reação do governo. Na realidade, houve um processo natural de retirada dos empresários dessas discussões. Temos de ser mais protagonistas, como empresas e como cidadãos.

29 de Janeiro de 2019

Publicação: Celulose OnLine - Notícias

Celulose começa baixar preço

O BTG Pactual reiterou, mais uma vez, que as ações da Suzano são suas preferidas no setor de Papel e Celulose, entendendo que os valores dos papéis ainda estão subavaliados e que os investidores ainda não enxergaram os benefícios da fusão com a Fibria, como as sinergias e consolidação do negócio. A avaliação foi realizada após a companhia anunciar a redução nos preços para os mercados da Europa e da China.

Com isso, as ações da Suzano têm queda de 2,21% a R$ 44,59.

A equipe do banco entende que existem riscos negativos para a tese de investimentos, mas enxergam a Suzano negociando com 4,2x EBITDA 19 e 18% de FCF. Em uma base mensal, a empresa ainda estaria gerando um rendimento FCF de cerca de 14%, o que, na visão deles é um bom presságio para a chamada de desalavancagem.

Em relatório enviado a clientes, o banco destaca que observa um impasse entre fornecedores de celulose brasileira e indonésia e compradores chineses. Embora os chineses tenham pressionado agressivamente por descontos (de maneira coordenada), os vendedores simplesmente não acreditavam que os fundamentos garantissem descontos e mantivessem os preços.

O resultado foi um mercado altamente ilíquido e um estoque agressivo (da perspectiva do fornecedor), levando a uma dinâmica insustentável. A partir desta manhã, a Suzano confirmou que está finalmente cedendo, reduzindo os preços em US$ 40 /t para os mercados chinês e europeu. Os novos preços também estão bem acima dos atuais preços spot (> 10% acima do spot).

O BTG entende que dados recentes indicam que os preços realmente chegaram ao fundo e agora devemos ver os preços subindo novamente para potencialmente US$ 700 / t. Enquanto os fundamentos da China permanecem pressionados e ainda existem riscos de preços, os analistas acreditam que a estratégia para um terreno comum é sensata. Fonte: Money Times

28 de Janeiro de 2019

Publicação: Celulose OnLine - Notícias

Executivos da Suzano Celulose debatem investimentos da empresa no Tocantins

O governador do Tocantins, Mauro Carlesse, recebeu na manhã desta quarta-feira, 23, no Palácio Araguaia, os executivos da Suzano Papel e Celulose, André Brito e Mauro Rangel, para debater os investimentos da empresa no Estado.

O gerente de relações institucionais, André Brito, entregou ao governador o mapeamento de todas as operações da empresa no Tocantins, que consiste na aquisição de áreas para plantio de árvores para a produção de celulose e também na aquisição de reflorestamentos já implantados no Estado, que serão processados na unidade industrial da empresa em Imperatriz, Maranhão. O Estado também é contemplado pelo número de empregos gerados e também pela geração de impostos ao Estado e para os municípios onde a empresa tem operação.

Mauro Carlesse apresentou o potencial produtivo e logístico do Estado para o agronegócio e a agroindústria e convidou a empresa para também instalar uma unidade industrial no Tocantins. “Temos projetos grandiosos para o Estado, que vão atrair esses investimentos. Vamos construir a travessia da Ilha do Bananal e trabalhar para a duplicação da Belém-Brasília. Também vamos construir a ponte de Porto Nacional, recuperar as rodovias que já temos e construir as que faltam. A operação da Ferrovia Norte-Sul, junto com a nossa malha viária, vai viabilizar muitos desses investimentos que vão gerar empregos para nossa gente", afirmou o governador.

André Brito afirmou que a instalação de uma indústria no Estado é uma possibilidade a ser estudada e que já identificou o potencial do Tocantins. Ainda assim, a empresa já prepara a abertura de seis filiais no Estado, para que seja possível a extração dos reflorestamentos já adquiridos. “Já vamos abrir escritórios e emitir notas fiscais e isso vai aumentar a receita que já geramos para o Estado", disse. O gerente da Suzano informou que a empresa finalizou, há poucos dias, uma fusão de proporções internacionais, que a transforma na maior empresa de agronegócio do Brasil. “Temos 37 mil colaboradores diretos e indiretos e já estamos presentes em 90 países. Só no Brasil já são 10 unidades", declarou.

