Conjuntura do Agronegócio

1. Agro aceita taxação e pede participação para acompanhar ‘reconstrução’ do estado ‘quebrado’

O produtor rural e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Normando Corral, disse que o setor do agro concordou em contribuir com a mudança sobre nova lei do Fethab, porém, o setor deseja participar da ‘construção’ do estado que está em calamidade financeira.

A dclaração foi feita ao final da reunião que durou mais de 3 horas, entre o Fórum Agro e os deputados Pedro Satélite (PSD) e o líder do governo Dilmar Dal’¬Bosco (DEM), na Assembleia Legislativa.

“O que é possível suportar pelo agro. A gente vem dizendo o seguinte, somos bastante taxados, mas queremos contribuir e participar da reconstrução do estado que está na situação de calamidade. Só somos chamados para arrecadar mais impostos. Então queremos participar dessa reconstrução. Estamos avançando”, reclamou.

O líder do governo Dilmar Dal’Bosco irá levar a contraproposta ao governador Mauro Mendes (DEM) ainda nesta segunda. “A gente é sensível a isso, viaturas recolhidas, por exemplo, causa insegurança. Não estamos reclamando somente da taxação, mas queremos participar”, comentou o representante da Famato.

Quanto aos números e demais dados levados pelo setor, Armando disse que o Fórum irá divulgar em breve.

Ele revelou ainda que o novo Fethab será votada pela atual legislatura. “O governo quer fechar até o dia 31 de janeiro, está seguindo para isso. Até mesmo por causa da necessidade do dinheiro rápido”, concluiu.

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Fonte: Leia Agora

2. Em Davos, Bolsonaro diz que quer compatibilizar preservação ambiental com avanço econômico

Em sua estreia em eventos internacionais, o presidente Jair Bolsonaro discursou nesta terça-feira (22) na abertura da sessão plenária do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

No discurso de pouco mais de seis minutos, Bolsonaro afirmou que:

• o governo investirá "pesado" em segurança para que estrangeiros visitem mais o Brasil

• pretende "avançar" na compatibilização de preservação ambiental e desenvolvimento econômico

• diminuirá a carga tributária para "facilitar a vida" de quem produz

• trabalhará pela estabilidade macroeconômica

• respeitará contratos

• promoverá privatizações

• fará o equilíbrio das contas públicas

• colocará o Brasil no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios

• fará a "defesa ativa" da reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC)

• defenderá a família e os "verdadeiros" direitos humanos

• protegerá o direito à vida e à propriedade privada

• promoverá uma educação voltada aos desafios da "quarta revolução industrial", que consiste na aplicação de tecnologias modernas (como inteligência artificial, automação e 5G) na indústria

Bolsonaro foi o primeiro chefe de Estado da América Latina a discursar na abertura do fórum. Cerca de 250 autoridades do G20 (grupo que reúne as 20 principais economias do mundo) e de outros países compareceram ao evento, porém, a edição deste ano tem ausências importantes: os presidentes Donald Trump (EUA), Xi Jinping (China), Emmanuel Macron (França), Vladimir Putin (Rússia) e os primeiros-ministros Theresa May (Reino Unido) e Ram Nath Kovind (Índia).

O encontro deve contar com apenas três líderes do G7 (grupo formado pelos sete países mais industrializados do mundo): o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o premiê italiano, Giuseppe Conte.

Preservação e desenvolvimento - Diante das desconfianças internacionais em relação à política do governo para a preservação ambiental, o presidente disse na abertura do fórum que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente e afirmou que o governo quer compatibilizar preservação do meio ambiente e biodiversidade com avanço econômico.

Criticado por ambientalistas pelas mudanças que implementou na estrutura de preservação ambiental do governo, ele citou estatísticas para demonstrar aos líderes do planeta que o agronegócio não estaria avançando sobre áreas de preservação ambiental, como as florestas.

Segundo Bolsonaro, a agricultura ocupa somente 9% do território brasileiro, e a pecuária, menos de 20%. "Nossa missão é avançar na compatibilização da preservação do meio ambiente e biodiversidade com avanço econômico", discursou.

“Hoje, 30% do Brasil são florestas. Então, nós damos, sim, exemplo para o mundo. O que pudermos aperfeiçoar, o faremos. Nós pretendemos estar sintonizados com o mundo na busca da diminuição de CO2 e na preservação do meio ambiente", complementou o presidente depois do pronunciamento, ao responder perguntas dos organizadores.

Negócios - O presidente destacou que pretende investir em educação e repetiu, mais uma vez, que deseja tirar o "viés ideológico" dos negócios realizados com outros países, "visando o comércio com aqueles que comungam com práticas semelhantes à nossa".

Reforma na OMC - Bolsonaro defendeu uma reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais", disse no discurso.

Abertura da economia - Ele também afirmou que o governo vai promover uma abertura na economia do país. "O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste governo."

'Crise ética' e corrupção - O presidente afirmou à plateia do fórum que assumiu a Presidência da República com uma "profunda crise ética, moral e econômica". Após dizer que não aceitou pressões políticas para montar seu ministério, o presidente apresentou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, como "homem certo" para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro.

Segurança - "Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. Conheçam a nossa Amazônia, nossas praias, nossas cidades e nosso pantanal. O Brasil é um paraíso, mas ainda é pouco conhecido", declarou. Reformas - Bolsonaro afirmou que tem "credibilidade" para realizar as reformas que o Brasil precisa e que o "mundo espera", sem especificar quais seriam as mudanças estruturais que pretende propor ao longo do mandato.

Ao final do pronunciamento, ao responder perguntas do fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, Bolsonaro mencionou a intenção de realizar as reformas previdenciária e tributária.

"Pretendemos diminuir o tamanho do Estado, realizar reformas, por exemplo, como a da Previdência e tributária, queremos tirar o peso do Estado de cima de quem produz, de quem empreende", afirmou Bolsonaro.

