Conjuntura do Agronegócio

1. PIB do agronegócio recua 0,15% em janeiro

O PIB do agronegócio brasileiro recuou 0,15% em janeiro, segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Pesquisadores do Cepea atribuem a queda ao desempenho da pecuária, que cedeu 0,6%, já que o segmento agrícola registrou estabilidade. "Entre os segmentos do agronegócio, apenas o de insumos cresceu em janeiro, mantendo a tendência de alta já verificada em 2018", disse o centro de estudos em nota.

O segmento de insumos agrícolas foi impulsionado pelas indústrias de fertilizantes e de defensivos. "Quanto ao ramo pecuário, a alta no segmento de insumos em janeiro refletiu principalmente o comportamento da indústria de rações, favorecida pela elevação de preços. Apesar disso, o faturamento esperado para essa indústria segue pressionado pela menor produção esperada, prejudicada, entre outros fatores, pelas restrições à importação do frango brasileiro."

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Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

2. Missão da Argentina vai à China para ampliar exportações do setor agropecuário

Uma delegação da Argentina participa, entre a quarta-feira, 24, e quinta-feira, 25, de missão à China a fim de negociar a ampliação das relações comerciais com o país asiático, especialmente no setor de soja, informou, em nota, a Secretaria de Governo do Agronegócio.

Conforme o secretário Luis Miguel Etchevehere, "sabemos que a China está abrindo seu mercado às importações agrícolas e de melhor qualidade", disse. "Por isso consideramos que ainda há espaço para aumentar o relacionamento comercial (entre os dois países)."

Empresários do setor de soja integram a delegação. O secretário vai, inclusive, abrir um seminário sobre farelo de soja e falar, também, no Fórum de Cooperação II para discutir os avanços na agenda de cooperação agroindustrial e os próximos desafios da relação sino-argentina.

Sobre o farelo de soja, a secretaria ressalta que é um dos principais produtos de exportação do país, atendendo a mais de 50 países. A delegação argentina será integrada pelo assessor agrícola da China, Hernán Viola; o coordenador do Módulo Inta Bird Nutrition, Bernardo Iglesias; o proprietário da Câmara da Indústria do Petróleo (Ciara) e do Centro de Exportadores de Cereais (CEC), Gustavo Idígoras; representantes da Associação Argentina de Gorduras e Óleos (Asaga); Louis Dreyfus Company; Oleaginosas Moreno e Glencore.

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Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

3. Conab avalia abastecimento no país em reunião com representantes das Ceasas

Utilizar as Centrais de Abastecimento (Ceasas) como ferramentas para garantir o abastecimento, promovendo a segurança alimentar e nutricional no Brasil. Esse é um dos objetivos defendidos em reunião realizada nesta quarta-feira (24) pela Confederação Brasileira das Associações e Sindicatos de Comerciantes e Entrepostos de Abastecimento (Brastece) com a participação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Campinas/SP.

Na ocasião, o presidente da Companhia, Newton Júnior, reforçou a importância dos entrepostos de comercialização como um canal para aproximar o produtor com o consumidor final, de forma a garantir o acesso dos brasileiros a uma alimentação saudável. Ao mesmo tempo, destacou a importância das Centrais como apoio para formulação de políticas públicas que visam à segurança alimentar.

“A aproximação junto aos empresários e permissionários que comercializam seus produtos é uma forma inteligente para a garantia do abastecimento de qualidade. Afinal, são os operadores que adquirem, preparam e correm todos os riscos para a garantia do abastecimento às populações”, reforçou.

Como resultado da reunião, um Grupo de Trabalho deverá ser formado ainda neste semestre. As ações serão coordenadas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), em conjunto com a Conab, e terão como objetivo estabelecer metas e estratégias para a modernização e gestão das Centrais de Abastecimento do país.

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Fonte: Conab/Agrolink

Insumos

4. Passivo por desrespeito ao tabelamento de fretes volta a preocupar

A promessa feita pelo governo de fiscalizar a aplicação da tabela de fretes apaziguou o ânimo dos caminhoneiros, mas trouxe à tona uma questão que estava ficando em segundo plano: o passivo jurídico — diferença entre o valor mínimo e o pago — milionário gerado por transportes feitos fora dos preços mínimos estabelecidos.