O governador Mauro Carlesse avaliou como positiva a reunião e afirmou que o Tocantins está de portas abertas para receber investimentos que tragam oportunidades de crescimento econômico para o Estado e empregos para as pessoas.

“Nossa obrigação é facilitar o trabalho para quem quer investir aqui. Estamos trabalhando para melhor estruturar o Estado e reduzir a burocracia. Os processos precisam andar mais rápido e com eficiência para atender ao que o empresário precisa e também ao Estado, que terá uma arrecadação melhor para investir na melhoria da vida das pessoas", disse o governador.

28 de Janeiro de 2019

Publicação: CanalTech Corporate Noticias

Samsung vai substituir plásticos de embalagens por materiais sustentáveis

Samsung

A Samsung vai começar a substituir materiais plásticos por ecologicamente corretos nas embalagens de seus produtos, assumindo um compromisso com a sustentabilidade.

Em comunicado, a sul-coreana revelou que a iniciativa começa a ser colocada em prática a partir do primeiro semestre deste ano, com embalagens de produtos e acessórios como smartphones e eletrodomésticos contando com materiais sustentáveis, como plásticos e papéis recicláveis e de base biológica.

A empresa criou uma força tarefa para a criação de embalagens inovadoras que trabalha desde a concepção e desenvolvimento de novos materiais até a compra, marketing e controle de qualidade.Participe do nosso GRUPO CANALTECH DE DESCONTOS do Whatsapp e do Facebook e garanta sempre o menor preço em suas compras de produtos de tecnologia.

Em smartphones, tablets e outros dispositivos móveis, a Samsung vai substituir o plástico das bandejas de suporte por moldes de celulose, enquanto os plásticos utilizados para a embalagem de acessórios serão substituídos por materiais ecológicos. Carregadores de smartphones deixarão de ter acabamento em brilho para dar lugar ao fosco, tornando os filmes plásticos de proteção desnecessários.

Em relação aos eletrodomésticos, os sacos plásticos que protegem a superfície serão substituídos por bioplásticos e outros materiais reciclados que sejam feitos à base de combustíveis não-fósseis como cana-de-açúcar e amido.

A partir do ano que vem, as embalagens de papel da Samsung serão feitos de materiais de fibra certificados por organizações ambientais globais. Até 2030, a previsão da companhia é que 500 mil toneladas de plásticos sejam reciclados e que 7,5 milhões de toneladas de produtos descartados sejam coletados, projeto que começou ainda em 2009.

A decisão da Samsung deve impactar significativamente o número de resíduos gerados pela indústria, visto que a companhia é uma das maiores fabricantes de eletrônicos do mundo. A Apple, sua concorrente, também já lançou versões ecologicamente corretas de seus produtos.

24 de Janeiro de 2019 (07:59)

Publicação: Abril - Revista Exame.COM

Biotecnologia pode reduzir custos da produção de papel

Com apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e do Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (PAPPE-Subvenção), a Verdartis, empresa especializada em biotecnologia, desenvolveu um processo de produção de enzimas (proteínas que desempenham a função de catalisadores) capazes de tornar o processo de refino de celulose mais sustentável, reduzindo o impacto ambiental da produção de papel.

Marcos Lourenzoni e Álvaro de Baptista Neto, pesquisadores e sócios da empresa, instalada no Centro de Negócios do Parque de Inovação e Tecnologia Supera, em Ribeirão Preto, explicam que, no processo de produção de papel, a pasta de celulose, obtida no processo físico-químico Kraft a partir de cavacos de madeira, passa por refinadores que provocam mudanças estruturais nas fibras, tornando-as mais flexíveis. Esse processo é mecânico e, por isso, consome uma considerável quantidade de energia elétrica. A ação das enzimas ajuda a degradar as fibras de celulose, acelera o processo e diminui, assim, a energia elétrica gasta na produção.

Segundo uma avaliação realizada no Laboratório de Celulose e Papel da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, a mistura das enzimas produzidas pela Verdartis leva à redução de cerca de 30% no consumo de energia gasto na etapa de refino.

A startup concluiu o projeto PIPE em abril de 2017, chegando ao desenvolvimento do processo produtivo de variantes melhoradas de enzimas celulases e xilanases que, misturadas em diferentes proporções, podem atuar tanto no refino da fibra virgem de celulose quanto no refino de celulose proveniente do papel reciclado.