Mercosul - Em outro trecho da fase de perguntas e respostas, Jair Bolsonaro relatou aos participantes do fórum que conversou com os presidentes Mauricio Macri (Argentina), Sebastián Piñera (Chile) e Mario Abdo (Paraguai) sobre a necessidade de fazer mudanças no Mercosul. O bloco também é composto pelo Uruguai.

O presidente brasileiro não citou quais alterações defende, mas já defendeu, após um encontro com Macri, um Mercosul “enxuto”.

“Estamos preocupados sim em fazer uma América do Sul grande, que cada país, obviamente, mantenha a sua hegemonia local. Não queremos uma América bolivariana como há pouco existia no Brasil em governos anteriores”, afirmou.

'Resposta' à esquerda - Bolsonaro ressaltou as vitórias recentes em países do continente de políticos de centro e de centro-direita o que, segundo ele, é uma “resposta” à esquerda. “Creio que isso seja uma resposta que a esquerda não prevalecerá nessa região, o que é muito bom no meu entender, não só para América do Sul, bem como para o mundo”, opinou.

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Fonte: GI

3. Exportações do agro em alta de quase 6% ultrapassam US$ 100 bilhões

As exportações do agronegócio atingiram o valor recorde nominal de US$ 101,69 bilhões em 2018, com crescimento de 5,9% em relação aos US$ 96,01 bilhões exportados em 2017. O recorde anual anterior ocorreu em 2013, quando o país exportou US$ 99,93 bilhões em produtos do setor.

De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as vendas para a China explicam o comportamento da balança do agro. As exportações para o país aumentaram US$ 9 bilhões. O valor supera o aumento US$ 5,67 bilhões registrado no mercado externo de alimentos como um todo.

No complexo soja, o grão foi o principal produto exportado com volume recorde de 83,6 milhões de toneladas. Segundo o boletim da Secretaria, o incremento na quantidade exportada não ocorreria sem a forte demanda chinesa. O consumo chinês cresceu de 53,8 milhões de toneladas, em 2017, para 68,8 milhões de toneladas, em 2018, com aumento de 15 milhões de toneladas de soja em grãos.

Já o comércio de carne bovina in natura atingiu volume recorde na série histórica iniciada em 1997. No ano passado, foram exportadas 1,35 milhão de toneladas (+12,2%). Foram vendidas para a China 322,3 mil toneladas com acréscimo de 111,1 mil toneladas em relação a 2017.

Outro produto que teve desempenho favorável, nos últimos 12 meses, foi a celulose, dentro do segmento de produtos florestais. A celulose obteve valor recorde de US$ 8,35 bilhões (+31,5%), também, em quantidade, chegando a 15,3 milhões de toneladas (+10,6%). Também a demanda chinesa explica em grande parte esse incremento. O país asiático aumentou as aquisições para 6,5 milhões de toneladas de celulose em 2018 (+20%).

A participação do Agronegócio representou 42,4% do total das vendas externas brasileiras no ano. As importações do agro registraram retração de 0,8%, somando US$ 14 bilhões. Como resultado, o saldo da balança comercial do setor foi de US$ 87,6 bilhões (+7,1%)

A divulgação dos dados da Balança Comercial do Agronegócio, elaborados pela Secretaria Comercial e Relações Internacionais, foi feita nesta sexta-feira (18).

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Fonte: MAPA/Hora Extra

Insumos

4. Governo vai incluir trecho da Transamazônica em concessões, diz ministro

O Brasil incluirá trecho da Rodovia Transamazônica na lista de concessões, disse o ministro da Infraestrutura nesta terça-feira, buscando investimentos para pavimentar a estrada, apontada como uma das responsáveis por desmatamento da floresta.

A BR-163, uma das principais rotas do Norte para embarque de grãos, também entrará na lista de prioridades do governo para concessões em uma reunião no mês que vem, disse o ministro da Infraestrutura, Tarcisio Freitas, em entrevista à Reuters.

O governo do presidente Jair Bolsonaro está buscando reformular a infraestrutura de transportes do Brasil, e assim reduzir custos atrasos na exportação de commodities, ao buscar investidores privados para operar dezenas de projetos rodoviários, ferroviários e aeroportuários.

Os comentários de Freitas seguem os passos do secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Vasconcelos, que disse na véspera que o país privatizará mais aeroportos no sul do país e que vai garantir novos investimentos da Vale e da operadora logística Rumo.

Para rodovias, cinco concessões estão previstos para este ano. A BR-262/381, em Minas Gerais, apelidada de "estrada da morte", também será incluída na lista de licitações, disse ele.

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Fonte: Reuters/Notícias Agrícolas

5. Máquinas agrícolas podem ficar sem financiamentos

Depois de quatro anos seguidos de queda, o setor de máquinas e implementos agrícolas finalmente viu suas vendas voltarem a crescer em 2018. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a comercialização dos produtos chegou a 47,8 mil unidades em 2018, alta de 12,7% sobre as 42,4 mil unidades vendidas em 2017. A projeção para 2019 é de nova alta, na ordem de 10,9%.

O problema, porém, é que os recursos para financiamento podem acabar antes do que o atual Plano Safra, praticamente inviabilizando as vendas por meses. A entidade mais ativa na questão tem sido a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que alerta para o possível problema desde novembro do ano passado. "A indústria está vendo que, do jeito que está, estaremos sem recursos a partir de março", argumenta o presidente da Abimaq, João Carlos Marchesan. A preocupação reside no Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), que precisaria de um reforço de mais R$ 3 bilhões para atender a toda a demanda, segundo Marchesan.

O Moderfrota é uma linha de crédito para a compra de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores, entre outras máquinas, com juros subsidiados pelo governo federal. Neste Plano Safra, os juros foram estipulados em 7,5% a.a. e 9,5% a.a., dependendo do faturamento do agricultor, com prazo para pagamento de sete anos para itens novos e quatro anos para usados. Apenas no primeiro semestre deste ano-safra, os agricultores brasileiros já consumiram 59,2% do total de recursos disponibilizados pelo governo federal para o Moderfrota. Entre julho e dezembro, foram utilizados R$ 5,27 bilhões dos R$ 8,9 bilhões liberados para todo o ciclo, segundo a União.