A Lei 13.703 instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, que determinou a publicação de tabelas de preços mínimos para fretes de cargas a granel, frigorificadas, perigosas, gerais e neogranel. Essa atribuição é da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que deverá publicar as tabelas referentes ao quilômetro rodado na realização de fretes, por eixo carregado, consideradas as distâncias e os tipos de carga. Quem descumprir as regras terá que indenizar o transportador em valor que seja o dobro da diferença entre o preço pago e o que seria devido. Apenas indenizações anteriores a 19 de julho serão anistiadas.

Em mensagem a associados também em agosto do ano passado, o Sindicato dos Transportadores autônomos de Cargas de Ourinhos e Região (Sindicam) afirmava que estava reunindo documentação para entrar com processos contra transportadoras — ou tradings — que estão pagando valores abaixo do piso mínimo. “Não existe trabalhar ou não com tabela, isso não é uma opção. É lei”, afirmava Ariovaldo Junior Almeida, diretor do Sindicam, em mensagem de áudio direcionada a caminhoneiros.

Ontem, a questão voltou à tona com a promessa do governo junto à Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) de fiscalizar o cumprimento da tabela de preços mínimos. Outra promessa feita foi de que a tabela será reajustada de acordo com mudanças no preço do diesel.

“O que vai acontecer é o que era quase descartado meses atrás: a formação de frotas próprias”, disse Sérgio Mendes, diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). Para atender o volume a ser movimentado, tradings como ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus teriam de adquirir 4 mil caminhões cada uma, com gastos estimados em R$ 700 mil por carreta, somando cerca de R$ 2,8 bilhões em investimentos, avaliou o próprio Mendes no fim de 2018.

O diretor-geral da Anec calcula que, apenas para 2019, considerando a tabela ainda sem o reajuste do diesel, os gastos para exportar a produção de soja, farelo de soja e milho aumentam cerca de US$ 4 bilhões. “Considerando o frete de ida e de retorno [pagamento de um frete de retorno quando os caminhões voltam para sua origem vazio]”, destacou.

“Dentro de um sistema regido por oferta e demanda é complicado garantir renda para uma das partes”, disse. “Já temos de lidar com a imprevisibilidade da safra, do mercado, da guerra comercial e, agora, tem o tabelamento”. Mendes completa, ainda, que é normal haver aumentos nos preços pagos pelo frete em picos de safra, quando há grande disputa por caminhões. “Mas não temos como garantir um fluxo durante o ano inteiro”, pontuou.

A questão ainda dará muito pano para manga. Isso porque a safra 2018/19 de soja brasileira está terminando de sair dos campos e o transporte rodoviário é o principal meio para levar as 70 milhões de toneladas da oleaginosa — previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) — até os portos. No primeiro trimestre do ano, já saíram 18,3 milhões de toneladas de soja pelos portos do país.

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Fonte: Valor Econômico

5. AGCO investe R$ 150 milhões para trazer a marca Fendt à América do Sul

A americana AGCO investiu R$ 150 milhões para trazer a marca Fendt para o Brasil. A divisão para a América do Sul da marca terá como sede a cidade de Sorriso, em Mato Grosso, e a Fendt chega ao país com uma linha de tratores de alta potência (470 e 500 cavalos) que será lançada na Agrishow, feira que terá início no fim do mês em Ribeirão Preto (SP).

Outros produtos serão apresentados na mostra, mas chegarão ao mercado somente em 2020: a plantadeira Momentum e a colheitadeira Ideal. O primeiro cliente da marca no país é o grupo Bom Futuro, do megaprodutor Eraí Maggi, e a primeira encomenda foi fechada ontem.

“O valor envolve desde a aquisição da sede, as fábricas para montar as linhas de produção da colheitadeira e da plantadeira e a tropicalização dos produtos”, afirmou o diretor da divisão América Latina da Fendt, José Galli, em evento hoje em São Paulo

Inicialmente, os tratores serão importados da Alemanha. Em Santa Rosa (RS), será montanda a colheitadeira e a plantadeira, em Ibirubá (RS).