Segundo Lourenzoni, o plano é buscar o apoio da FAPESP também para o desenvolvimento do escalonamento da produção. O objetivo dos sócios é colocar no mercado uma alternativa nacional às enzimas produzidas no exterior. “Existe uma alta demanda por esse produto e não há produção nacional: as enzimas utilizadas atualmente são importadas", diz Baptista.

Lourenzoni explica que o processo de refino depende do tipo de papel que se deseja obter e do tipo de madeira utilizada em sua produção. Nesse último aspecto, o uso de enzimas produzidas fora do país apresenta um problema: são desenvolvidas para um processo de fabricação que utiliza madeira de coníferas, enquanto no Brasil a árvore mais utilizada pela indústria de papel e celulose é o eucalipto - para o qual a enzima importada não se mostra tão eficiente. A Verdartis, segundo ele, aposta exatamente na customização para atrair os clientes.

Evolução dirigida

A empresa já tinha contado com o apoio do PIPE da FAPESP para desenvolver tecnologia batizada com o nome de Persozyme, baseada no processo denominado “evolução dirigida", que mimetiza in vitro a evolução da biodiversidade natural e permite a seleção de enzimas com características predefinidas.

Nesse projeto, as enzimas personalizadas foram desenvolvidas para o processo de branqueamento da polpa de celulose. Lourenzoni explica que a polpa entra nesse processo com coloração marrom, devido à lignina residual. Para obter a celulose branca, os fabricantes precisam usar grandes quantidades de dióxido de cloro, um alvejante tóxico que reage com a lignina, quebrando-a em moléculas menores, a fim de extraí-la.

A enzima tem a função de facilitar o acesso desses compostos à lignina e, assim, reduzir a quantidade de dióxido de cloro utilizado na produção, o que resulta em ganhos ambientais e financeiros. “A utilização da enzima permite a redução de cerca de 25% na utilização de dióxido de cloro", afirma o pesquisador.

Na pesquisa e desenvolvimento da Persozyme, além de outros cinco projetos financiados pelo programa PIPE (clique aqui para ver a lista de projetos apoiados), a empresa também contou com o apoio do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto. Essa parceria, aliás, foi o que estimulou a constituição da empresa, em 2007.

“O professor Richard Ward trabalhava, na época, com enzimas para atuar em altas temperaturas e queria avançar nas pesquisas que eram feitas na universidade. Optamos por abrir uma empresa de biotecnologia: eu tinha conhecimento de bioinformática; o Álvaro Baptista, de produção, e o Richard Ward, de biologia molecular. Nesse momento também tivemos apoio da empresa Suzano Papel e Celulose, com amostras para testes e orientações sobre o processo", diz Lourenzoni. Hoje, o professor Ward atua como consultor da Verdartis.

Em 2010, os resultados com a produção de enzimas personalizadas para branqueamento de celulose renderam à Verdartis o primeiro lugar no Prêmio Abiquim de Tecnologia, conferido pela Associação Brasileira da Indústria Química na categoria “Empresa Nascente". Mas esse reconhecimento não tornou a empresa imune às crises enfrentadas pelo setor. “Por volta de 2011, o custo da água ficou muito alto e as empresas de celulose começaram a usar menos água na lavagem, o que limitou a utilização da enzima para o branqueamento, pois o processo requer uma lavagem eficiente", lembra Baptista.

A saída para a Verdartis foi “pivotar", e redirecionar o modelo de negócio. Decidiu então iniciar novas pesquisas direcionadas à etapa do refino. Agora, com o produto destinado ao refino já desenvolvido e prestes a ingressar no mercado em escala industrial, a Verdartis tem planos de retomar a produção de enzimas voltadas ao processo de branqueamento de papel. “Vamos investir agora nas duas frentes", diz Lourenzoni.

24 de Janeiro de 2019

Publicação: Celulose OnLine - Notícias

Suzano cai com redução de preços para China e Europa; BTG reitera compra

O BTG Pactual (BPAC11) reiterou, mais uma vez, que as ações da Suzano (SUZB3) são suas preferidas no setor de Papel e Celulose, entendendo que os valores dos papéis ainda estão subavaliados e que os investidores ainda não enxergaram os benefícios da fusão com a Fibria (FIBR3), como as sinergias e consolidação do negócio. A avaliação foi realizada após a companhia anunciar a redução nos preços para os mercados da Europa e da China.