Nesse ritmo, o financiamento não chegará até o fim do junho, quando se encerra o ano-safra. "Os recursos vão acabar, provavelmente, na Expodireto", projeta o dirigente, referindo-se à feira que acontece em Não-Me-Toque entre 11 e 15 de março. A maior feira do País, a Agrishow, que acontece em Ribeirão Preto (SP) em maio, pode ocorrer sem financiamento disponível pelo programa, caso a projeção se confirme. O resultado, por um lado, exemplifica o aquecimento do setor.

No mesmo período de 2017, por exemplo, apenas R$ 3,5 bilhões haviam sido utilizados pelos produtores dentro do mesmo programa. "Houve uma demanda muito forte, o que é um bom sinal. Pior seria se tivesse dinheiro sobrando e não estivéssemos vendendo", comenta Marchesan. Por outro lado, porém, significa um risco de, pelo menos, três meses com o pé no freio, caso nada seja feito até lá. As entidades que representam o setor buscam algum tipo de suplementação de recursos junto à União, mas, por enquanto, não há sinalização de atitudes.

O presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, argumenta que o ano começou esperançoso, "mas o governo não pode atrapalhar". "O setor não vai parar, mas vai dar uma recuada. Compromete o ano", acrescenta Bier sobre o potencial impacto do fim dos recursos. Marchesan é ainda mais enfático, classificando o cenário como um "caos" para as indústrias.

"Todas aumentaram a produção, contrataram, captaram capital de giro. Sem financiamento, ninguém vai investir em renovação de máquinas", afirma o presidente da Abimaq, que vê nesse, atualmente, o único problema do setor. Com três meses sem financiamentos, o setor levaria mais, pelo menos, outros seis meses para normalizar as vendas, estima Marchesan, basicamente comprometendo todo o ano de 2019. "Recurso existe. São as decisões políticas que limitam os recursos", sustenta o dirigente.

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Fonte: Jornal do Comércio/Agrolink

6. Pesquisadores identificam um novo vírus associado ao mosaico do trigo

O mosaico do trigo transmitido via solo é uma virose que causa perdas frequentes em lavouras com o cereal em vários países. No Brasil, a doença era atribuída a dois vírus: SBWMV e WSSMV. A descoberta de que uma nova espécie de vírus (chamado de WhSMV) está associada a essa doença abre possibilidades no uso da tecnologia para a identificação da variabilidade da população viral em trigo, orientando a geração de cultivares resistentes e as práticas de manejo para redução dos impactos do mosaico.

O mosaico do trigo é uma doença viral cujos efeitos negativos na produção de trigo tem se tornado mais frequentes nas regiões tritícolas da América Latina, especialmente no sul do Brasil e no sul do Paraguai. A doença pode reduzir em 50% a produtividade quando cultivares suscetíveis são semeadas em áreas com inóculo e em condições favoráveis de ambiente. As plantas infectadas pelo vírus apresentam graus variados de subdesenvolvimento, lesões nas folhas e colmos, além do reduzido desenvolvimento de espigas, limitando o potencial de rendimento da cultura.

No Brasil, o mosaico do trigo foi previamente atribuído ao Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV) e, posteriormente, também ao Wheat spindle streak virus (WSSMV), ambos transmitidos por Polymyxa graminis, um microorganismo residente no solo que coloniza as raízes de plantas. Além do trigo, também são hospedeiros o triticale, o centeio, a cevada e outras gramíneas. Os danos à produção causados por mosaico costumam ser limitados às áreas da lavoura onde o vetor se concentra, mas sob condições ambientais favoráveis (frio e umidade), grandes áreas com cultivares suscetíveis podem ser comprometidas. O longo período de sobrevivência do vetor no solo e a ampla gama de plantas hospedeiras dificultam o controle desta virose de outra forma que não por meio da resistência genética, o que torna fundamental caracterizar o nível de resistência e o dano potencial das cultivares disponíveis no mercado para auxiliar na tomada de decisão quanto ao seu emprego em áreas com histórico ou risco de mosaico comum.

Apesar dos primeiros registros de viroses no trigo no Brasil datarem das décadas de 60 e 70, quando iniciou a expansão da triticultura no País, somente com o avanço da biologia molecular e do sequenciamento tem sido viável identificar corretamente os vírus. A descoberta do WhSMV foi possível através de técnicas avançadas de sequenciamento (Next Generation Sequencing ou NGS). As plataformas NGS realizam o sequenciamento de milhões de pequenos fragmentos de DNA em paralelo. Análises de bioinformática são usadas para juntar esses fragmentos permitindo a montagem do genoma viral. O genoma obtido foi então comparado com genomas virais disponíveis em banco de sequências e observou-se que o vírus associado ao mosaico em trigo é 50% divergente de vírus já conhecidos.

De acordo com a pesquisadora Juliana Valente, mestranda da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), até então, a identificação do patógeno estava baseada na observação dos sintomas, forma de transmissão, hospedeiros e formato das partículas virais. “O uso do sequenciamento não direcionado nos permite detectar a presença de novas espécies de vírus que ainda não haviam sido caracterizados pela comunidade científica mundial”, conta ela.

Além das amostras coletadas na Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS, com sequenciamento do RNA de oito cultivares de trigo, também foram avaliadas amostras de plantas com sintomas de mosaico obtidas em outras áreas tritícolas no RS e no PR que confirmam a existência do novo vírus. Outros estudos ainda serão necessários para esclarecer dúvidas sobre a origem do WhSMV, sua distribuição geográfica, sua variabilidade e como afeta a resistência das plantas.