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Fonte: Valor Econômico

6. Em defesa de agrotóxicos, ruralistas lançam campanha de marketing

Em reação às críticas de organizações ambientalistas e de defesa do consumidor, entidades do setor agrícola lançaram hoje, com o apoio da bancada ruralista do Congresso, uma ação de marketing para defender o uso de agrotóxicos e a aprovação do polêmico projeto que flexibiliza e agiliza o registro desses produtos no país.

A estratégia de marketing lançada pelo setor passa por uma plataforma de conteúdo online e via redes sociais chamada “Agrosaber”, que já está no ar para disseminar informações técnicas e científicas sobre pragas, produtos agroquímicos e tentar desmistificar mitos sobre a utilização de defensivos agrícolas. Também está prevista uma campanha publicitária com o mote “A pior praga é a desinformação”.

Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS), há grande desinformação em torno do assunto e é preciso melhorar a comunicação do setor em relação aos defensivos, que fazem parte do cotidiano dos produtores rurais.

“Fomos muito bem até a porteira, fomos bem nos negócios, mas precisamos nos comunicar melhor. E não há nada mais criminoso do que dizer que alguém da Frente ou quem produz alimentos quer colocar veneno no prato de alguém”, afirmou Moreira.

Participam da iniciativa a Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass), Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), a Companhia das Cooperativas Agrícolas do Brasil (CCAB Agro) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

Para a missão, as associações contrataram a Giusti, agência de comunicação especializada em gerenciamentos de crise, que já atendeu clientes como o ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e a empresa Camargo Corrêa.

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Fonte: Valor Econômico

Proteína Animal

7. Walmart criará cadeia de fornecimento de carne da raça angus

O Walmart anunciou nesta quarta-feira, 24, que entrará no negócio de carne bovina. A maior rede de supermercados dos Estados Unidos vai desenvolver uma cadeia de suprimentos de carne de gado da raça angus. A rede começará vendendo cortes em 500 lojas de Estados no sudeste do país, como Georgia, Alabama e Flórida.

"Para garantir a oferta de carne angus de qualidade e atender à demanda dos clientes por uma cadeia de fornecimento mais transparente, o Walmart está trabalhando com os melhores parceiros do setor", disse a companhia em nota, citando a Prime Pursuits, do Texas, como uma das parceiras.

"Mais de 250 empregos serão criados no Kansas na unidade de processamento de carne bovina da Creekstone Farms, e outros 200 serão criados na Georgia, onde o Walmart possui uma instalação pronta que será administrada pela FPL Food", afirma o comunicado.

"À medida que marcas sustentáveis, rastreabilidade e transparência se tornam cada vez mais importantes para os clientes, queremos entrar no setor de carne bovina criando um sistema inigualável que nos permita oferecer qualidade e valor consistentes", disse o vice-presidente sênior de carne do Walmart nos EUA, Scott Neal.

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Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

8. Surto de e.coli ligado à carne moída se propaga para 10 estados nos EUA

Um surto de Escherichia coli (E.coli) associado à carne moída se disseminou para 10 Estados norte-americanos, informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) do país. Segundo o órgão federal, 156 pessoas adoeceram em virtude das bactérias E.coli O103. Investigadores ainda tentam determinar a origem da carne bovina contaminada, mas não identificaram um fornecedor, distribuidor ou uma marca. De acordo com o CDC, este é o terceiro maior surto interestadual de E.coli em 20 anos.

Apesar de a agência não ter identificado uma origem comum para a disseminação da doença, uma empresa com sede na Geórgia, K2D Foods, recolheu da rede varejista 113 toneladas de carne moída in natura por possível contaminação com a bactéria. O recall foi informado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Autoridades afirmaram que não há uma ligação definitiva entre a carne contaminada e o surto, e que mais testes são necessários para determinar se os dois estão relacionados. A agência disse, ainda, que nenhuma morte ou caso de infecção renal grave foram relatados.

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Fonte: Estadão Conteúdo/Revista Globo Rural

9. Planeta avança na produção de peixes e frutos do mar

O planeta produz todo ano cerca de 171 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar. Há uma tendência de crescimento de pelo menos 5% a cada 12 meses. Desse total, 88% são usados na alimentação humana. A revelação foi feita nesta terça-feira 23, pela manhã, no auditório central da Embrapa Meio-Norte, em Teresina, por Rodrigo Roubach, oficial da Organização das Nações Unidas para Agricultura (FAO), no workshop Sustentabilidade na Aquicultura.

