Uma das cinco maiores comercializadoras de café do país, a LDC (Louis Dreyfus Company) acaba de colocar em operação um novo armazém para recebimento do grão na cidade de Matipó (MG), na região conhecida como Matas de Minas.

A nova unidade de armazenagem é a terceira da LDC no país e começou ser construída em 2017. O crescimento dos volumes de café recebidos pela companhia no Brasil justifica o investimento, afirma o diretor executivo de café da LDC, Marcelo Pedro, sem revelar números sobre a originação a cada safra.

O investimento da LDC na estrutura de armazenagem em Matipó é de US$ 15 milhões, também considerando melhorias, de acordo com o executivo. Como nas demais, na nova unidade, a empresa vai beneficiar e certificar o café que fornece aos clientes.

O armazém de Matipó tem capacidade estática para 500 mil sacas de café. As outras duas unidades da LDC estão localizadas em Nova Venécia, no norte do Espírito Santo, principal Estado produtor de café conilon do Brasil, e em Varginha, uma das principais regiões de café arábica no sul de Minas. Em Nova Venécia, a capacidade estática é de 1 milhão de sacas. Em Varginha, de 500 mil sacas de café.

Mas, segundo Pedro, a capacidade de originação de café pela LCD é maior que as 2 milhões de sacas de seus armazéns, uma vez que a empresa também utiliza estruturas de armazenagem de terceiros nas regiões cafeeiras. "Hoje estamos cobertos nas áreas mais importantes e temos parcerias em armazéns que cobrem as necessidades adicionais", afirma.

Ao mesmo tempo em que a LDC inicia a operação do novo armazém, Marcelo Pedro não esconde o entusiasmo com os negócios no Espírito Santo, onde a produção de conilon se recuperou na atual safra, a 2018/19, após duas temporadas em que a seca fez a colheita despencar. Na última semana, a empresa fez um encontro com cafeicultores no armazém de Nova Venécia.

"A região vem de dois ciclos de quebra. Convidamos os parceiros para comemorar o recebimento da safra", diz. De acordo com a Conab, o Estado deve produzir 8,8 milhões de sacas nesta safra, um aumento de quase 50% sobre o ciclo anterior.

A recuperação da produção de conilon no Espírito Santo é uma notícia boa não apenas para os cafeicultores. Em 2017, segundo Pedro, a LDC "não comercializou quase nada [de conilon] no mercado externo" em decorrência da menor oferta. Quase todo o conilon originado foi vendido a clientes do mercado doméstico, que tem a prioridade, diz o executivo.

No caso do café arábica, a empresa tradicionalmente destina metade do volume ao exterior e metade ao mercado interno.

A LDC exporta café brasileiro a gigantes como Nestlé, Lavazza, JDE e Starbucks e também para importadores chineses. No mercado doméstico, entre os grandes clientes estão 3corações, JDE, Nestlé e indústrias de café solúvel.

Cerca de 80% a 90% dos negócios que a LDC realiza com café são no mercado físico, segundo Pedro. Atualmente, há 300 produtores "mais ativos" que fornecem à empresa no país, além de cooperativas. Eles estão espalhados em mais de 30 cidades de Minas Gerais, 20 no Espírito Santo e 10 na Bahia.

Marcelo Pedro mostra otimismo com a próxima safra de café conilon. Boa parte da florada já aconteceu nas regiões produtoras. "Se o clima continuar como está, a safra nova deve ser boa".

O executivo evita fazer prognósticos para o preço do café arábica, que rompeu o piso de US$ 1,00 por libra-peso recentemente em Nova York. Em sua avaliação, a safra recorde de quase 60 milhões de sacas no Brasil já está precificada e a queda reflete a posição dos fundos, que estão vendidos em níveis recorde. Apesar do recuo do preço, ele considera que o café ainda está remunerando o produtor no Brasil.

No Brasil, a LDC, que teve receita líquida global de US$ 43 bilhões em 2017, atua também na comercialização de grãos, algodão e suco e tem negócios em açúcar e etanol. Com café, atua ainda em outros importantes produtores: Colômbia, Honduras, México e Peru.

Fonte:

Valor Econômico

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