Projeto de pesquisa

A identificação de uma nova espécie viral associada ao mosaico do trigo é o primeiro resultado divulgado pelo projeto “Análise da população viral e estratégias de manejo para o mosaico comum em trigo no Brasil”, que iniciou em fevereiro de 2018. Além de identificar com maior precisão os diferentes vírus que causam o mosaico do trigo, o projeto também está avaliando a eficiência de estratégias genéticas, químicas e culturais no controle da doença.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Douglas Lau, o projeto foi estruturado de forma de forma multi-institucional, combinando universidades e empresas de pesquisa públicas e privadas. O sequenciamento e análise da variabilidade da população viral estão sendo realizados na UDESC, com apoio da Embrapa Uva e Vinho e Embrapa Informática Agropecuária. A caracterização fenotípica, análise da população viral e avaliação das práticas de manejo estão sendo realizadas em rede de ensaios de campo nas regiões tritícolas do Sul do Brasil, executados por Embrapa Trigo, Biotrigo Genética, CCGL Tecnologia, OR Melhoramento de Sementes e Fundação ABC. No total, serão quatro anos de pesquisa, com experimentos em sete municípios do Rio Grande do Sul e Paraná.

Vírus que causam mosaico em trigo transmitidos pelo vetor Polymyxa graminis:

Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV)

O mosaico comum do trigo foi originalmente atribuído ao SBWMV. Esse vírus pertence ao gênero Furovirus e sua partícula possui formato de bastão rígido. Essa virose no Brasil ocorre principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e no sul do Paraná. A sua distribuição está diretamente relacionada às condições do clima frio e úmido que favorece o vetor Polymyxa graminis. Os danos à produção causados por mosaico, em geral, são limitados a pequenas extensões, mas cultivares suscetíveis podem sofrer perda total sob condições ambientais favoráveis.

O longo período de sobrevivência do vetor e a diversidade de plantas hospedeiras dificultam o controle desta virose de outra forma que não por meio da resistência genética. Assim, em áreas com histórico da doença recomenda-se optar por cultivares resistentes ao mosaico comum. Em geral, os obtentores divulgam a reação de suas cultivares a esta virose.

Wheat spindle streak virus (WSSMV)

Assim como SBWMV, o WSSMV causa sintomas de mosaico em trigo e é transmitido pelo Polymyxa graminis. O WSSMV pertence ao gênero Bymovirus. As partículas desse vírus, capsídeos não envelopados, são mais finas e longas do que as do SBWMV.

Wheat stripe mosaic virus (WhSMV)

Registrado pela primeira vez no mundo em dezembro de 2018, encontrado nas lavouras de trigo no RS e PR. Transmitido por Polymyxa graminis e associado a sintomas semelhantes ao mosaico do trigo, primariamente atribuído ao SBWMV no Brasil.

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Fonte: Embrapa/Agrolink

Proteína Animal

7. Nova trava saudita a frango brasileiro

A Arábia Saudita desferiu ontem o terceiro golpe seguido na indústria avícola brasileira. Na busca por autossuficiência no abastecimento de frango e em meio ao desgaste no relacionamento com Brasília devido aos sinais hostis do governo Jair Bolsonaro envolvendo a possível transferência da embaixada de Israel, o país muçulmano, maior cliente dos frigoríficos brasileiros, restringiu a lista de abatedouros que regularmente exportavam a seu mercado.

A medida pode provocar uma perda anual de quase US$ 300 milhões, o que significa 4,6% da receita total de US$ 6,4 bilhões obtida pelos exportadores brasileiros de carne de frango no ano passado.

A decisão da Autoridade Saudita de Alimentação e Medicamentos (SFDA, na sigla em inglês) atingiu dezenas de unidades. Com os vetos anunciados ontem, apenas 25 frigoríficos poderão exportar. Até então, 58 unidades tinham aval para vender carne de frango para os sauditas.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o impacto efetivo da decisão é menor - mas significativo. Na prática, cinco abatedouros que efetivamente vendiam aos sauditas foram barrados. Na lista, há unidades de BRF e JBS, conforme apurou o Valor.

Segundo o Ministério da Agricultura, os cinco abatedouros que exportavam regularmente representaram, em 2018, 37% dos embarques à Arábia Saudita. Ao todo, o país muçulmano gastou US$ 808 milhões para importar 486 mil toneladas do produto brasileiro. Com isso, os sauditas foram responsáveis por 12,1% das exportações do país.

A história da avicultura nacional com os sauditas é longa. Em 1976, o Brasil ingressou no mercado internacional de frango. A Arábia Saudita foi o primeiro destino - Sadia e Perdigão, hoje parte da BRF, foram as pioneiras. Era o início de uma trajetória que, lentamente, levou o Brasil à liderança global. Nos últimos anos, no entanto, a posição da indústria brasileira entrou em xeque sobretudo devido à nova estratégia de suprimento dos sauditas.

O primeiro sinal de que a presença da carne de frango brasileira na Arábia Saudita estava em risco veio em janeiro de 2017, quando a tarifa de importação quadruplicou - de 5% para 20%. No ano passado, a segunda ofensiva foi deflagrada, com a exigência de que as aves não fossem mais insensibilizadas por choque elétrico. A medida, adotada por razões alegadamente religiosas, visava a tornar os abates mais lentos e custosos, disse uma fonte do setor. Outro grande importador, a França também está se adaptando para extinguir a insensibilização elétrica.

Não à toa, as exportações brasileiras à Arábia Saudita vem recuando. Em 2016, os embarques somaram 746,4 mil toneladas. No ano seguinte, foram 589,8 mil. Em apenas três anos, portanto, o Brasil deixou de exportar mais de 260 mil toneladas. Em receita cambial, o país perdeu US$ 350 milhões desde 2016.

Mas, independentemente da localização da embaixada brasileira em Israel, a redução de 35% nas exportações ainda não foi suficiente. Segundo uma fonte graduada do Ministério da Agricultura, o país quer limitar as vendas do Brasil em 400 mil toneladas. "Eles querem reduzir o volume e ponto final", lamentou uma fonte da indústria.

Diante do cenário aparentemente irreversível, a BRF, maior exportadora de carne de frango halal (que segue os preceitos muçulmanos) já sinalizou mudança na estratégia. No planejamento de cinco anos anunciado em outubro a investidores, a companhia adiantou que, assim que resolver a atual crise financeira e operacional, fazer aquisições na Arábia Saudita será prioridade.