Segundo ele, a pesca e a aquicultura conseguem, juntas, suprir 17% das proteínas que a população mundial necessita. Roubach, que é brasileiro nascido no Rio de Janeiro e hoje mora em Roma, na Itália, revelou também na palestra A Importância do Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura no Brasil, América Latina e Caribe, que 12% da população de todo o planeta têm participação direta na produção de peixes e frutos do mar, “mesmo com os eventos climáticos desafiando”.

No workshop que comemorou os 10 anos da Rede de Pesquisa em Sustentabilidade na Aquicultura, o professor Wagner Valenti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), falou do sucesso dos indicadores de sustentabilidade para a aquicultura, cuja metodologia está consolidada após 20 anos de pesquisas. Otimista, Valenti destacou que o setor já está integrado a governos, indústria e pesquisadores. “Já existem parcerias em projetos técnicos e de comunicação com abordagem ecossistêmica”, destacou.

A segunda etapa do evento, ainda pela manhã e fechada aos pesquisadores da rede, apresentou as palestra: Sustentabilidade do Cultivo de Camarões Marinhos no Ceará e no Piauí (Carolina Costa – Unesp), Sustentabilidade do Cultivo de Tambatinga no Piauí e Maranhão (Laurindo Rodrigues – Embrapa), e Sustentabilidade do Cultivo de Macroalgas Marinhas no Ceará (Stefany Almeida – Unesp).

Após um intervalo de meia-hora, mais três palestras movimentou o workshop: Sustentabilidade do Cultivo de Camarões Marinhos no Ceará e no Piauí (Carolina Costa – Unesp), Sustentabilidade do Cultivo de Tambatinga no Piauí e Maranhão (Laurindo Rodrigues – Embrapa), e Sustentabilidade do Cultivo de Macroalgas Marinhas no Ceará (Stefany Almeida – Unesp).

A Rede de Pesquisa em Sustentabilidade na Aquicultura reúne 40 pesquisadores de 15 instituições das cinco regiões do Brasil, que trabalham com piscicultura, carcinicultura, mitilicultura, ostreicultura e algicultura. O evento, que foi coordenado pela pesquisadora Janaína Kimpara, da Embrapa Meio-Norte, discutiu também os critérios para certificação de fazendas aquícolas como sustentáveis, que garantirão agregação de valor aos produtos, segurança ao consumidor e conservação ambiental.

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Fonte: Agrolink

Agroenergia

10. Usinas recorrem mais à emissão de CRA

As usinas em melhor situação financeira do segmento sucroalcooleiro, um dos ramos do agronegócio mais intensivos e capital, continuam a diversificar suas fontes de crédito. E um dos instrumentos que vêm ganhando espaço na carteir dessas companhias são os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), que deverão bater o recorde de emissões est ano após um refluxo em 2018, segundo analistas.

Nestes primeiros quatro meses de 2019, as usinas já apresentaram ao mercado emissões de R$ 1,9 bilhão em CRAs, conforme estimativa do Rabobank. De acordo com o banco holandês, no setor de agronegócios como um todo as emissõe chegaram a R$ 2,5 bilhões. Em todo o ano passado, o segmento sucroalcooleiro fez emissões públicas de R$ 1,7 bilhão do recebíveis, de um total de R$ 5,8 bilhões, segundo o Rabobank. Dados compilados pela consultoria Uqbar mostram que, somando as colocações privadas, usinas de açúcar e etanol emitiram R$ 3,8 bilhões em 2018, 56% de um total de R$ 6,7 bilhões em CRAs emitidos.

Para 2019, a Vert Securitizadora estima que, apenas em emissões públicas, o segmento emitirá R$ 2,1 bilhões em recebíveis, dentro de uma expectativa de R$ 8 bilhões a serem emitidos publicamente por empresas ligadas ao campo. A consultoria FG/A, que tem atuado com estruturação de CRAs, prevê que as emissões totais neste ano, incluindo colocações privadas, podem chegar a R$ 15 bilhões, com o segmento sucroalcooleiro mantendo a lideranças das operações.