Com isso, as ações da Suzano têm queda de 2,21% a R$ 44,59.

A equipe do banco entende que existem riscos negativos para a tese de investimentos, mas enxergam a Suzano negociando com 4,2x EBITDA 19 e 18% de FCF. Em uma base mensal, a empresa ainda estaria gerando um rendimento FCF de cerca de 14%, o que, na visão deles é um bom presságio para a chamada de desalavancagem.

Em relatório enviado a clientes, o banco destaca que observa um impasse entre fornecedores de celulose brasileira e indonésia e compradores chineses. Embora os chineses tenham pressionado agressivamente por descontos (de maneira coordenada), os vendedores simplesmente não acreditavam que os fundamentos garantissem descontos e mantivessem os preços.

O resultado foi um mercado altamente ilíquido e um estoque agressivo (da perspectiva do fornecedor), levando a uma dinâmica insustentável. A partir desta manhã, a Suzano confirmou que está finalmente cedendo, reduzindo os preços em US$ 40 /t para os mercados chinês e europeu. Os novos preços também estão bem acima dos atuais preços spot (> 10% acima do spot).

O BTG entende que dados recentes indicam que os preços realmente chegaram ao fundo e agora devemos ver os preços subindo novamente para potencialmente US$ 700 / t. Enquanto os fundamentos da China permanecem pressionados e ainda existem riscos de preços, os analistas acreditam que a estratégia para um terreno comum é sensata. Fonte: Money Times

23 de Janeiro de 2019

Publicação: Notícias - Tocantins

Governador Carlesse e executivos da Suzano Celulose debatem investimentos da empresa no Estado

O governador Mauro Carlesse recebeu, na manhã desta quarta-feira, 23, no Palácio Araguaia, os executivos da Suzano Papel e Celulose, André Brito e Mauro Rangel, para debater os investimentos da empresa no Estado.

O gerente de relações institucionais, André Brito, entregou ao governador o mapeamento de todas as operações da empresa no Tocantins, que consiste na aquisição de áreas para plantio de árvores para a produção de celulose e também na aquisição de reflorestamentos já implantados no Estado, que serão processados na unidade industrial da empresa em Imperatriz, Maranhão. O Estado também é contemplado pelo número de empregos gerados e também pela geração de impostos ao Estado e para os municípios onde a empresa tem operação.

Mauro Carlesse apresentou o potencial produtivo e logístico do Estado para o agronegócio e a agroindústria e convidou a empresa para também instalar uma unidade industrial no Tocantins. “Temos projetos grandiosos para o Estado, que vão atrair esses investimentos. Vamos construir a travessia da Ilha do Bananal e trabalhar para a duplicação da Belém-Brasília. Também vamos construir a ponte de Porto Nacional, recuperar as rodovias que já temos e construir as que faltam. A operação da Ferrovia Norte-Sul, junto com a nossa malha viária, vai viabilizar muitos desses investimentos que vão gerar empregos para nossa gente", afirmou o governador.

André Brito afirmou que a instalação de uma indústria no Estado é uma possibilidade a ser estudada e que já identificou o potencial do Tocantins. Ainda assim, a empresa já prepara a abertura de seis filiais no Estado, para que seja possível a extração dos reflorestamentos já adquiridos. “Já vamos abrir escritórios e emitir notas fiscais e isso vai aumentar a receita que já geramos para o Estado", disse. O gerente da Suzano informou que a empresa finalizou, há poucos dias, uma fusão de proporções internacionais, que a transforma na maior empresa de agronegócio do Brasil. “Temos 37 mil colaboradores diretos e indiretos e já estamos presentes em 90 países. Só no Brasil já são 10 unidades", declarou.

O governador Mauro Carlesse avaliou como positiva a reunião e afirmou que o Tocantins está de portas abertas para receber investimentos que tragam oportunidades de crescimento econômico para o Estado e empregos para as pessoas. “Nossa obrigação é facilitar o trabalho para quem quer investir aqui. Estamos trabalhando para melhor estruturar o Estado e reduzir a burocracia. Os processos precisam andar mais rápido e com eficiência para atender ao que o empresário precisa e também ao Estado, que terá uma arrecadação melhor para investir na melhoria da vida das pessoas", disse o governador.

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