Enquanto isso, a empresa sofre. Ontem, as ações da BRF foram castigadas na B3 e caíram 5,03%. Procurada, a companhia não respondeu, mas o Valor apurou que a planta da empresa afetada é a de Lajeado (RS) e que o impacto em seus negócios deverá ser menor que 1%. No caso da JBS, dona da Seara, a queda na bolsa foi menor (queda de 0,73%), por causa de sua menor dependência dos resultados brasileiros.

Em contrapartida, companhias que não foram diretamente afetadas pela decisão da Arábia Saudita sofrem mais. Embora só produzam carne bovina, Marfrig Global Foods e Minerva Foods viram as ações caírem 5,48% e 3,18%, respectivamente.

O espraiamento do sentimento negativo também para os frigoríficos de carne bovina reflete o temor com os sinais de hostilidade do governo Bolsonaro. Durante a campanha eleitoral, a promessa de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém alarmou os exportadores brasileiros. Na ocasião, o presidente da BRF, Pedro Parente, chegou a criticar a medida.

"Mas a embaixada não está mudada ainda, o pessoal está se antecipando ao inimigo", criticou, no fim do dia, o vicepresidente em exercício Hamilton Mourão. Questionado se haveria alguma reação do governo brasileiro à medida saudita, Mourão desconversou. "Vamos aguardar, depois a gente conversa"

No caso da Arábia Saudita, porém, a avaliação é que a busca pela autossuficiência vai além da posição brasileira sobre a embaixada em Israel. De qualquer forma, os sinais do governo não ajudaram, segundo um interlocutor dos árabes. "Eles tinham um plano e o Brasil deu motivos de sobra", disse, mencionado a transferência e a perda da credibilidade do sistema sanitário brasileiro após a Operação Carne Fraca. Na lista de ruídos com os árabes, também consta a última visita do viceministro de assuntos islâmicos da Arábia Saudita, Tawfiq bin Abdulaziz Al-Sudairi. Em novembro, veio a São Paulo paraum conferência e se ressentiu do tratamento recebido da Polícia Federal (PF) no aeroporto.

Ao Valor, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Orlando Leite Ribeiro, sustentou que as restrições sauditas aos frigoríficos se deram por "inconformidades técnicas" de pouca gravidade e que podem ser sanadas. "Temos um enorme interesse em estreitar relações comerciais com os países árabes. É um importante mercado para nossas proteínas".

Notícia na ítnegra

Fonte: Valor Econômico

8. Exportadores tentam derrubar tarifas antidumping da China

Em meio às sinalizações de que a China poderá reabrir seu mercado à carne de frango dos Estados Unidos como parte das tentativas dos dois países de encerrarem suas disputas comerciais, os exportadores brasileiros correm contra o tempo para fechar um acordo de preço mínimo com Pequim e, assim, derrubar as tarifas antidumping que incidem sobre suas vendas de carne de frango. A taxa foi imposta em junho de 2018.

A volta da carne de frango americana ao mercado chinês, quatro anos após o país asiático vetar o produto em razão de um surto de gripe aviária nos EUA, seria um grande desafio para o Brasil, sobretudo se as tarifas antidumping, que variam dependendo da empresa exportadora, ainda estiverem em vigor.

Com a competição dos americanos, as tarifas poderiam afetar também a demanda pelo produto brasileiro, o que até agora não ocorreu, especialmente porque Pequim não tem grandes alternativas de fornecimento. Os Estados Unidos são o segundo maior exportador de carne de frango do mundo. O Brasil é o maior.

No ano passado, as exportações brasileiras de carne de frango à China somaram 438,8 mil toneladas e renderam US$ 799,7 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura.

Com isso, a China foi o segundo maior destino para a carne de frango brasileira no exterior, atrás apenas da Arábia Saudita. Os chineses responderam por cerca de 10% das exportações de carne de frango do Brasil. A China é um mercado extremamente relevante para a indústria escoar a produção de cortes pouco demandados no mercado doméstico, como pé de frango.

À agência Reuters, a sócia do escritório de advocacia MPA Trade Law, Claudia Marques, disse na segunda-feira que o Ministério do Comércio da China aceitou uma proposta feita pelos exportadores brasileiros para um acordo de preços mínimos. Os detalhes dessa proposta não foram divulgados. Procurada, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) não respondeu.

Com o acordo, os frigoríficos brasileiros se comprometerão a não vender carne de frango para a China abaixo de um determinado valor. A intenção de Pequim é proteger a avicultura do país asiático.

Desde junho do ano passado, a China aplica tarifas que variam entre 18,8% e 38,4%. Maior indústria de carne de frango do país, a BRF paga 25,3%. A Seara, subsidiária da JBS, paga 18,8%. Embora os exportadores brasileiros tenham feito propostas, o acordo de preço mínimo ("price undertaking") é condição imposta por Pequim.

Em junho, quando anunciou a aplicação das tarifas antidumping, já se sabia que os chineses pressionavam por um acordo do gênero. Na época, representantes dos exportadores brasileiros admitiam negociar com Pequim, mas temiam os termos da negociação.

Em geral, os acordos do gênero têm validade de cinco anos. Trata-se de um período muito longo. Se o preço for fixado na moeda chinesa, alterações no câmbio poderiam provocar grandes distorções, advertiu uma fonte da indústria ao Valor em junho do ano passado.

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Fonte: Valor Econômico

9. Ministério define locais por onde itens de origem animal podem ser exportados

Portaria do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Ministério da Agricultura define os 21 pontos, entre portos, aeroportos e outros terminais, por onde podem ser exportados os produtos de origem animal. A partir desta sexta-feira (25/01), todos os produtos exportados e importados terão de ser despachados apenas por esses locais, que respondem por 95% das operações do segmento.