Victoria de Sá, sócia da Vert, acredita que os recebíveis ganharão espaço conforme diminuir a participação não só do BNDES no financiamento ao setor - que já despencou de 2015 para cá - mas do crédito rural subsidiado como um todo.

"A partir da 'PEC do Teto' se vê uma restrição destes recursos. Isso aconteceu em um momento de crescimento do agronegócio, em que a cana tem que competir com outras culturas, como soja ou algodão. E, agora, tem a visão do novo governo de desencorajar o financiamento público ao campo", diz.

Os recebíveis também têm conquistado espaço ante as debêntures, tanto por não pagarem imposto de renda como por atraírem mais investidores pessoa física, segundo Moacir Teixeira, sócio da securitizadora EcoAgro. Para ele, o crescimento das emissões deve acontecer principalmente na esteira da menor fatia de crédito rural subsidiado que se desenha para o próximo Plano Safra (2019/20).

Em geral, as emissões de recebíveis pelas usinas têm sido uma forma de substituição de instrumentos de dívida, afirma Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA. "O mercado de renda fixa tende a ser mais barato que o bancário de dívida, então as empresas com bom rating buscam esse mercado", afirma.

Emissões realizadas por usinas com melhores ratings têm garantido taxas abaixo do CDI, enquanto os empréstimos bancários no Brasil dificilmente conseguem competir nessas taxas. Juliano Merlotto, da consultoria FG/A, avalia que, diante da concentração bancária no Brasil, também há um limite de quantidade de crédito disponível a usinas que têm capacidade de captação com baixo custo, o que as empurra para fontes alternativas.

Já Manoel Queiroz, gerente de relacionamento do Rabobank, afirma que o aumento do interesse de usinas pelos CRAs tem gerado uma concorrência com o crédito dos bancos e que, por isso, já há uma redução do custo de dívida bancária para empresas com melhores ratings. "E, mesmo para os bancos, o CRA é uma oportunidade, porque também temos interesse em coordenar as emissões", ressalta.

Além de estarem ganhando espaço no mercado doméstico, os CRAs também têm se tornado uma alternativa ante financiamentos estrangeiros, aos quais as usinas recorriam com frequência até alguns anos atrás. "Após a crise de 2015, houve uma saída de muitos bancos estrangeiros do Brasil", lembra Queiroz.

Nesse mercado, os bonds também perderam o brilho, tanto em decorrência da perda de grau de investimento do Brasil quanto pelo fato de que muitas usinas passaram a não cumprir com pagamentos de títulos com a crise que se abateu sobre boa parte do segmento nos últimos anos. "O bond ficou mais caro que a emissão no mercado local, cresceu o risco cambial e a diferença de juros entre o mercado nacional e externo também não está favorável", diz Juliano Merlotto, da consultoria FG/A.

Apesar das vantagens, a participação dos CRAs no montante da dívida do segmento é limitada. Nas estimativas do ItaúBBA, os recebíveis de usinas atualmente no mercado representam 7% da dívida total das usinas do Centro-Sul, que o banco calcula que tenha ficado ao redor de R$ 92 bilhões na safra 2018/19.

Um fator limitante ao crescimento dessas emissões, avalia Queiroz, do Rabobank, é o nível de interesse de investidores. "As empresas precisam evoluir em governança para se habilitar e, paralelamente, o mercado de investidores tem que crescer".

Victória de Sá, da Vert, acredita que as emissões por parte de usinas cresceriam mais se o Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentasse as operações de recebíveis em dólar, travadas desde 2016. "Como é um setor que exporta muito, ter só dívida em reais e receita em dólar também é um desafio hoje", diz.

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Fonte: Valor Econômico

11. Sem definição fiscal, venda direta de etanol aos postos afeta disputa de mercado, diz Sincopetro

Considerada uma alternativa para reduzir o preço do etanol ao consumidor, a venda direta das usinas para os postos, sem as distribuidoras, só vai funcionar quando houver uma definição de política fiscal por parte do governo, afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sincopetro-SP), José Alberto Paiva Gouvea.