Conforme a pasta, também foi levada em conta a estrutura disponível para o recebimento dos produtos (câmaras frigoríficas, entreposto). "As 21 selecionadas atenderam todos os requisitos. Nas outras unidades eram eventuais a importação e exportação.

"No comunicado, o chefe substituto da Divisão de Operações do Vigiagro, Cid Rozo, disse que "a principal razão da mudança é o foco na vigilância agropecuária, com atenção redobrada à saúde pública e à segurança alimentar, pois os auditores fiscais federais agropecuários que estão trabalhando nessas unidades receberam treinamento para atuar em cima desses produtos específicos. Os auditores sabem quais são os riscos intrínsecos aos produtos e como atuar se encontrarem alguma inconformidade".

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Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

Agroenergia

10. Com preço do açúcar em baixa, Coaf amplia produção de etanol em 16% na safra 2018/19

Um grupo de 800 fornecedores de cana da Zona da Mata Norte de Pernambuco, responsável pela reativação da usina Cruangi, em Timbaúba, comemora a conclusão da moagem com 627 mil toneladas nesta safra.

A cooperativa informa que superou a marca de 547 mil toneladas da safra anterior, um crescimento de 13%. Também ampliou a fabricação de etanol com 51,6 milhões de litros, crescendo 16% em comparação com a última safra.

A unidade diz ter focado na produção do combustível devido os baixos preços do açúcar no mercado nacional e global. E ainda produziu 6,2 milhões de litros de cachaça.

Alexandre Andrade Lima, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e da Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana (Coaf), conta que a cooperativa assumiu a usina em 2015 e vem crescendo desde então.

“O grupo tem investido na qualificação da unidade. Só na eletrificação das moendas, investiu R$ 3,5 milhões nesta safra. Já colhem resultados desta aposta e têm gerado uma sobra maior do bagaço da cana, que está sendo vendido em grande quantidade para a alimentação de animais e inclusive para o uso de outras usinas”, explica e detalha: “O bagaço é utilizado como matriz energética. Só para a alimentação, foram comercializadas 1,5 mil toneladas de sobras do bagaço hidrolisado nesta safra, ante as 264 toneladas na anterior”.

Ele ainda afirma que, a usina já vendeu 15 mil toneladas da sobra do bagaço in natura, usado na produção de energia por outras usinas e no setor avícola para acomodar as aves. Além disso, há mais 13 mil toneladas para serem negociadas.

O dirigente ainda destaca que a unidade deve ficar como a melhor pagadora do preço da cana dentre as usinas de Pernambuco. Nos dois últimos anos, a Coaf pagou o maior valor médio pelo açúcar total recuperável (ATR) da cana. “O nosso ATR médio da atual safra foi de R$ 141 por quilo. Tem tudo para ser o maior outra vez”, diz Lima.

A usina Cruangi é responsável por 300 postos de trabalho na unidade e mais 3,7 mil empregados nos engenhos dos 800 agricultores cooperativados.

“Tivemos uma das melhores safras até agora, apesar da mortandade de parte dos canaviais diante de períodos secos. Já vamos reiniciar os preparativos para a nova safra e esperamos que o clima ajude para que possamos atingir marcas maiores”, disse o gestor.

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Fonte: UOL/NovaCana

11. Presidente da Odebrecht enumera prioridades na Atvos: dívidas, investimentos e novos sócios

Antes de começar a entrevista, Luciano Guidolin, presidente da Odebrecht SA, pede uma pausa. Quer explicar detalhadamente o estado atual do grupo de empresas, que esteve no epicentro Lava Jato – e sofreu as consequências de seus crimes.

Aos 46 anos, o engenheiro está há dois à frente de um grupo cuja receita caiu de R$ 132 bilhões, em 2015, para R$ 80 bilhões. E que tem hoje um endividamento de cerca de R$ 70 bilhões. “Vínhamos de um momento no qual aceleramos investimentos, acreditando nas perspectivas de crescimento. Em 2016, vivemos a desaceleração da economia, a queda no preço do petróleo que impactou muitos de nossos clientes e as consequências da Lava Jato, com um grande impacto reputacional e de restrição de crédito”, resume.

Sem alternativa, o grupo resolveu colaborar com a Justiça. Em 2016, firmou acordos com Brasil, Suíça e Estados Unidos. Em 2017, foi a vez de outros países da América Latina.

Com a alavancagem altíssima e restrição ao crédito, a solução foi colocar R$ 12 bilhões de ativos à venda. Dos 15 negócios, sobraram sete. No desenho para 2030 que começa a ser formado no grupo, a Odebrecht não será necessariamente controladora de todos os negócios, inclusive de seu pilar fundamental, a engenharia.

Qual é o maior desafio financeiro da Odebrecht hoje? A Atvos?

Do ponto de vista de volume, tem a reestruturação dos bonds internacionais garantidos pela Odebrecht Engenharia e Construção (OEC), processo que se iniciou em novembro. A outra discussão que está correndo é da Atvos, que também tem uma dívida com montante e perfil, que, apesar do grande crescimento do resultado operacional da empresa e de a Odebrecht ter aportado quase US$ 2 bilhões no negócio, ainda tem questões relacionadas a financiamento de capital de giro, estrutura e características da dívida que precisam ser equacionadas. Mas são dois negócios que têm oportunidade de crescimento.

A holding pensa em vender a Atvos?

Hoje, vemos uma melhoria muito importante da qualidade e do resultado operacional da Atvos, mas o mercado não reconheceu as oportunidades no setor de açúcar e etanol. A prioridade na Atvos é adequar seu endividamento, completar o investimento para o uso da capacidade máxima e buscar sócios e parceiros.

Como está a estratégia para a venda de ativos da Odebrecht?

Dos R$ 12 bilhões, realizamos R$ 7,5 bilhões e tem ainda R$ 5 bilhões em andamento. Tem uma parte importante do Peru, a hidrelétrica de Chaglla, um ativo de US$ 1,4 bilhão, vendido para um investidor para chinês, a Três Gargantas, desde 2017. A finalização da venda dependia do acordo de leniência no Peru, que concluímos no fim do ano. Temos ainda a participação na concessionária Rutas de Lima e alguns ativos de infraestrutura menores. Vendemos também uma participação em energia e, em Angola, uma mina de diamante, além do projeto Inova BH, uma parceria público privada (PPP) de escolas.