O assunto foi uma das pautas de uma reunião da entidade realizada esta semana em Ribeirão Preto (SP), centro de uma das principais regiões produtoras do país do combustível derivado da cana, mas que tem tido alta nas tarifas mesmo após o início da safra 2019/20.

A medida chegou a ser aplicada durante a greve dos caminhoneiros para evitar desabastecimentos e bloqueios e foi aprovada pelo Senado em junho do ano passado, mas segue em tramitação na Câmara.

Em nota divulgada no final do ano passado, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que não via impedimentos para a prática, desde que questões tributárias ligadas à incidência do Pis-Cofins e do ICMS fossem resolvidas.

O representante do Sincopetro argumentou que, não houver regras bem claras sobre a tributação a ser aplicada em cima do combustível, o cenário continuará parecido com o atual.

“Vai continuar sendo o seguinte: quem paga imposto vende por um preço, e quem não paga imposto vende por outro. E aí não é vantagem para consumidor nenhum comprar um produto sem qualidade, sem imposto”, afirmou.

Para o economista Edgar Monfort Merlo, tirar a distribuidora do processo de comercialização do etanol seria um passo importante para ampliar a concorrência e beneficiar o consumidor.

“Se você tiver os produtores fornecendo diretamente aos postos você põe um elemento a mais de pressão nessa cadeia de distribuição. Hoje, sempre que tem aumento acontece isso: fica esse jogo de empurra. A distribuidora fala que está com margem adequada, os postos falam que estão com margem adequada e na realidade o resultado é que o consumidor final paga aumentos”, analisa.

Alta no etanol

A safra 2019/2020 começou no final de março em 81 das 268 unidades produtoras do Centro-Sul e se elevou para 174 na primeira quinzena de abril, segundo informações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Em vez de pagar mais barato, consumidores da região de Ribeirão Preto, onde se concentra grande parte dessa produção, têm enfrentado alta nas tarifas.

Nos postos de Franca (SP), o litro do combustível chega a R$ 3,19, segundo apuração da EPTV, afiliada da TV Globo. Valor que só não supera o de Cubatão (SP), onde o litro chega a R$ 3,26. Em Ribeirão Preto, a reportagem encontrou postos cobrando R$ 3,14.

“Com certeza o nosso salário não aumenta tanto quanto tem aumentado o álcool”, reclama a professora Fernanda Sakaemura, de Ribeirão.

A alta é atribuída pela Unica a fatores como o excesso de chuvas, que dificultaram o início da colheita. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP, em abril o etanol tem deixado as usinas a R$ 1,98, o maior valor da história nesse período na série histórica desde 2002.

A Unica, no entanto, também atribui a elevação à política adotada pelas distribuidoras de operar com estoques mínimos mesmo nos períodos de alta demanda. “Com um balizamento dessas compras e a manutenção de estoques maiores, seria possível reduzir a volatilidade, observada nas últimas semanas, do preço do etanol”, informou, em nota.

A entidade ressalta que com a retomada da moagem por parte das usinas os preços podem começar a cair, embora também estejam atrelados a custos de transporte, margens de distribuição e preços da gasolina.

“As unidades estão operando à noite e em feriados para evitar qualquer tipo de restrição à coleta do produto pelas distribuidoras. O restabelecimento da moagem deve gerar um aumento significativo da oferta nos próximos dias, com possível reversão dos preços”, completa.

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Fonte: G1/NovaCana

12. Tereos indica novos executivos em meio a dificuldades do setor de açúcar

O grupo açucareiro francês Tereos indicou uma série de novos executivos, como parte da reorganização global para enfrentar uma indústria em declínio.

Com efeito imediato, nomeou Alex Leite será diretor-executivo da divisão de trading de açúcar, Tereos Commodities Sugar, disse a empresa em comunicado nesta quarta-feira.

Dois outros novos executivos serão indicados sob uma nova estrutura corporativa que implicará em “uma clara distinção entre os registros de açúcar bruto e branco”, afirmou a companhia.

A Tereos, segunda maior produtora de açúcar do mundo, disse que Omar Al-Dahhan irá comandar a unidade de açúcar bruto, enquanto Pat Dean chefiará a de açúcar branco.

De acordo com o comunicado, a Tereos Commodities Sugar “chegou a tamanho e estágio que requerem focos adicionais para otimizar sua presença e resultados”.