E Braskem?

Hoje, temos endereçado um negócio com uma lógica estratégica muito forte, a combinação dos ativos da Braskem com os da LyondellBasell. É uma empresa global, com uma sinergia e uma complementaridade muito grande em termos de produto e localização. Há a oportunidade de continuar como investidor no setor petroquímico, como parte de um grupo empresarial maior. É a lógica do que vai ser o grupo Odebrecht para frente: uma empresa com alguns negócios que ela opera e controla e outros investimentos nos quais ela participa, contribui na governança e como acionistas, sem o controle.

Quando a negociação com a Lyondell deve ser concluída?

Anunciamos que o processo de due dilligence começou no segundo trimestre do ano passado. Essa fase está praticamente concluída. Agora estamos na etapa de negociação e de conversas bilaterais.

Vai ter um novo sócio na construtora?

No futuro, a gente não descarta ter sócios na construtora nem, num momento futuro, abrir o capital da construtora.

Mas já está sendo negociado?

Não. Ao mesmo tempo em que olhamos os desafios do presente, a gente não pode deixar de pensar para onde estamos caminhando. Na construtora, já tivemos algumas discussões de modelos de parcerias, que podem ser geográficas, por especialidade ou no todo. Há ainda uma visão do grupo que o modelo de governança que temos pode ser um fator de vantagem e o mercado de capitais é uma via para dar liquidez às ações e valorização do patrimônio. Isso é uma verdade para todos os nossos negócios. Não existe nenhuma razão para que os negócios sejam empresas fechadas e 100% controladas pela Odebrecht.

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Fonte: O Estado de São Paulo/NovaCana

12. [Cepea] Preço do etanol nas usinas permanece em queda, apesar da entressafra

Os valores do etanol hidratado caíram no estado de São Paulo nos últimos dias. Entre 14 e 18 de janeiro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado foi de R$ 1,6044/litro (sem ICMS e sem PIS/Cofins), queda de 1,89% em relação ao da semana anterior.

No caso do etanol anidro, o Indicador Cepea/Esalq foi de R$ 1,7934/litro (sem PIS/Cofins), recuo de 1,22% na mesma comparação.

De acordo com pesquisadores do Cepea, ainda que este seja um período de entressafra, os valores do etanol estão enfraquecidos no mercado paulista, influenciados pelos maiores volumes em estoque, pela demanda pontual das distribuidoras e pela possível antecipação da nova safra (2019/20) para março em algumas usinas do Centro-Sul.

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Fonte: Cepea/Esalq/NovaCana

Grãos e Grandes Culturas

13. Bunge anuncia Gregory Heckman, ex-Gavilon, como CEO interino

A trading americana Bunge confirmou as expectativas de analistas e anunciou o nome de Gregory Heckman como CEO interino no lugar de Soren Schroder. Heckman é ex-CEO da rival Gavilon e foi recentemente adicionado ao conselho de administração da Bunge. Schroder, por sua vez, anunciou sua saída em 11 de dezembro.

"Estou ansioso para uma maior colaboração com Kathi [Kathleen Hyle, presidente do conselho consultivo], o Conselho e nossa equipe de gestão, focando em maneiras de melhorar o desempenho e criar valor para os acionistas", disse Heckman, em nota.

O afastamento de Schroder ocorreu cinco semanas depois que acionistas ativistas da Continental Grain e do fundo de hedge DE Shaw chegaram a um acordo com a Bunge, o que culminou na entrada de quatro novos diretores e desencadeou uma revisão estratégica da empresa.

Na ocasião, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou os ratings de dívida de longo prazo das subsidiárias da Bunge de “Baa2” para “Baa3”, afirmando que o motivo era a saída de Schroder.

Além de anunciar o CEO interino, a Bunge atualizou suas perspectivas para o ano-fiscal de 2018. O Ebit ajustado deve ficar abaixo da meta de US$ 1,045 bilhão, segundo a Bunge. A dívida líquida da empresa é prevista em US$ 5 bilhões, ante US$ 7 bilhões no resultado até o terceiro trimestre.

Para o setor de agronegócio, a previsão é o que o Ebit ajustado fique entre US$ 90 milhões e US$ 100 milhões abaixo da meta. No caso do setor de açúcar e energia, o resultado deve ser entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões pior que a previsão.

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Fonte: Valor Econômico

14. Cooxupé projeta receber menos café

A mineira Cooxupé, maior cooperativa de café do país, espera receber 5,8 milhões de sacas de 60 quilos da espécie arábica em 2019. Se confirmado, o volume será 9,3% menor que o recorde do ano passado, que atingiu 6,4 milhões de sacas, quando a bienalidade da safra foi positiva, diferentemente do que acontece neste ano. Considerando apenas os cooperados, a Cooxupé deverá receber 4,36 milhões de sacas.

Esse recuo, projeta a cooperativa, tende a fazer com que seu faturamento total diminua para R$ 3,7 bilhões neste ano - trata-se de estimativa prelimiar -, ante os R$ 3,8 bilhões calculados para o ano passado. O café representa uma fatia de aproximadamente 90% dos negócios da Cooxupé.

Ainda que a queda prevista reflita principalmente a bienalidade da safra, as cotações atuais também são pouco atraentes, até por causa da produção brasileira recorde no ano passado, quando a bienalidade foi positiva. "O produtor é sempre animado, mas está desestimulado. Os preços estão inviáveis", afirma o presidente da cooperativa, Carlos Alberto Paulino da Costa.

Há um mês, a cotação do grão para entrega em setembro era de R$ 500, lembra Costa. Hoje, está em R$ 410. Segundo Paulino da Costa, a cooperativa tem entre 800 milhões e 1 milhão de sacas negociadas antecipadamente.

Na avaliação de Costa, o impacto desse desestímulo será sentido com mais intensidade na safra 2020/21, que está sendo preparada agora. "Já temos visto uma redução na fertilização e na pulverização dos cafezais, porque o produtor não está vendo uma perspectiva boa", disse. "Para este ano, não vai ser tão ruim porque as safras anteriores foram boas e o produtor investiu em tratos culturais."

No ano passado, cerca de 11 mil produtores. de um total de 14 mil cooperados, decidiram entregar seu café à Cooxupé.

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Fonte: Valor Econômico

15. Empolgação com governo move colheita de soja em MT

Nem a ameaça de quebra da safra de soja neste ciclo 2018/19 em Mato Grosso desanima os produtores do Estado que lidera a colheita do grão no país. Após um dos plantios mais rápidos da história, os primeiros resultados das lavouras não foram dos mais empolgantes: uma produtividade média nos talhões já colhidos a partir da semeadura de sementes precoces 10% menor que na temporada anterior, quando o volume total bateu recorde.

A falta de chuvas em dezembro e o excesso de calor, combinados com a escolha de sementes inadequadas prejudicaram o desenvolvimento dessas lavouras, afirmou Valmir Assarice, analistas da Agroconsult. A consultoria, contudo, espera queda de apenas 1% na produtividade média do Estado em relação a 2017/18. "Mas isso se não faltar chuva para as lavouras de plantio mais tardio".

"Quem plantou muito no início em Sorriso, se prejudicou mais", diz Guilherme Zawadzki e Serra, produtor de Nova Mutum, no norte de Mato Grosso. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita estadual chegará a 32,45 milhões de toneladas em 2018/19, mesmo nível de 2017/18. A projeção é de outubro e deverá ser revista, mas também não é muito diferente da divulgada pela Conab, que por enquanto estima 32,17 milhões de toneladas, quase 30% do total projetado para todo o país.

Ainda assim, o otimismo com o novo governo empolga agricultores. "Estamos sob nova direção", brincou Silvésio de Oliveira, paranaense que planta soja e milho em Tapurah, também no norte mato-grossense, desde a década de 1980. "O governo que está se instalando vai priorizar mais o agronegócio. Não tem como matar o que está dando certo", afirmou o presidente da Aprosoja de Mato Grosso, Antonio Galvan.

Boa parte do otimismo em relação às possiblidades que os produtores acreditam que se abrirão gira em torno de questões relacionadas à expansão da área agricultável. Uma das primeiras medidas da gestão Bolsonaro foi transferir ao Ministério da Agricultura a atribuição de identificar, delimitar e demarcar terras indígenas e quilombolas. Também passaram a ficar sob os cuidados da Pasta o Serviço Florestal Brasileiro (responsável pela recuperação da vegetação nativa e recomposição florestal), a proposição de planos de produção sustentável e o apoio a processos de concessão florestal.

"Agora que vai começar o ambientalismo de verdade", afirmou Galvan. "Índio quer dignidade para sobreviver. É mais que certo deixar produzir alimentos". Entre 14 e 20 de janeiro, o Valor participou da primeira equipe do Rally da Safra 2019 (expedição organizada pela Agroconsult), que percorreu um trecho de 8 mil quilômetros. No caminho, muitos produtores se revelaram animados a aumentar a área de soja nos próximos anos.

"Tem muita área de pasto que dá para ser convertida. Mas vai ter uma hora que não tem mais o que comprar. Terá de comprar da Amazônia. Tem muita boca para alimentar", disse, em tom de brincadeira, Marcelo Ferrari, produtor de Nova Mutum. Possíveis flexibilizações envolvendo a demarcação de terras indígenas é um dos pontos que trazem maior.

"Já tem mais de 10 mil hectares aqui em Campo Novo [do Parecis] de soja plantada pelos índios. Dá para fazer mais", disse Jesur Cassol, produtor e exprefeito do município. Para ele, há grandes possibilidades de produção em áreas de reserva indígena. "Mas temos de rever as regras. Hoje, eles só podem plantar soja convencional. Bolsonaro até vem aqui discutir a questão", disse.

Galvan, da Aprosoja-MT, acredita que não haverá retaliação de países europeus em razão de mudanças nas regras para demarcação. "Eu não vejo nada nessa questão. Eles vão comprar de quem? Compram da gente porque precisam. Estamos cansados de ser colônia", afirmou.

"Acho que agora vamos ter maior flexibilidade para aprovação de projetos", afirmou um produtor de Sorriso. Dentre esses projetos estão os que envolvem a construção de novas ferrovias pelo país, como a Ferrogrão - entre Sinop (MT) e Miritituba (PA). Melhorias em rodovias também são esperadas. Mas o estado de calamidade financeira em Mato Grosso, requerido pelo governador Mauro Mendes (DEM) na semana passada, pode dificultar investimentos em infraestrutura.

Afora os percalços com investimentos em infraestrutura, o produtor de Mato Grosso poderá enfrentar outro problema: escassez de crédito subsidiado. A perspectiva de diminuição de recursos para o Plano Safra 2019/20 e o menor volume de crédito em cooperativas devem deixar o produtor de mau humor. Não será uma transição fácil. "O produtor está acostumado a pagar 7% ao ano. Imagina pagar 12%? É uma realidade que ele terá de se acostumar", afirmou Gilvia Casarin, gerente de relacionamento do Santander.

Segundo ela, a diminuição da obrigatoriedade de depósito à vista destinado ao crédito rural, de 34% para 30%, reduzirá a disponibilidade de recursos para as cooperativas, que não terão condições de manter taxas tão competitivas como as atuais. "Este ano, a gente fez troca de soja pelos insumos e diminuiu o recurso bancário, mas se arrependeu. Mas cada ano é um ano e sempre depende das taxas", disse Guilherme Zawadzki e Serra, de Nova Mutum. Para ele, tomar crédito ainda pode ser a melhor saída em 2019/20.

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Fonte: Valor Econômico

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