A Tereos, que prevê queda no lucro deste ano por conta de uma redução nos preços globais de açúcar, tem conduzido uma grande reestruturação nas últimas semanas, que já contou, entre outras, com a saída de seu diretor financeiro.

A empresa afirmou nesta quarta-feira que Marcelo Escorel Filho, que havia sido indicado como chefe da filial brasileira da Tereos Commodities em julho de 2018, deixará a companhia, com Leite assumindo suas responsabilidades.

Leite, ex-diretor de desenvolvimento de negócios internacionais e de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), vai se reportar diretamente a Philippe Huet, que foi recentemente nomeado diretor de comércio, atividades e marketing da Tereos Commodities.

No Brasil, que representa a maior parte das receitas internacionais da Tereos, tanto o diretor financeiro quanto o diretor agrícola também estão de saída, disse a empresa no mês passado.

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Fonte: Reuters/NovaCana

Grãos e Grandes Culturas

13. Prazos maiores para o 'barter' na área de café

Diante dos persistentes baixos preços do café, empresas e cooperativas do segmento estão ampliando prazos para a quitação de pagamentos para atrair os produtores às operações de barter, onde a moeda de troca é a colheita futura.

O sistema tradicional prevê o pagamento dos insumos com a produção um ano após negócio. Nos últimos tempos, esse prazo cresceu para dois ou três anos, mas em 2019 a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), maior cooperativa de cafeicultores do país, ampliou o limite para até cinco anos.

"Quando o preço está ruim, o produtor faz menos barter do que faria se o preço estivesse bom. Não é que ele deixe de fazer, mas faria mais se o preço estivesse melhor. Daí a ampliação do prazo", afirma Carlos Alberto Paulino da Costa, expresidente cooperativa.

No ano passado, o barter representou 20% do volume de café entregue para a cooperativa, o equivalente a 1 milhão de sacas.

Além de atrair produtores com maior prazo, a cooperativa quer estimular a venda de máquinas para a movimentação de fertilizantes em embalagens para grandes quantidades - os chamados "big bags". "A partir de 2021, as empresas não vão mais entregar fertilizantes em sacaria, somente em bag. Então o produtor precisa se adequar para estimular a demanda", diz Costa.

Na avaliação do gerente de marketing, cultivos e portfólio de milho e café da Basf, Stael Prata, o uso dessa ferramenta, com prazos maiores, será importante neste ano de preços baixos.

A multinacional de insumos também optou por ampliar prazos para pagamento na tentativa de atrair os produtores. A partir desta safra, a empresa trabalhará com a possibilidade de travar os valores por até três anos. Até então, o prazo era de um ano. "Dessa forma o produtor tem maior praticidade, pois poderá programar o custo no longo prazo", diz.

Outro formato novo na Basf é a troca financeira. Nesse modelo, há opção de liquidação em dinheiro em vez de produto no prazo estabelecido, em um sistema semelhante ao contrato de opção. O barter representa 50% dos negócios de café da múlti no Brasil.

A também alemã Bayer é outra que espera negócios firmes por contratos via barter neste ano. "Em fevereiro a demanda cresceu quatro vezes ante ao mesmo mês do ano passado", afirmou Marcos Dallagnese, gerente regional de café da companhia. "Esperamos que metade das nossas vendas de insumos para o café seja feita com barter", projetou.

Para ele, é a previsibilidade que atrai o produtor. "Essa troca traz segurança ao produtor. Com os custos travados, ele consegue trabalhar melhor a comercialização do grão".

Se para insumos a perspectiva é positiva, para máquinas nem tanto. "A demanda por barter veio aquecida até dezembro, mas a partir do momento que os preços romperam a barreira dos R$ 400, o interesse diminuiu não apenas pelo barter, mas pelo investimento em si", disse Reymar Andrade, presidente da Pinhalense, fabricante de maquinário com sede em Espirito Santo do Pinhal (SP).

Na avaliação dele, ainda que as empresas estejam ampliando prazos para fechar negócios, a estratégia pode não ser suficiente e os produtores devem adiar investimentos ou recorrer ao Finame. "Percebemos que o valor da saca está sendo pesando mais que o prazo".

No ano passado, 15% dos negócios da empresa foram firmados via barter. "Foi o nosso maior ano de barter", disse. "Neste ano, porém, os resultados de fevereiro já estão inferiores aos de 2018".

Para o presidente da Coopercitrus, Fernando Degobbi, o barter - principal modalidade na cooperativa no café - é uma ótima oportunidade para que os produtores superem as dificuldades geradas pelos preços baixos. "Quem está quitando contratos agora consegue em torno de R$ 580 a saca", afirma. "Mesmo quem faz barter agora consegue um valor mais atrativo por saca".

De acordo com ele, a cooperativa espera que o barter represente 70% do total de 1,5 milhão de sacas que a Coopercitrus espera receber neste ano. De 2018 até o momento, a cooperativa negociou o equivalente a 1 milhão de sacas - das quais 680 mil devem ser entregues até 2022. "Esperamos negociar o equivalente a outras 700 mil sacas neste ano nesta modalidade", afirmou Degobbi.

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Fonte: Valor Econômico

14. Soja atinge menor valor desde outubro

Pressionados pelo movimento global de valorização do dólar, os preços da soja atingiram ontem o menor patamar na bolsa de Chicago desde outubro de 2018. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 8,6875 o bushel.

Além da apreciação da moeda americana, a divulgação de resultados acima do esperado de algumas empresas listadas nas bolsas dos EUA colaboraram para a queda nos preços da oleaginosa, segundo a consultoria Farm Futures. A explicação para tanto é que, quando ações de importantes empresas americanas sobem, os fundos podem fazer ajustes na carteira e deixar de lado as commodities para migrar para esses ativos.

Para o analista Alan Brugler, da consultoria Brugler Marketing & Management, também pesou sobre os preços do grão a desvalorização do real ante o dólar, que deixa o produto brasileiro mais competitivo em detrimento do americano.

Segundo o analista Tarso Veloso, da consultoria ARC Mercosul, sediada em Chicago, os fundos estão vendidos, no caso da soja, em 121 mil contratos. "Ontem, a falta de notícias altistas e a análise gráfica abriram espaço para nova baixa", afirmou.

O mercado segue aguardando novidades sobre as negociações entre EUA e China. Na próxima semana, inicia-se uma nova rodada de negociações em Pequim com autoridades dos dois países. Na semana seguinte, as negociações ocorrerão em Washington. Para Veloso, somente um acordo comercial teria impacto para virar o sinal na bolsa de Chicago e puxar as cotações da oleaginosa para cima.

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Fonte: Valor Econômico

15. Argentina deve produzir 160 milhões de tons de grãos em 2027

O governo da Argentina indicou que espera que o país produza 160 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2026/2027, ou seja, 15 milhões de toneladas a mais do que os obtidos na safra atual, 2018/2019. A estimativa foi apresentada ontem pela manhã no 27º seminário anual da Fundação Produzir Conservando (FPC), que reúne empresas, referentes e técnicos da cadeia agroindustrial.

A projeção é composta por 76,9 milhões de toneladas de soja (48% do total), 46,2 milhões de toneladas de milho (29%), 18, 8 milhões de toneladas de trigo (12%) e 18,2 milhões de toneladas de outros grãos (11%). Na soja, o cálculo trouxe um resultado bastante superior aos 55,9 milhões de toneladas previstos para 2018/2019.

Enquanto isso, no milho, a Bolsa de Grãos de Buenos Aires agora projeta 46 milhões de toneladas para o ano comercial, semelhante à projeção para 2026/2027. Por outro lado, no trigo 18,8 milhões de toneladas são esperadas para 2026/2027, quando 19,4 milhões de toneladas são coletadas nessa safra, de acordo com cálculos oficiais.

O cálculo de 160,1 milhões de toneladas não significa que tudo seja uma boa notícia. Segundo os especialistas, os problemas de curto prazo do país, como logística e infraestrutura, são algumas das restrições que ameaçam a competitividade do setor agroindustrial argentino.

"Esse número pode ser transformado em um bumerangue de preços, onde, com custos crescentes, pode ser realmente negativo para o produtor primário, se não aumentarmos as exportações", explicou Gustavo Oliverio, assessor da entidade.

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Fonte: Agrolink

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